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  • GRUPO DE PESQUISA LITERATURA CEARENSE COMPARADA

    https://charlesribeiroletras.wixsite.com/livrosehqs/literatura-cearense Coord. Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro Resumo: O folclorista cearense Leonardo Mota, no livro “Padaria Espiritual” (1938), relata que, desde a metade do século XIX, a cidade de Fortaleza é uma capital de agitada vida literária. Ele listou mais de 100 agremiações literárias, não só em Fortaleza, também em outras cidades do estado. Grande parte da produção literária e dos periódicos que foram publicados e que circularam dentro e fora do Ceará, era desenvolvida a partir dessas associações literárias. A que mais se destacou pela sua originalidade e irreverência foi a Padaria Espiritual (1892-1898). Esse gosto pelas agremiações atravessou o século XIX e continuou pelo século XX, tais como Academia Francesa, Clube Literário, Centro Literário, Academia Cearense de Letras, Grupo CLÃ, SCAP, Grupo SIN, Grupo SIRIARÁ, entre outras. Autores e agremiações legaram contribuições importantes para a Literatura, Arte, Jornalismo, Filosofia e Educação do Ceará. Entre 2015 a 2019, o projeto de extensão “O entre-lugar na Literatura Cearense”, durante o curso de doutorado, promoveu diversas ações para divulgar e fomentar o conhecimento dessa tradição literária tão rica. Dando continuidade e ampliando essa missão, o grupo de pesquisa “Literatura Cearense Comparada” tem o objetivo organizar e realizar um estudo sistemático da literatura produzida e lida no Ceará, enfatizando a investigação da formação de uma tradição literária e cultural que contribuiu e contribui para a continuidade da arte literária no Brasil. Os trabalhos do grupo de pesquisa procedem de um viés da historiografia literária, do comparatismo e estudos culturais. Para o estudo da literatura cearense, com base historiográfica, as referências são: Antonio Sales, Araripe Jr., Capistrano de Abreu, Dolor Barreira, Sânzio de Azevedo, Braga Montenegro, Abelardo Montenegro, Artur Eduardo Benevides, Mário Linhares, Herman Lima, Edgar de Alencar, Gilmar de Carvalho e Oswald Barroso. Sobre os estudos da formação e produção da literatura cearense em diálogos e tensões com a literatura brasileira, de Antônio Candido, as categorias sistema literário, continuidade e tradição, em A formação da literatura Brasileira (1959) e Literatura e Sociedade (1965). Com o crítico Alfredo Bosi, as categorias de colonização e cultura, em Dialética de Colonização (1992) e Literatura e resistência (2002). Um conceito importante que embasará as discussões é o de Silviano Santiago, o entre-lugar, desenvolvido ao longo das obras Uma literatura nos trópicos (1978), Vale quanto pesa (1982) e Nas malhas da letra (1989). A fundamentação teórica acerca dos Estudos culturais ocorrerá com Stuart Hall, em A identidade cultural na pós-modernidade (1999) e Homi Bhabha, em O local da cultura (1998). Projeto de Pós-doutorado apoiado pela FUNCAP-CE. Palavras-chaves: Literatura cearense. Historiografia. Sistema literário. Entre-lugar. Identidade cultural. METAS • Contribuir para a divulgação dos autores cearenses e pesquisas de literatura comparada feitas no âmbito do Programa de Pós-graduação em Letras para o público geral, comunidade acadêmica regional e de outros estados. ​ • Divulgar a História da Literatura Cearense para os alunos e alunas de Graduação em Letras e para o público em geral, fomentando um público leitor ativo das obras literárias produzidas no Ceará e por autores e autoras cearenses. ​ • Colaborar para a formação dos alunos de Letras em pesquisadores na área de literatura cearense, trabalhando com a metodologia historiográfica e comparatista. ​ • Trabalhar para fortalecer o Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará. ​ • Colaborar para a aplicação das políticas públicas de difusão da literatura cearense no estado do Ceará.

