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  • A construção do ethos polêmico de Rodolfo Teófilo nos textos de crítica do jornal O Pão

    Rodolfo Teófilo (1853-1932), ao publicar o seu primeiro romance "A fome" (1890), obteve críticas desfavoráveis, sendo a que mais lhe desagradou foi a acusação de ser um mau escritor e de falsear a verdade, num texto estampado na "Revista Moderna" (1891). Em 1895, Teófilo descobre que o autor da crítica é Adolfo Caminha (1967-1897). Através dos artigos "A normalista" e "Cartas literárias", publicadas no jornal "O pão" (1895), ele defende seu romance e desqualifica não apenas a obra literária, mas a pessoa de Caminha. Observamos que esse jornal serviu de "cenário" (Maingueneau, 2001) para as interações polêmicas entre os dois escritores, tanto para conquistar a opinião pública, quanto para superar o adversário. Amossy (2005) afirma que todo ato de tomar a palavra implica a construção de uma imagem de si, ou seja, o discurso é um lugar onde se engendra o ethos do orador, que não está dissociada de seu logos. Portanto, essa pesquisa tem o intuito de analisar a construção de um ethos polêmico de Rodolfo Teófilo por meio dos textos publicados no jornal "O pão". O estudo do caráter discursivo da polêmica apoia-se em Ruth Amossy, "Ethos, cenografia e incorporação" (2005), de Dominique Maingueneau, "Gênese dos discursos" (2005) e "O contexto da obra literária" (2001) e de Marcelo Dascal, o artigo "Types of Polemics and Types of Polemical Moves" (1998). Após o estudo, observamos que Teófilo, como um sujeito enunciador, não escreveu seus textos em "solo institucional neutro e estável" (Maingueneau, 2001). Ao adotar um ethos polêmico, constituiu uma escrita provocativa para legitimar o seu conhecimento científico e seu engajamento intelectual. Constatamos que a polêmica entre os dois escritores não revelou apenas antipatias pessoais, ela é um importante meio para estudar o contexto literário cultural da época, para entender como se configurava a crítica nos jornais e os embates para se autolegitimar, na tentativa de inserção no cânone literário. Palavras-chave: Rodolfo Teófilo. Polêmica. Ethos. Crítica. O pão. https://www.periodicos.ufc.br/eu/article/view/35309/78855

  • DIA DA LITERATURA CEARENSE - 40 ANOS PARABÉLUM

    O Ceará é manancial de uma tradição literária rica: berço do romancista José de Alencar; pioneiro na divulgação filosófica, nos movimentos políticos e nas manifestações estéticas; lar de clubes e de agremiações literárias, de boêmios e brincalhões; de poetas e ficcionistas que cantaram a serra, o mar e o sertão. Com o intuito de conscientizar as pessoas da importância cultural da literatura cearense, na gestão do governador e acadêmico Lúcio Alcântara, por meio da lei estadual Nº 13.411, de 15 de dezembro de 2003, de autoria do ex-deputado Adahil Barreto, houve a instituição do "Dia da Literatura Cearense", que passou a ser comemorada no dia 17 de novembro, em homenagem ao nascimento de Rachel de Queiroz. Com a publicação do romance O Quinze (1930), a escritora alcançou ampla repercussão, conquistando o interesse dos leitores e da crítica, ao alavancar um novo ciclo dos romances nordestinos na ficção brasileira. Pela força poética de suas narrativas, Rachel de Queiroz tornou-se símbolo da literatura e da cultura cearense, assim como Patativa do Assaré, José de Alencar, Juvenal Galeno, Oliveira Paiva e a agremiação literária e artística, Padaria Espiritual. Integrando as comemorações que celebram a data criada pela Lei estadual citada, o Projeto "O entre-lugar na literatura cearense", coordenado pelo Prof. Charles Ribeiro, sob a orientação da Prof.ª Odalice de Castro Silva, tem como objetivo o estudo da formação da literatura dos que escreveram, produziram e publicaram no estado do Ceará, enfatizando a consolidação de uma tradição literária no Estado, investigando a sua contribuição para a diversidade da Literatura brasileira. Os trabalhos do Projeto partem de um viés da historiografia literária, da crítica e da literatura comparada. Em 2017, celebraremos os 40 anos de publicação de Parabélum (1977), de Gilmar de Carvalho, considerado o mais expressivo romance publicado na década de 1970, no Ceará. O livro narra a trajetória de um protagonista, denominado apenas de 'herói', em minúsculo, uma espécie de libertador, anunciado por meio de profecias do Antigo e do Novo Testamentos, mas que se transmuta em diversos personagens históricos como Cristo, Lampião e Che Guevara. Gilmar de Carvalho, para engendrar seu universo ficcional, costurou e entrelaçou histórias da tradição popular nordestina com variados signos da indústria cultural, tais como o teatro, a televisão, o cinema e as histórias em quadrinhos. Um livro que merece ser lido e estudado! O Projeto "O entre-lugar na Literatura cearense" e o Acervo do Escritor Cearense, da Biblioteca de Ciências Humanas da UFC, promovem este encontro com palestras e uma mostra de documentos do Arquivo Pessoal de Gilmar de Carvalho. Venha celebrar conosco! Quando: 17/11/2017. Horário: de 09:00 às 12:00. Onde: Auditório da Biblioteca de Ciências Humanas - UFC (Campus Benfica, Fortaleza) Vagas: 80. Certificado: carga horária de 4 horas. Evento: gratuito e aberto ao público. Saiba mais sobre o evento: Dia da Literatura Cearense Página do Facebook: Contato: entrelugar.literaturacearense@gmail.com Organização: Prof. Mestranda Lídia Barroso Gomes Prof. Doutorando Charles Ribeiro Pinheiro Prof.ª Dr.ª Maria Neuma Barreto Cavalcante Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro e Silva Programação: Data: 17 de novembro de 2017. Local: Auditório da Biblioteca de Ciências Humanas. Horário: 9h00 às 12h00. Abertura: "Por que celebrar o Dia da Literatura cearense?" (09h30) - Prof. Doutorando Charles Ribeiro Pinheiro Fala: "Gilmar de Carvalho no Acervo do Escritor Cearense" (09h50) - Prof.ª Dr.ª Neuma Cavalcante Entrevista com o herói (Gilmar de Carvalho) (10h20)(Entrevistadora - Prof.ª Mestranda Lídia Barroso) "Palestra: Parabélum - 40 anos" (11h00) - Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva Homenagem ao escritor, pelos 40 anos de Parabélum (11h30) Exposição sobre Parabélum, no salão do primeiro piso da Biblioteca de Ciências Humanas (CH1).

  • OS DESAFIOS DA PRÁTICA DOCENTE: O ENTRE-LUGAR NO ENSINO DA LITERATURA CEARENSE

    Por Charles Ribeiro Pinheiro, Orientação: Odalice de Castro Silva Resumo da comunicação apresentada no IX Encontro de Docência no Ensino Superior, durante os Encontros Universitários da UFC, 2017. Como requisito para a obtenção do diploma de doutoramento em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará, cursamos a disciplina de Estágio de docência em literatura (código HGP8333), durante o ano de 2015. Mais do que substituir o professor na sala de aula, nos propomos a refletir sobre o estudo e o ensino da literatura cearense por meio de um projeto de docência. Após seis meses de pesquisa, desenvolvemos um projeto de âmbito historiográfico e comparatista intitulado o "Entre-lugar na literatura cearense". A ação que serviu como nosso estágio de docência superior foi o curso "O lugar do autor cearense na historiografia literária brasileira", ministrado entre 2015 e 2016, a partir do escopo do projeto. O referido curso visou à divulgação e ao auxílio na formação de pesquisadores na área de literatura cearense. O nosso propósito é realizar um relato das dificuldades em trabalhar com o ensino da literatura produzida no Ceará, não apenas no âmbito acadêmico, mas para o público em geral. Encontramos inúmeras barreiras para o progresso de nossa prática docente que está ligada às dificuldades de leitura e à circulação das obras de autores cearenses no nosso estado. Para encarar tal desafio, enfatizamos a exigência de um 'historicismo renovado' (Bosi) e de uma prática pedagógica complexa (Edgar Morin). Optamos por uma visão plural e crítica, por meio da categoria fronteiriça 'entre-lugar', discutida por Silviano Santiago (Uma literatura nos trópicos, 1978) e Homi Bhabha (O local da cultura, 1998), para a compreensão dos diálogos e dos conflitos entre as ideias de literatura regional e nacional, desconstruindo a ideia de 'centro' como espaço único de difusão cultural. Para o embasamento historiográfico da literatura cearense e do comparatismo literário, utilizamos: Dolor Barreira (1948), Sânzio de Azevedo (1976), Artur Eduardo Benevides (1976), Antônio Cândido (1959), Tânia Carvalhal (2003) e Leyla Perrone Moises, (1998). Palavras-chave: Literatura cearense. Historiografia literária. Entre-lugar. Docência superior. https://www.periodicos.ufc.br/eu/article/view/28242/61325