  • AGREMIAÇÕES E PERIÓDICOS LITERÁRIOS CEARENSES: ENTRE-LUGAR E IDENTIDADE CULTURAL

    https://ppgletras.ufc.br/pt/estrutura-do-programa/%e2%87%94-corpo-docente/charles-ribeiro-pinheiro-colaborador/ Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro[1] EMENTA: Este projeto de pesquisa visa investigar as agremiações literárias e os periódicos literários cearenses, do final do século XIX até a década de 1990, enfatizando a problematização da formação da tradição literária no Ceará, discutindo as tensões e suas contribuições para a pluralidade da literatura brasileira. Partindo de um viés de historiográfico e comparatista, o projeto trabalhará com os conceitos de “sistema literário” (Candido 1959), “colonização cultural” (Bosi, 1992), “entre-lugar” (Santiago, 1978), “centro, centros” (Bessière, 2011) e “identidade cultural” (Hall, 1992). O projeto buscará mapear as influências e o papel dos periódicos e grêmios literários no diálogo entre Ceará e outros centros literários brasileiros, desconstruindo a ideia de "centro" como espaço único de difusão cultural, e destacando as singularidades e tensões que configuram a literatura cearense dentro do contexto da literatura brasileira. RESUMO EXPANDIDO: No estado do Ceará, apesar das históricas desigualdades econômicas e sociais, há 200 anos, existem registros materiais de atividades intelectuais e literárias. O desenvolvimento cultural dos livros e jornais impressos despontou em Fortaleza, a partir da metade do Império (reinado de D. Pedro II), quando a cidade passou por uma série de transformações materiais, devido à produção e à exportação de algodão para a Inglaterra (década de 1860). Nesse ínterim, além das transformações urbanas, ocorreu a criação de educandários, jornais, clubes, livrarias, que ampliaram a socialização entre uma comunidade letrada que consumia leitura. Infelizmente, o acesso às letras não foi amplo para toda a população, mas a circulação de livros e jornais permitiu o início de uma agitada vida literária na cidade. Essa agitação cultural é relatada pelo folclorista Leonardo Mota na obra Padaria Espiritual (1938), em que aponta a existência de mais de 100 agremiações literárias, tanto em Fortaleza, quanto em outras cidades cearenses. A maioria da produção literária - livros, periódicos e revistas – foi fruto dessas associações. A que mais se destacou pela sua originalidade foi a Padaria Espiritual (1892-1898), que continuou uma tradição de grupos literários que ocorreu desde a Academia francesa (1873-1875) e o Clube Literário (1886-1888). Posteriormente, destacaram-se a Academia Cearense (1894), o Centro Literário (1894), no século XX o suplemento Maracajá (1929), jornal Cipó de Fogo (1931), o Grupo Clã (anos 1940), o grupo SIN (anos 1960), o grupo Siriará (anos 1970), entre outros. Desde a metade do século XIX, há um esforço dos intelectuais e escritores cearenses em não apenas consumir os produtos advindos da Europa ou da ‘metrópole nacional’, mas em desenvolver debates que contribuam para a inteligência nacional. Os escritores cearenses liam e se apropriavam de ideias europeias e, não apenas reproduziam, mas construíam novas interpretações, adaptando-as ao nosso contexto. O pesquisador Roberto Ventura explica que esses paradoxos entre a dependência cultural e a originalidade ocasionaram ricas tensões entre diferenças e semelhanças, principalmente, no âmbito dos debates entre centros literários brasileiros, tais como o Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador e Fortaleza. Portanto, os periódicos das agremiações literárias cearenses foram espaços para a divulgação de ideias, a publicação de textos literários e crítica literária. O objetivo deste projeto de pesquisa é realizar uma investigação das agremiações literárias cearenses, da Academia Francesa (1873) ao Grupo Siriará (anos 1970), e dos periódicos literários, da revista A Quinzena (1886-1887) e à revista Caos portátil (década de 1990), e verificar como essa produção literária contribuiu para a formação e continuidade de um sistema literário no Ceará, em diálogo e tensão com outros centros literários que constituíram uma chamada ‘literatura brasileira’. Os trabalhos do projeto de pesquisa partirão do viés da historiografia literária, da crítica e da literatura comparada. Para o estudo da literatura cearense, com base historiográfica, utilizaremos como principais referências: Antônio Sales (1897), Dolor Barreira (1948), Sânzio de Azevedo (1976) (1982) (1983), Braga Montenegro (1966), Abelardo Montenegro (1953), Artur Eduardo Benevides (1976) e Rodrigo Marques (2018). Sobre o estudo da formação da literatura do Ceará, Antônio Candido com as categorias de sistema literário, continuidade e tradição literária, em A formação da literatura Brasileira (1959) e Literatura e Sociedade (1965), como reflexão historiográfica para entender papel dos grêmios e periódicos na recepção e discussão de ideias estéticas e literárias. A partir de Alfredo Bosi, com as categorias colonização e cultura, de Dialética de Colonização (1992) e Literatura e resistência (2002), para se compreender a pluralidade cultural brasileira. Uma categoria fronteiriça que embasará as discussões, de Silviano Santiago, é o entre-lugar, desenvolvida ao longo das obras Uma literatura nos trópicos (1978), Vale quanto pesa (1982) e Nas malhas da letra (1989), a partir de Homi Bhabha (O local da cultura, 1998), para a compreensão dos diálogos e dos conflitos entre as ideias de literatura regional e nacional, desconstruindo a ideia de ‘centro’ como espaço único de difusão cultural. O entre-lugar é um espaço novo, uma nova potencialidade que nasce à luz das trocas culturais, de conflitos e ambiguidades e será uma categoria para investigar as revistas e jornais literários como espaços de tensões e debates críticos. Outra contribuição importante é A identidade cultural na pós-modernidade (1992), de Stuart Hall, cujo debate sobre identidade cultural é assaz importante, ao problematizar o conceito na contemporaneidade, ressaltando que é uma construção social e histórica, portanto fluida, em constante transformação, ligada às constituições das culturas nacionais. Um pesquisador importante para este debate é o francês Jean Bessière, em seu ensaio “Centro, Centros: novos modelos literários”, integrante do livro Centro, Centros: Literatura e Literatura Comparada em Discussão (2011). Por fim, Roberto Ventura, com Estilo Tropical: história cultural e polêmicas literárias no Brasil, 1870-1914 (1989), em que investiga as bases teóricas dos intelectuais brasileiros da chamada ‘Geração de 1870’. Na obra, enfatiza como as teorias sociais e as ideias filosóficas europeias desembarcaram no nosso país e como foram apropriadas e subvertidas nos constantes debates intelectuais sobre a sociedade e a cultura nos principais periódicos brasileiros. Palavras-chaves: Literatura cearense; agremiações literárias; entre-lugar; cultura; identidade cultural. REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE Jr., Durval Muniz de. A Invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez. 2011. AZEVEDO, Sânzio de. Literatura cearense. Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1976. AZEVEDO, Sânzio de. Aspectos da literatura cearense. Fortaleza: UFC/ PROED, 1982. AZEVEDO, Sânzio de. Dez ensaios de Literatura Cearense. Fortaleza, UFC, 1985. AZEVEDO, Sânzio de. (org). O PÃO da Padaria Espiritual. Fortaleza: Academia Cearense de Letras; Edições UFC, 1982. BARREIRA, Dolor. História da Literatura cearense. Fortaleza: Instituto do Ceará, 4. V., 1948, 1951, 1954 e 1962. BARROSO, Oswald. Ceará Mestiço. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2019. BESSIÈRE, Jean. Centro, Centros: novos modelos literários. In: WEINHARDT, Marilene, e CARDOSO, Mauricio Mendonça (Orgs.) Centro, centros: Literatura e literatura comparada em discussão. Curitiba, Editora UFPR, 2011. CARVALHO, Gilmar de (Org.). Bonito pra chover: ensaios sobre a cultura cearense. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2003. BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. CÂNDIDO, Antônio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. 6. ed. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia, 2000. v. I e II. COUTINHO, Afrânio. Conceito de Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d. COUTINHO, Afrânio. O processo da descolonização literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. ELIOT, T. S. Tradição e talento individual. In. Ensaios. São Paulo: Art Editora, 1989. HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. 3º ed. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 1999. SANTIAGO, Silviano. Uma literatura nos trópicos. 2 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. VENTURA, Roberto. Estilo tropical: história cultural e polêmicas literárias no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. [1] Professor graduado em Letras pela Universidade Federal do Ceará (2008). Mestre (2011) e Doutor em Letras (2019) pela UFC, com pesquisas sobre o escritor cearense Rodolfo Teófilo. Além de roteirista de quadrinhos, é autor de livros didáticos de Literatura e professor conteudista do Curso de Literatura Cearense, promovido pela Fundação Demócrito Rocha, em 2020. Vencedor do XII Edital Ceará de Incentivo às Artes (2022), da SECULT-CE, com o livro Rodolfo Teófilo Romancista.

  • Fortaleza 300 anos: disputas e construções das origens e identidade

    Celebrar os 300 anos de Fortaleza é revisitar uma história marcada por disputas de origem, transformações econômicas e reinvenções culturais que moldaram uma das principais cidades do Brasil. De uma pequena vila que cresceu ao lado do Forte de Nossa Senhora da Assunção (1812), ela se tornou uma das maiores capitais do Brasil. A data comemorativa remete a 13 de abril de 1726, quando o povoado surgido ao redor do Forte foi elevado à condição de vila pela corte portuguesa. Essa ‘escolha’ da origem é recente, a comemoração oficial foi institucionalizada pela Lei Municipal nº 7.535, de 16 de junho de 1994 . No entanto, a história de Fortaleza começa muito antes dessa ‘escolha’ formal/institucional. A região era habitada por diversos povos indígenas, sobretudo, da etnia potiguara, que estruturavam modos próprios de vida, organização e relação com o território. Desde o início do século XVII, a região foi palco de tentativas de colonização portuguesa, como a de Pero Coelho de Sousa, seguida pela atuação de Martim Soares Moreno (1611), frequentemente considerado o fundador do Ceará por consolidar a presença portuguesa e estabelecer o Forte de São Sebastião. Duas décadas depois, os holandeses ocuparam vários estados do atual nordeste, inclusive a capitania cearense em 1637, subjugando o Forte de São Sebastião. E na década de 1640, chegou a expedição do comandante holandês Matias Beck. A origem específica de Fortaleza, contudo, foi e é objeto de debate historiográfico. O Historiador Raimundo Girão atribuiu a sua fundação a Matias Beck, que, em 1649, construiu o Forte Schoonenborch, na colina Marajaitiba, às margens do riacho Pajeú, onde atualmente é a 10ª Região Militar, considerado o embrião urbano da cidade. A historiografia tradicional defendia que a fundação deveria ser vinculada à ocupação portuguesa anterior, liderada por Martin Soares Moreno e o Forte de São Sebastião na Barra do Ceará. Essa disputa revela não apenas divergências cronológicas, mas também disputas simbólicas sobre identidade, memória e herança colonial. Quem deveria ser considerado o fundador de Fortaleza: um holandês ou um português? Em ambos os casos, o processo colonizador foi assaz violento e devastador para os povos originários e negros escravizados. Uma cidade construída em virtude de exploração e sofrimento de várias pessoas. Após a expulsão dos holandeses em 1654, o forte foi rebatizado como Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, pelos portugueses, nome que daria origem à cidade. Ao redor dessa estrutura militar formou-se um núcleo urbano ainda modesto, sustentado inicialmente pela pecuária e pelo comércio local. Durante o século XIX, após a independência do Ceará em relação à Capitania de Pernambuco (1799), Fortaleza progrediu efetivamente em virtude da exportação de algodão para a Inglaterra, durante as décadas de 1860-1870, desenvolvendo-se materialmente, convertendo a Praça do Ferreira como centro econômico, político e cultural da capital. A criação de infraestruturas como porto, ferrovia e instituições públicas contribuiu para sua afirmação como centro político e econômico do Ceará. Ao longo do século XX e início do XXI, Fortaleza se transformou em uma metrópole dinâmica, marcada pela expansão urbana, pelo crescimento populacional e por sua importância estratégica no Nordeste brasileiro. No entanto, as drásticas reformulações e expansões urbanas não afastaram os graves contrastes sociais que existiam e ainda existem. Celebrar 300 anos de Fortaleza é, portanto, reconhecer uma trajetória que não é linear, mas construída a partir de encontros, conflitos e reinvenções. Dos fortes coloniais às avenidas modernas, dos embates entre portugueses e holandeses, da resistência indígenas e negras, às múltiplas identidades contemporâneas, a cidade se configura como um espaço vivo de memória e futuro. Mais do que uma comemoração cronológica, o tricentenário de Fortaleza convida à reflexão sobre o que significa pertencer a uma cidade que, ao longo de mais de três séculos, seus moradores souberam transformar sua história em força cultural, social e simbólica.

  • OFICINA O horror na ficção naturalista de Rodolfo Teófilo

    Oficina: O horror na ficção naturalista de Rodolfo Teófilo Evento: XVII Semana de Humanidades da UFC Modalidade: presencial | Turno: vespertino. Encontros/horário: 14h às 17h | DIAS: 03 e 04 de nov. 2025 Carga Horária: 6 horas. 35 vagas Local: Centro de Humanidades, Campus do Benfica - UFC Público-alvo : alunos de graduação em Letras, de Humanidade, professores, público em geral. https://www.even3.com.br/xvii-semana-de-humanidades-596561/ Objetivo: A Oficina pretende analisar as representações da morte no romance A Fome (1890) , de Rodolfo Teófilo, escrito com o objetivo de promover denúncia social por meio do artificio narrativo do horror. A Fome  ocupa um lugar central na literatura brasileira naturalista ao descrever a miséria e a morte causadas pela seca de 1877, um importante testemunho literário sobre as condições extremas de sobrevivência no Ceará.   Ementa: As obras ficcionais do escritor Rodolfo Teófilo, que tematizam a seca e as epidemias no Ceará, estão repletas de cenas que chocam os leitores e que produzem o efeito catártico do horror. Narrativas escritas com o intuito de provocar o horror se baseiam na construção do medo e da repulsa, como salientam King (1981) e Carrol (1990). A Oficina pretende analisar o romance A Fome escrito com o objetivo de promover denúncia social por meio do artificio narrativo do horror. Como base teórica, dialogamos com: Philippe Ariès, com História da Morte no Ocidente (2017); Noel Carroll, A Filosofia do Horror ou paradoxos do coração (1990); H. P. Lovecraft, com O horror sobrenatural em literatura  (2008), Stephen King, com A dança macabra (1981) e Tzvetan Todorov, com Introdução à Literatura Fantástica  (1992). O seminário seguirá uma metodologia que combina leitura crítica, discussões teóricas e análise comparativa. Inicialmente, uma introdução ao contexto histórico da seca de 1877, à obra naturalista de Rodolfo Teófilo. Em seguida, serão apresentados conceitos de “morte” do historiador Philippe Ariès e os conceitos de “horror” a partir de Noel Carrol, H.P. Lovecraft e Stephen King, e do fantástico, de T. Todorov. Depois, serão exploradas as principais cenas do romance A fome  que descrevem representações tétricas da morte, discutindo como Teófilo, através de uma linguagem explícita e científica, coloca o leitor frente à face cruel da mortalidade e do medo por meio do horror. Apoio da FUNCAP.   INSCRIÇÔES: https://www.even3.com.br/xvii-semana-de-humanidades-596561/ com direito à certificado (6h) | Vagas 35 Proponente:   Pesquisador de Pós-Doutorado (Bolsa FUNCAP) e Coordenador do grupo de pesquisa “Literatura Cearense Comparada” no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará. Doutor (2019) e Mestre em Literatura Comparada (2011) pela Universidade Federal do Ceará, com pesquisas sobre o escritor cearense Rodolfo Teófilo. Além de Professor de literatura, graduado em Letras pela UFC (2008), roteirista de quadrinhos e autor de livros didáticos de literatura. Teve o projeto 'Padaria Espiritual em Quadrinhos' aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet Nº 8.313/91) e foi vencedor do Edital Mecenas 2024 da Secretaria de Cultura do Ceará. Vencedor do XII Edital Ceará de Incentivo às Artes, da SECULT-CE, com o livro “Rodolfo Teófilo Romancista”. Currículo e Portfólio, no link a seguir: https://entrelugarliteratu.wixsite.com/charlesliteraturahq/sobre   BIBLIOGRAFIA ARISTOTELES. Poética.  Tradução, comentários e índices analíticos e onomástico de Eudoro de Souza. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991.   AZEVEDO, Sânzio de. Dez ensaios de literatura cearense . Fortaleza Edições UFC, 1985.   AZEVEDO, Sânzio de. Literatura cearense. Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1976.   