  • O ‘CEARÁ MOLEQUE’ COMO TRADIÇÃO INVENTADA EM O CAJUEIRO DO FAGUNDES, DE ARARIPE JÚNIOR

    Por Charles Ribeiro Pinheiro, Orientação: Odalice de Castro Silva Resumo da comunicação apresentada no X Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação, durante os Encontros Universitários da UFC, 2017. O crítico Araripe Júnior (1848-1911), com o intuito de explorar um episódio da história do Ceará, publica, no Jornal do comércio, um folhetim com o título Um motim na aldeia, que posteriormente, em livro, foi publicado em 1929, com o título O cajueiro do Fagundes. O romance ocorre no final do século XVIII, na Vila do Forte (hoje Fortaleza), durante o período colonial, e narra o conflito entre o açougueiro Bartolomeu Fagundes e o Capitão-mor Feo e Torres, devido ao decreto de corte de um cajueiro. De acordo com o narrador, Fagundes é o autêntico representante do "Ceará moleque". Araripe Júnior relata que o enredo foi extraído de uma monografia do historiador Barão de Studart sobre o capitão-mor Feo e Torres. O nosso objetivo é analisar como o personagem Bartolomeu Fagundes pode ser considerado uma representação de uma molecagem cearense como uma tradição inventada. Sobre a ideia da 'tradição inventada', recorremos a Eric Hobsbawn, em A invenção das tradições (1997), além de Alfredo Bosi, em Dialética da colonização (1992). Sobre Araripe Júnior, consultamos Braga Montenegro (1948), Pedro Paulo Montenegro (1974), Luiz Roberto Velloso Cairo (1996) e Roberto Ventura (1991). Após o nosso estudo, observamos que o narrador do romance utiliza o termo 'Ceará moleque' em um enredo que se passa do final no século XVIII, contudo o termo propriamente dito só apareceria na imprensa cearense na década de 1880. A expressão é usada pelo narrador como uma tentativa de considerar a 'molecagem' como traço inato e distintivo do nosso povo, revelando o seu afã de construir uma tradição 'inventada' da irreverência dos cearenses. A ideia de 'molecagem' é considerada como uma interpretação da influência do meio e do clima no homem cearense, perspectiva que vai ao encontro do projeto de crítica literária de Araripe Júnior. Palavras-chave: Ceará Moleque. Tradição inventada. Historiografia Literária. Romance. https://www.periodicos.ufc.br/eu/article/view/27110/56797

  • Oficina “Novos tempos, novas heroínas - breve história dos Contos de Fadas

    Convidamos você para a Oficina, "NOVOS TEMPOS, NOVAS HEROÍNAS- BREVE HISTÓRIA DOS CONTOS DE FADAS", dia 05/10/2017, das 14h às 17h, na Biblioteca Comunitária Jardim Literário, que será ministrada pelo Prof. Charles Ribeiro. Número de vagas: 25. Local: Biblioteca Comunitária Jardim Literário Endereço: Rua Eretides de Alencar, n°302 - Bairro Jardim Iracema Garanta sua vaga mandando seu nome completo e telefone para o endereço de e-mail: luaproducer@gmail.com Público: Educadores, Mediadores de Leitura ou pessoas envolvidas na área da educação e incentivo à leitura. A oficina pretende apresentar e refletir sobre as transformações estéticas dos Contos de Fadas, desde seu surgimento como gênero literário até suas recriações no cinema de animação do começo desse século, com ênfase nas mudanças ocorridas nas representações das princesas na contemporaneidade. Um pouco sobre o ministrante: Charles Ribeiro, Mestre e doutorando em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-graduação em Letras da UFC, bolsista CAPES-DS. Revisor, roteirista, designer educacional e autor de livros didáticos de Literatura. Participante do Grupo de Pesquisa "Espaço de leitura: Cânones e bibliotecas", da UFC, sob a coordenação da Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva. Coordenador do projeto de extensão "O Entre-lugar na Literatura cearense".

  • Minicurso A Padaria Espiritual e a modernidade em Fortaleza

    Olá, convidamos a todos(as) para participar do Minicurso "A Padaria Espiritual e a modernidade em Fortaleza, que ocorrerá nos dias 19, 20 e 21 de outubro, durante a X Semana de Humanidades, na UFC. O minicurso tem o intuito de apresentar e discutir as representações literárias da vida moderna em Fortaleza publicadas no periódico O Pão, da Padaria Espiritual. Enfatizaremos os textos literários que tratam do cotidiano conturbado da capital cearense, tendo como palco principal a Praça do Ferreira e seu entorno. Para discutir os textos de O Pão e o contexto literário da Padaria Espiritual, trabalhamos com a categoria modernidade, do poeta francês Charles Baudelaire no ensaio "O pintor da vida moderna" (1869). O minicurso é uma atividade do projeto de extensão "O entre-lugar na literatura cearense", orientado pela Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva, Professora Titular de Teoria literária e Literatura Comparada da UFC. O minicurso ocorrerá nos dias 20 e 21 de Outubro, de 08:00 às 12:00 da manhã. Inscrição no Evento para o minicurso: https://goo.gl/reieLh Proponentes do Minicurso: Prof. Charles Ribeiro Pinheiro (Doutorando/UFC) Prof.ª Rafaela de Abreu Gomes (Doutoranda/ UFC); Mais informações em: E-mail: entrelugar.literaturacearense@gmail.com EMENTA COMPLETA Título: A PADARIA ESPIRITUAL E A MODERNIDADE EM FORTALEZA Autor: Prof. Me. e Doutorando Charles Ribeiro Pinheiro (UFC) Coautora: Prof.ª M.ª e Doutoranda Rafaela de Abreu Gomes (UFC) Orientação: Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva (UFC) Resumo: A cidade de Fortaleza do final do século XIX e início do século XX foi um espaço de riquíssima efervescência cultural e política. O fator gerador dessa agitação foi o rápido desenvolvimento econômico da capital cearense, em virtude da exportação de algodão para a Inglaterra, durante as décadas de 1860-1870. Ocorreu um amplo desenvolvimento material na capital, que poucos anos antes era apenas uma cidade provinciana, cujo centro econômico passou a ser a Praça do Ferreira. O desenvolvimento material da cidade foi acompanhando pelo cultural, pois a expansão do comércio em Fortaleza ensejou no progresso intelectual da província, cenário em que novas ideias e novas tendências estéticas e literárias começaram a fermentar nas ruas, praças, cafés, livrarias, clubes, agremiações literárias. No início da década de 1890, um grupo de jovens literatos e boêmios que frequentavam o Café Java, na Praça do Ferreira, liderados por Antônio Sales, funda a Padaria Espiritual, agremiação artística e literária com o objetivo espalhar o 'pão do espírito' (a literatura e as artes) para todos, com o afã de agitar culturalmente a cidade, tentando tirá-la do marasmo cotidiano. Além de reuniões culturais, os padeiros editavam o jornal O Pão, espaço para publicação de textos literários e divulgação de ideias. O minicurso tem o intuito de apresentar e discutir as representações literárias da vida moderna em Fortaleza publicadas no periódico O Pão, da Padaria Espiritual. Enfatizaremos os textos literários que tratam do cotidiano conturbado da capital cearense, principalmente os que dialogam com o contexto sócio cultural da cidade, tendo como palco principal a Praça do Ferreira e seu entorno (os transeuntes, os cafés, os bondes, as lojas, os boêmios). Para discutir os textos do O Pão e o contexto da Padaria Espiritual, adotaremos a ideia de modernidade desenvolvida pelo poeta francês Charles Baudelaire no ensaio "O pintor da vida moderna" (1869). A ideia de modernidade é de origem estética, mas é profundamente relacionada a uma perspectiva histórica dos registros artísticos das transformações materiais e sociais pelos quais passavam as cidades europeias, no caso de Baudelaire: Paris. Traremos essa discussão para a cidade de Fortaleza, no fim do século XIX, pois a capital tinha o desejo de se modernizar, inspirando-se nas metrópoles europeias. O minicurso é constituído por dois momentos: no primeiro momento (4 horas) será apresentada e discutida a ideia de modernidade por Baudelaire. Além do ensaio "O pintor da vida moderna", analisaremos o conjunto de poemas que formam "Os quadros parisienses". No segundo momento (4 horas), serão examinados os textos publicados no Jornal O pão, que expressam as singularidades da modernidade em Fortaleza, com ênfase em poemas, crônicas, ensaios, charadas, textos humorísticos. Além da ideia de modernidade de Baudelaire, contaremos com o suporte historiográfico de Leonardo Mota (1938), Dolor Barreira (1948), José Ramos Tinhorão (1966), Sânzio de Azevedo (1982) e (1996), Eduardo Campos (1985) e Sebastião Rogério Ponte (2001). Esta Oficina está vinculada ao projeto de extensão "O entre-lugar na literatura cearense", que visa ao fomento da leitura, à divulgação e ao auxílio na formação de pesquisadores na área de literatura cearense, trabalhando com uma abordagem da História da Literatura e da Literatura Comparada, enfatizando a formação, a circulação e a recepção dos autores e de obras literárias produzidas no Ceará, debatendo a contribuição dos escritores cearenses para a formação da literatura brasileira.