BARRENECHEA, Ana Maria. Ensayo de una tipología de la literatura fantástica. Revista Iberoamericana . v. 80, p. 391-403, 1972.   CARROLL, Noël. A filosofia do horror ou paradoxos do coração.  Campinas: Papirus, 1999.   CAUSO, Roberto de Sousa. Ficção científica, horror e fantasia no Brasil  (1875-1950). Belo Horizonte: UFMG, 2003.   COLARES, Otacílio. Introdução crítica: fome e peste na ficção de Rodolfo Teófilo. In: A fome/Violação.  Rio de Janeiro: José Olympio; Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1979.   COUTINHO, Afrânio. (org) A literatura no Brasil: Realismo-Naturalismo- -Parnasianismo. Rio de Janeiro: Editorial Sul Americana, 1969. v. III.   COSTA, Maria Clélia Lustosa. Vida e morte na Fortaleza antiga  [livro eletrônico]: a higienização da cidade no século XIX. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2021.   DELUMEAU, Jean. História do medo no Ocidente: 1300-1800.  São Paulo: Cia. das Letras, 1993.   FRANÇA, D. O horror na ficção literária: Reflexão sobre o “horrível” como uma categoria estética. In: XI Congresso Internacional da ABRALIC  - Tessituras, Interações, Convergências, 13-17 de julho de 2008.   FREYRE, Gilberto. Assombrações do Recife Velho. Rio de Janeiro: Topbooks editora, 2000.    GALENO, Juvenal. Lendas e canções populares. Fortaleza: Edições UFC, 1965.   GUINSBURG, J. e Faria, João Roberto (org.). O naturalismo.  São Paulo: Perspectiva, 2017.   HAUSER, Arnold. História social da Literatura e da arte.  Tomo II. Trad. Walter H. Geenen. São Paulo, Editora Mestre Jou, 1972.   HUGO, Victor. Do grotesco e do sublime  – tradução do prefácio de Cromwell. São Paulo: Perspectiva, 2002.    LANDIM, Teoberto. Seca: a estação do inferno. Fortaleza: Casa de José de Alencar, 1992. LOVECRAFT, Howard Phillips. O horror sobrenatural em literatura. São Paulo: Iluminuras, 2008.   KING, Stephen. Dança macabra:  o terror no cinema e na literatura dissecado pelo mestre do gênero. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.   MONTENEGRO, Abelardo F. O romance cearense. Fortaleza: Casa de José de Alencar/UFC, 1993.   MENON, Mauricio Cesar. Figurações do gótico e de seus desmembramentos na Literatura brasileira de 1843 a 1932.  Tese (Doutorado em Letras) - Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Estadual de Londrina, 2007.   MOTA, Leonardo. A Padaria Espiritual. Fortaleza: Casa de José de Alencar/UFC, 1994.   POE, Edgar Allan. Histórias extraordinárias. São Paulo: Nova Cultural, 2002.   RODRIGUES, Selma Calasans. O Fantástico. Série Princípios. São Paulo: Ática, 1988.   SALGUEIRO, Pedro (Org.). O cravo roxo do diabo: o conto fantástico no Ceará.  Fortaleza: Expressão, 2011.   SAMPAIO, A. A Fantástica Literatura do Ceará. In: SALGUEIRO, Pedro. (Org.) O cravo roxo do diabo: o conto fantástico no Ceará. Fortaleza: Expressão, 2011.   SODRÉ, Nelson Werneck. O Naturalismo no Brasil. Belo Horizonte: Oficina de livros, 1992.   TEÓFILO, Rodolfo. A fome/Violação.  Rio de Janeiro: José Olympio; Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1979.   TEÓFILO, Rodolfo. Os Brilhantes.  (org.). Afrânio Coutinho e Sônia Brayner. 3ª ed. Brasília: Instituto Nacional do Livro/MEC, 1972.   TEÓFILO, Rodolfo. A seca de 1915.  Fortaleza: Edições UFC, 1980.   TEÓFILO, Rodolfo. Varíola e vacinação no Ceará. Ed. fac-similar. Fortaleza: Fundação Waldemar  Alcântara, 1997.   TEÓFILO, Rodolfo. Scenas e typos.  Edição fac-similar. Fortaleza: Fundação Waldemar Alcântara, 2009.   TINHORÂO, José Ramos . A província e o naturalismo.  Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966.   TODOROV, Tzvetan. Introdução à Literatura Fantástica.  São Paulo: Perspectiva, 1992.   WALPOLE, Horace. O castelo de Otranto.  São Paulo: editora Nova Alexandria, 1996.   ZOLA, Émile. O romance experimental e o naturalismo no teatro.  Trad. Célia Berrettini e Ítalo Caroni. São Paulo: Perspectiva, 1982.