  • A literatura como fenômeno de civilização

    Otto Maria Carpeaux nos ensina que a literatura como sistema faz parte de outro sistema maior, a civilização: “A literatura não existe no ar, e sim no Tempo, no Tempo histórico, que obedece ao seu próprio ritmo dialético. A literatura não deixará de refletir esse ritmo – refletir, mas não acompanhar. Cumpre fazer essa distinção algo sutil para evitar aquele erro de transformar a literatura em mero documento das situações e transições sociais. A repercussão imediata dos acontecimentos políticos na literatura não vai muito além da superfície, e quanto aos efeitos da situação social dos escritores sobre a sua atividade literária será preciso distinguir nitidamente entre as classes da sociedade e as correspondentes “classes literárias”. A relação entre literatura e sociedade – eis o terceiro problema – não é mera dependência: é uma relação complicada, de dependência recíproca e interdependência dos fatores espirituais (ideológicos e estilísticos) e dos fatores materiais (estrutura social e econômica)” (2011, p. 39). CARPEAUX, O. M. Introdução. In: CARPEAUX, O. M. História da Literatura Ocidental. São Paulo: LeYa, 2011.

  • Curso - O lugar do autor cearense na historiografia literária brasileira

    Estão abertas as INSCRIÇÕES para o CURSO DE EXTENSÃO: "O lugar do autor cearense na historiografia literária brasileira", que terá início 12 de Novembro. Proponente: Prof. Me. Charles Ribeiro Pinheiro Orientação: Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva Instituição Promotora: Grupo de Pesquisa Espaço de leitura: cânone e bibliotecas e o projeto O entre-lugar na literatura cearense, em parceria com a Biblioteca de Ciências Humanas (UFC) e o Acervo do Escritor Cearense. Horário: Quintas - 16:00 horas às 18:00 horas. Certificado: 50 horas. Local: Auditório da Biblioteca de Ciência Humanas da UFC (Campus do Benfica), em Fortaleza. Ementa: Estudo introdutório das problemáticas historiográficas da literatura cearense, enfatizando o estudo de autores que produziram obras no Ceará e a investigação a formação da literatura do estado e a sua contribuição para a constituição da literatura nacional. Mais informações em: https://www.ufc.br/noticias/noticias-de-2015/7403-abertas-inscricoes-para-curso-gratuito-sobre-literatura-cearense https://g1.globo.com/ceara/noticia/2015/11/ufc-abre-inscricoes-para-curso-de-historiografia-literaria-brasileira.html Título: O lugar do autor cearense na historiografia literária brasileira Proponente: Prof. Me. Charles Ribeiro Pinheiro Orientação: Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva Modalidade: Curso de Extensão. Instituições Promotoras: Grupo de Pesquisa "Espaço de leitura: cânone e bibliotecas" e o projeto "O entre-lugar na literatura cearense", em parceria com a Biblioteca de Ciências Humanas da UFC e o Acervo do Escritor Cearense. Turno(s): Diurno Horário: Quintas - 16:00 a 18:00 Carga Horária: Teórica: 30 horas Prática: 20 horas Total: 50 horas. Local: Auditório da Biblioteca de Ciência Humanas da UFC. Justificativa: Para além do caráter complementar, o curso tem como princípio a introdução metodológica à historiografia literária cearense. Como ação integrante do Projeto de extensão, O entre-lugar na literatura cearense, o curso visa ao fomento da leitura, à divulgação e ao auxílio na formação de pesquisadores na área de literatura cearense. Trabalhará com uma abordagem da História da Literatura e da Literatura Comparada, enfatizando de modo crítico, a origem da formação, da circulação e da recepção dos autores e de obras literárias produzidas no Ceará, discutindo a contribuição da literatura cearense para a formação da literatura brasileira, além do debate da construção do cânone literário brasileiro e das conturbadas relações entre os centros culturais do país e do estudo das categorias regional, nacional e universal. DESCRIÇÃO DO CONTEÚDO 1º Encontro - 12 de Novembro - Por que ler e estudar a Literatura cearense? 2º Encontro - 19 de Novembro - Iracema: construção de um mito moderno. 3º Encontro - 03 de Dezembro - Onde está, ó Historiografia, a tua vitória? 4º Encontro - 10 de Dezembro - Sistema literário: um conceito renovador. 5º Encontro - 17 de Dezembro - Literatura do norte e do sul: um debate que persiste. 6º Encontro - 07 de Janeiro - Instinto de nacionalidade ou de cearensidade. 7º Encontro - 14 de Janeiro - Entre o regional e o regionalismo: uma literatura que nos exprime. 8º Encontro - 21 de Janeiro - O entre-lugar: jogo dialético entre a Metrópole e a Província. 9º Encontro - 28 de Janeiro - O que é um autor cearense? 10º Encontro - 04 de Fevereiro - O Quinze - um romance brasileiro.

  • Minicurso 'Diálogos Historiográficos" no XII Encontro Interdisciplinar de Estudos Literários

    O minicurso "Diálogos historiográficos: a Padaria Espiritual e o Grupo CLÃ para os estudos literários no Brasil", fará parte da programa do XII Encontro Interdisciplinar de Estudos Literários, em novembro de 2015, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Letras da UFC, cujo tema é Literatura e ensino. Ministrante: Charles Ribeiro Pinheiro (UFC).Orientação: Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva. Mais informações em: https://xiiencontrointerdiciplinarliteratura.blogspot.com.br/p/minicursos.html RESUMO: Uma característica da literatura cearense é a formação de agremiações, desde a segunda metade do século XIX, cujas revistas e jornais por elas publicados circulavam intensamente em Fortaleza. Essas publicações desempenhavam papel de fermento cultural, propiciando o surgimento de outras agremiações literárias, formando uma continuidade literária. O Ceará, literariamente, nunca foi um estado isolado. O jornal O Pão, pertencente à Padaria Espiritual (1892-1896), grêmio destacado por sua originalidade, trazia novidades culturais e literárias de todo o Brasil, assim como da Europa. A tradição da leitura e da discussão sobre a literatura universal, nacional e regional chega ao século XX com o Grupo Clã (1943-1988), associação que consolidou o modernismo no estado cearense. Por meio do seu periódico, a Revista Clã e da publicação de dezenas de livros de seus membros, o grêmio nos legou contribuições importantes nas áreas da literatura e da arte. O objetivo do minicurso é discutir como as agremiações Padaria Espiritual e Grupo Clã, por meio de seus periódicos, colaboraram para a recepção de autores e obras locais, nacionais e estrangeiros, enriquecendo a tradição literária brasileira. O nosso interesse é discutir e analisar textos críticos dos autores cearenses nos dois periódicos, partindo da perspectiva da estética da recepção, da História da Literatura e da Literatura Comparada, enfatizando, criticamente, as conturbadas relações entre o Ceará e demais centros culturais do Brasil, debatendo as categorias regional, nacional e universal. O minicurso terá três momentos: o primeiro trabalhará com questões de História da Literatura, através de José Luís Jobim e de Jorge Luis Borges, posteriormente, o segundo e último, respectivamente, sobre a Padaria Espiritual e sobre o Grupo Clã. Para embasar o nosso debate, nos apoiaremos em Jobim (1992), Wellek, (2004); Jauss (1994); Mota (1938); Vera Moraes (2004); Cândido (1978); Carvalhal (2003) e Sânzio de Azevedo (1983).