  • Disciplina Literatura Cearense 2025-2

    Docente: Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro Disciplina:  LITERATURA CEARENSE I (Código HG115) Turno:  Diurno. Encontros/horário:  quartas-feiras, de 14h às 18h. Carga Horária: Teórica: 48 horas | Prática: 16 horas | Total: 64 horas. Local:  Bloco Didático de Letras-Centro de Humanidades/Campus do Benfica   Ementa:  estudo da produção literária cearense, dos principais movimentos estéticos, das agremiações literárias, os jornais e revistas, assim como alguns temas poéticos recorrentes e símbolos que constituíram uma tradição literária no Ceará, abrangendo autoras e autores do romantismo ao pré-modernismo.. Justificativa: a disciplina visa ao fomento da leitura, à divulgação e ao auxílio na formação de professores e pesquisadores na área de literatura cearense, trabalhando com uma abordagem da História da Literatura e da Literatura Comparada, enfatizando a formação, a circulação e a recepção dos autores e de obras literárias produzidas no Ceará, debatendo a contribuição dos escritores cearenses para a formação da literatura brasileira. Objetivo geral:  estabelecer o papel da Literatura Cearense no cenário artístico nacional, criando espaço para a atualização de pesquisas, abordagens, obras e autores regionais.   Objetivos específicos: •  Examinar a relevância dessas obras na formação da identidade do povo cearense e no imaginário popular; •  Incentivar a valorização da cultura regional cearense por meio de sua produção literária; •  Possibilitar reflexões de cunho histórico-cultural por meio da literatura cearense, entendendo o processo de formação desta no Ceará e no Brasil.   Conteúdo:  autoras e autores cearenses do Neoclassicismo ao Sincretismo pré-modernista, com ênfase nos livros, autores, agremiações, periódicos literários, tais como Oiteiros, José de Alencar, Juvenal Galeno, Joaquim de Sousa, Barbosa de Freitas, Poetas condoreiros, Academia Francesa, Clube Literário (João Lopes, Oliveira Paiva, Rodolfo Teófilo, Francisca Clotilde, Ana Nogueira Batista, Antônio Martins e outros); Padaria Espiritual (Antônio Sales, Adolfo Caminha, Álvaro Martins, Artur Teófilo, José Carvalho, José Carlos Júnior e outros); Realismo (Domingos Olímpio, Gustavo Barroso, Herman Lima); Centro Literário (Pápi Júnior, Guilherme Studart, Júlio Olímpio, Quintino Cunha, José Albano e outros); Simbolismo (Lopes Filho e Lívio Barreto); Parnasianismo (Antônio Sales, Alf. Castro, Cruz Filho, Júlio Maciel, Carlos Gondim, Irineu Filho, Américo Facó, Otacílio de Azevedo e outros); Emília Freitas, Henriqueta Galeno, Alba Valdez, Mário da Silveira, Ramos Cotoco e Leão Vasconcelos DESCRIÇÃO DOS CONTEÚDOS DA DISCIPLINA E BIBLIOGRAFIA DAS AULAS   Aula 1 (01/09/2025) Tópico:  Apresentação Professor/Contrato didático/Origens da literatura cearense/Comentários sobre avaliações e trabalhos.   AULA 2 (17/09/2025) Tópico:  Formação cultural do Ceará    AULA 3 (24/09/2025) Tópico:  Romantismo-Contexto Histórico/ Iracema  (José de Alencar)   Aula 4 (01/10/2025) Tópico:  Romantismo/Juvenal Galeno   Aula 5 (08/10/2025) Tópico: Ultrarromantismo (Barbosa de Freitas e Joaquim de Sousa)   Aula 6 (15/10/2025) Tópico: Academia Francesa/ Poetas da Abolição   Aula 7 (22/10/2025) Tópico: Realismo /Clube Literário   Aula 8 (29/10/2025) Tópico: 1ª avaliação   Aula 9 (05/11/24) Tópico: Semana de Humanidades  - Oficina Horror na ficção de Rodolfo Teófilo   Aula 10 (12/11/2025) Tópico:  Oliveira Paiva   Aula 11 (19/11/2025) Tópico: Padaria Espiritual  - Simbolismo no Ceará – Phantos e Dolentes   Aula 12 (26/11/2025) Tópico:  Padaria Espiritual/Programa de instalação   Aula 13 (03/12/2025) Tópico: Padaria Espiritual/Poemas/Crônicas/ Cromos de X de Castro   Aula 14 (10/12/2025) Tópico: A normalista  (Adolfo Caminha)   Aula 15 (17/12/2025) Tópico: Parnasianismo no Ceará   Aula 16 (07/01/2026) Tópico : Aves de Arribação (Antonio Sales)   Aula 17 (14/01/2026) Tópico : A Rainha do Ignoto (Emília Freitas)   Aula 18 (21/01/2026) Tópico : Seminários   REFERÊNCIAS ​ AZEVEDO, Otacílio de. Fortaleza descalça . Fortaleza: Edições UFC/Casa José de Alencar, 1992.   AZEVEDO, Sânzio de. Literatura cearense . Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1976.   AZEVEDO, Sânzio de. Aspectos da literatura cearense . Fortaleza: UFC/ PROED, 1982.   AZEVEDO, Sânzio de. Dez ensaios de Literatura Cearense . Fortaleza, UFC, 1985.   BARREIRA, Dolor. História da Literatura cearense . Fortaleza: Instituto do Ceará, 4. V., 1948, 1951, 1954 e 1962.   BARREIRA, Dolor. Associações literárias e científicas no Brasil e particularmente no Ceará – Oiteiros. Revista do Instituto do Ceará , Fortaleza, 1943.   