  • Movimento Impressionista - Breve comentário

    Impressão: Sol nascente (1872), Claude Monet. A pintura é a impressão de um porto visto a partir das névoas marítimas. A partir da década de 1870, a realidade deixa de ser a referência para os artistas. Os artistas trabalhavam cada vez mais conscientes de que estão expressando a natureza como sugestão e não como representação. Nas artes plásticas, a nova preocupação dos pintores é captar o dinamismo que a técnica, a ciência e a modernidade havia introduzido no cotidiano das pessoas. Os pintores vão expressar o efêmero, isto é, a rapidez e a constante variação da realidade. Essa nova percepção técnica é chamada de Impressionismo. Essa nova escola artística se desenvolveu na França e caracterizava-se por ser um modelo de pintura que consistiu em traduzir pura e simplesmente a impressão de objetos ou paisagens percebidas pelos sentidos. Alguns pintores, descontentes com o rigor e o elitismo da tradição estética em vigor, reuniram-se em 1874 e organizaram uma exposição no ateliê do fotógrafo Nadar, no Boulevard des Capucines, havia uma tela do pintor Claude Monet bastante singular: Impressão: Sol nascente. La Grenouillère,1869. Pierre-Auguste Renoir. Louis Leroy, um crítico pedante e tradicional, considerou o nome do quadro ridículo e se referiu ao grupo de artistas de impressionistas. Afastando-se do teor pejorativo, o nome pegou e contrariando o crítico, os pintores impressionistas provocaram uma revolução no mundo das artes. A célebre exposição contou com 30 artistas que expuseram 165 obras. Os nomes mais representativos do movimento impressionista e do seu entorno foram Claude Monet, Camille Pissarro, Alfred Sisley, Auguste Renoir, Berthe Morisot, Éduard Manet, Edgar Degas e George Seurat.A técnica impressionista "Para essa nova maneira de ver, era imprescindível uma nova maneira de pintar. Os artistas não mais representarão as formas tal como sabem que elas são, mas tal como as veem sob a ação deformadora da luz. Eles abandonaram então alguns dos princípios tradicionais da arte pictórica. É banido o desenho-contorno que define com precisão a forma e sugere o volume." (O impressionismo, de Maurice Serullaz, p. 8-9). Percebemos que, a partir dos pintores impressionistas, os artistas se conscientizaram artisticamente, ou seja, eles passaram a "sugerir" aquilo que estão pintando, enfatizando os efeitos de luz e cor. Ocorre a dissolução da figura que é pintada com contornos menos nítidos, diferentemente da arte realista.

  • Rodolfo Teófilo e o início da Padaria Espiritual

    2009 foi o ano que adquiri “Cenas e tipos", de Rodolfo Teófilo, livro de miscelânea que reúnes contos, crônicas, memórias e textos de opinião. Abaixo, um trecho da crônica “Moedeiros Falsos”, que narra, de modo bem cearense, as reminiscências do início da Padaria Espiritual: (...) Recolhi-me ao gabinete e aí cismava nas cousas da vida, sentindo uma volúpia, que só a alma do cearense é capaz de sentir, ouvindo o tamborilar da chuva no telhado. (...) A chuva continuava, e eu, para matar o tempo, procurei um livro. Fui à estante e o primeiro em que puz a mão foi “O Pão” – da gloriosa – “Padaria Espiritual”. Feliz coincidência! Tinha com que me deleitar, ia remoçar vinte anos, viver das gratas recordações do passado, em que meu espírito de moço tinha ilusões e era crente. Aquelas folhas estavam impregnadas do perfume suave das flores da mocidade. Nelas eu acharia um lenitivo aos enganos da velhice, às saudades dos tempos idos, das ilusões que ficariam perdidas pelos ínvios caminhos da existência, se avivariam, mas me confortando, como bem disse Garrett. Abri o livro e me vi cercado dos meus bons e queridos companheiros da Padaria, dos quais a morte levou a maioria ainda no alvorecer da vida. Transportei-me reminiscências! As sessões aos sábados, aqueles inesquecíveis serões literários, eu os estava assistindo; as figuram que eu via espiritualmente se corporizavam e eu as estava vendo como naquela época. A ilusão era perfeita! Que saudade me pungia todo!... Todos eles ao redor de mim, como se a maior parte deles pudesse se erguer do sepulcro e para mim vir! (sic).