BEZERRA, Antônio. Algumas origens do Ceará ; edição fac-similada comemorativa do 1º Centenário do Instituto do Ceará. Fortaleza: Instituto do Ceará/BNB, 1987.   BENEVIDES, Artur Eduardo. Evolução da Poesia e do Romance Cearense . Fortaleza: Imprensa Universitária/UFC, 1976.   BÓIA, Wilson. Antônio Sales e sua época.  Fortaleza, BNB, 1984.   CAMINHA, Adolfo. Cartas literárias. Fortaleza : Edições UFC, 1999.   CARDOSO, Gleudson Passos. Padaria Espiritual: biscoito fino e travoso . 2. ed. Fortaleza: Museu do Ceará/Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, 2006.   CASTRO, Carla. Resquícios de memórias: dicionário biobibliográfico de escritoras e ilustres cearenses do século XIX.  Fortaleza: Expressão Gráfica, 2019.   COLARES, Otacílio. Lembrados e esquecidos.  Fortaleza: IUC, 5. V. 1975 A 1981   FIÚZA, Regina [org.]. A produção literária do Ceará: antologia. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2001.   GIRÃO, Raimundo; Sousa Maria da Conceição. Dicionário da Literatura Cearense . Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará – IOCE, 1987.   LANDIM, Teoberto. Seca: a estação do inferno.  Casa de José de Alencar, 1992.   LINHARES, Mário. História literária do Ceará.  Rio de Janeiro, Jornal do Comercio, 1948.   LIMA, Raimundo Antônio da Rocha. Crítica e Literatura.  Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1968.   MACIEL, Nilto. Contistas do Ceará  (Da Quinzena ao Caos Portátil). Imprece Editorial: Fortaleza, 2008.   MACEDO, Dimas. Literatura e Escritores Cearenses. In: Crítica Imperfeita , Imprensa Universitária, Fortaleza, 2001.   MARQUES, Rodrigo. Literatura Cearense: outra história.  1. ed. Fortaleza: Editora Dummar, 2018.   MARQUES, Rodrigo. A Nação vai à Província : do Romantismo ao Modernismo no Ceará. 1. ed. Fortaleza: Imprensa Universitária UFC, 2018.   MARTINS, Lílian e NETTO, Raymundo (orgs.) Curso Literatura Cearense . Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2020.   MARTINS FILHO & GIRÃO, Raimundo. O Ceará. 3.  ed. Fortaleza: Instituto do Ceará, 1966.   MENEZES, R. de. Coisas que o tempo levou: crônicas históricas da Fortaleza antiga. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2000.   MONTENEGRO, Braga.  Correio retardado. Fortaleza: IUC, 1966.   MONTENEGRO, Abelardo F. O Romance cearense . Fortaleza: Royal, 1953.   MOTA, Leonardo. A Padaria Espiritual. 2. Ed. Fortaleza: UFC, 1994.   PONTE, Sebastião Rogério . Fortaleza Belle Époque.  Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001.   OLIVEIRA, Caterina Maria de Saboya. Fortaleza: seis romances, seis visões. Fortaleza: Edições UFC, 2000.​   SALGUEIRO, Pedro (Org.). O cravo roxo do diabo : o conto fantástico no Ceará. Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2011.   SAMPAIO, Aíla. Literatura no Ceará.  Fortaleza: INESP, 2019.   SILVA, Ozângela de Arruda. Pelas rotas dos livros: circulação de romances e conexões comerciais em Fortaleza (1870-1891).  Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2011.   STUDART, Barão de. Datas e factos para a história do Ceará . Tomo I, II e III. Fortaleza: Fundação Waldemar Alcântara, 2001.    STUDART, Barão. de. Dicionário biobibliográfico cearense . Ed. fac-similar. Fortaleza: Imprensa Universitária da UFC, 1980.   TINHORÂO, José Ramos. A província e o naturalismo . Rio de Janeiro: Editora   Civilização Brasileira, 1966.     https://charlesribeiroletras.wixsite.com/livrosehqs/literatura-cearense

  • Seminário Padaria Espiritual ‘133 ANOS MEMÓRIA, PÃO E POESIA’

    SEMINÁRIO PADARIA ESPIRITUAL ‘133 ANOS MEMÓRIA, PÃO E POESIA’   A Padaria Espiritual foi um dos mais irreverentes e famosos grêmios culturais do Ceará. Em 2025, completa 133 anos de sua fundação, constituindo-se como uma tradição cultural importante para as artes e para o humor cearense. Para homenagear a agremiação, o grupo de pesquisa “Literatura Cearense Comparada”, coordenado pelo Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro, convida a todos e todas para prestigiarem o primeiro seminário Padaria Espiritual, com o tema “133 anos de Memória, Pão e Poesia”, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Letras da UFC e FUNCAP, no dia 30 de maio de 2025.   Em 2025, a Padaria Espiritual completa 133 anos de sua organização, fato que assinala uma longa tradição de associações literárias no Ceará. Ela surgiu, no final de maio de 1892, nas cadeiras do Café Java (quiosque que ficava na Praça do Ferreira), pelo gracejo do poeta Antônio Sales e de jovens músicos, escritores e jornalistas que queriam criar um grêmio cultural para despertar o gosto pelas letras em Fortaleza. Porém, Antônio Sales só participaria se o grupo “fosse uma coisa nova, original e escandalosa”, que sacudisse a cidade e “tivesse grande repercussão”.  