  • RESENHA: LIMA BARRETO: UM GRITO BRASILEIRO (DOCUMENTÁRIO)

    Charles Ribeiro Pinheiro Os documentários da série Mestres da Literatura, produzidos pela TV escola, sintetizam a vida e a obra de grandes escritores brasileiros. O filme Lima Barreto: um grito brasileiro retrata, em quase meia hora, a conturbada vida do escritor carioca e sua visão artística dos paradoxos da Primeira República. O enfoque maior do documentário é a biografia de Lima Barreto, acentuando a sua condição sociocultural como ponto preponderante para o entendimento de sua obra literária. O próprio subtítulo do documentário é assaz esclarecedor. "Um grito" remete ao fato de Lima Barreto ser filho de pais pobres e negros, revelando como o preconceito racial e social foi o seu grande empecilho perante suas aspirações intelectuais. A expressão também revela a denúncia desse problema na escritura do seu texto literário. O termo "brasileiro" alude ao fato de sua obra se caracterizar por tentar interpretar os costumes, a cultura e a vida política de um país recém-saído da Monarquia e que não vislumbrava sequer uma tentativa de amenizar as graves contradições existentes. O aspecto desafortunado do escritor é bastante ressaltado. Incompreendido, entregue ao alcoolismo, recolhido diversas vezes ao hospício, é morto por uma sociedade que lhe deu as costas. Além da biografia, o filme aborda o percurso intelectual de Lima Barreto, a sua incursão no campo jornalístico carioca e, sobretudo, os seus principais textos ficcionais. A obra que é analisada com mais apuro é Triste fim de Policarpo Quaresma, publicada em 1915. Esse é o livro mais célebre de Lima Barreto, porque tece uma irônica crítica ao nacionalismo exagerado do século XIX, por meio da figura quixotesca de Policarpo Quaresma. Nessa obra, o escritor carioca interpreta o Brasil como um drama, mostrando-nos a personagem título como uma tentativa de engendrar um projeto civilizatório na República. Sobre o assunto, o documentário traz o depoimento do ator Paulo José, que interpretou Policarpo Quaresma no cinema, em adaptação cinematográfica de 1998. O ator enfatiza a grande pergunta que o livro nos deixa é: o que fazer para o Brasil dar certo? O documentário traz várias imagens e vídeos do Rio de Janeiro do começo do século XX, relacionados à obra de Lima Barreto, em que passeia pelos cenários descritos pelo escritor. Há depoimentos de renomados críticos literários e historiadores como Nicolau Sevcenko, Afonso Carlos Marques dos Santos, que refletem sobre o lugar de Lima Barreto na tradição literária brasileira e a permanência de sua obra. Na parte final, o pesquisador Antonio Arnani Prado nos alerta que "temos que ler Lima Barreto, pois somos um país socialmente injusto. Somos um país onde os pobres continuam pobres e a elites continuam no lugar delas. Não é pra se aprender português que se lê Lima Barreto. Lê-se Lima Barreto para aprender a ser brasileiro." O documentário é um excelente convite para conhecermos um pouco mais sobre a vida e a obra desse escritor, dono de um texto rico, tanto estética, quanto culturalmente, mas que morreu agrilhoado pelo alcoolismo e pelo preconceito racial. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SIMÔES, Mônica. Lima Barreto: um grito brasileiro (Série Mestres da Literatura). TV Escola/ Polo de Imagem/ TV PUC/ Televisión América Latina. 28 min. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/download/video/me004502.mp4 https://youtu.be/Bas_Os1pv1o BARRETO, Lima. Triste Fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Editora Ática, 1998. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2001. MIGUEL-PEREIRA, Lúcia. Prosa de ficção (1870-1920). Belo Horizonte, Itatiaia, 1988.

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