O Programa de Instalação, redigido por Antônio Sales foi lido na primeira reunião oficial da agremiação. Publicado nos jornais da cidade, ficou conhecido e foi comentado por todo o país, por sua criatividade e irreverência. O Programa destacava várias missões para criar e estimular a literatura em nosso estado, tais como fornecer o pão de espírito (os livros) às pessoas. O grêmio foi formado por 20 sócios (padeiros), que adoraram nomes de guerra. As reuniões eram chamadas de ‘fornadas’, em que os padeiros se juntavam para discutir literatura, para divulgar suas produções artísticas e literárias e para contar piadas. Eles publicaram um jornal intitulado “O pão”, que contou com 36 números, editados entre 1892 a 1896. Como forma de homenagear os 133 anos da agremiação, o grupo de pesquisa “Literatura Cearense convida escritores, poetas e pesquisadores para discutir a importância da Padaria Espiritual e sua atualidade. A memória cultural é uma importante ferramenta   para a construção de uma identidade coletiva de um povo. A Padaria Espiritual surgiu como resistência ao marasmo literário em Fortaleza, no fim do século XIX. Os padeiros agitaram a cidade com a promoção de festas e saraus, com o objetivo de socializar e democratizar a literatura, promovendo festas, saraus divulgando ideias, publicando livros e lançando novos escritores, notabilizando-se pela originalidade e pelo humor. Vem conosco, compartilhar o pão da cultura! PROGRAMAÇÃO SEMINÁRIO PADARIA ESPIRITUAL ‘133 ANOS MEMÓRIA, PÃO E POESIA’   DIA 30/05/2025 Local: Sala Capitu – Prédio Carolina Maria de Jesus/PPGLetras-UFC (CH1/Campus do Benfica).   9h : Abertura – Padaria Espiritual 133 anos ·         Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro (PPGLetras-UFC)   9h – 10h20: Padaria Espiritual muito além de seu tempo ·         Tiago Ribeiro Lima (Escritor/Produtor Cultural)   10h30-11h45h: MESA 1 - Padaria Espiritual e o Simbolismo no Ceará ·         Prof. Me. Léo Prudêncio (doutorando UFC) – Dolentes – Lívio Barreto ·         Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro (PPGLetras-UFC) – Phantos – Lopes Filho   14h-15h45h: Leitura e discussão do Programa de instalação da Padaria Espiritual ·         Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro (UFC)   16h -18h: MESA 2 – Padaria Espiritual - Memória, Poesia e Ficção   ·         Prof. Me. Moacir Fio (doutorando UFC) - O humor batético nos cromos e malacachetas do jornal O Pão ·         Prof. Luccas Emmanuel (mestrando UFC) – Rodolfo Teófilo e a ficção de horror na Padaria Espiritual ·         Francisco José Ramos Lima Junior (sociólogo) – Arqueologia dos padeiros no Cemitério São João Batista   LINK INSCRIÇÕES : https://forms.gle/FiCEYnT3oPYFWDkh6 Quando: 30/05/2025 Horário: de 08h30 às 12h e 14h às 18h. Onde:   Sala Capitu – Prédio Carolina Maria de Jesus/PPGLetras-UFC (CH1/Campus do Benfica). Vagas: 40. Certificado: carga horária de 10 horas. Evento: gratuito e aberto ao público. Organização: Grupo de Pesquisa em Literatura Cearense Comparada-UFC Informações: entrelugar.literaturacearense@gmail.com https://www.instagram.com/literatura.cearense.comparada/ SITE:  https://charlesribeiroletras.wixsite.com/livrosehqs/literatura-cearense

  • CURSO - A filosofia do horror na obra de Rodolfo Teófilo e na ficção realista-naturalista cearense

    Tema da disciplina: A filosofia do horror na obra de Rodolfo Teófilo e na ficção realista-naturalista cearense Modalidade: presencial | Turno: diurno. Encontros/horário: sextas-feiras, de 16h às 18h. Datas:  25/04; 09/05; 16/05; 23/05; 06/06; 13/06; 27/06 e 04/07/25. Carga Horária: 16 horas | Nº de créditos: 1 créditos. Local: Pós-Graduação em Letras: Avenida da Universidade, 2683. (Prédio de Literatura, térreo) Campus do Benfica, Área 1. CEP 60020-180 Fortaleza, CE – Brasil https://maps.app.goo.gl/RgzyKZfwUFtVmDGw9 AULA  1 - O medo, a catarse, o terror e o horror na literatura (25/04/25); AULA  2 - O Horror sobrenatural na arte - H.P. Lovecraft (09/05/25); AULA  3 - A filosofia do horror ou paradoxos do coração - Noel Carrol (16/05/25); AULA  4 - A filosofia do horror ou paradoxos do coração - Noel Carrol (23/05/25); AULA  5 - O fantástico e o insólito no realismo-naturalismo cearense (06/06/25); AULA  6 - A morte e o horror no romance A Fome (13/06/25); AULA  7 - A morte e o horror no romance A Fome (27/06/25) AULA  8 - O Horror na novela Violação e nos contos cearenses naturalistas(04/07/25) Ementa: As obras do escritor Rodolfo Teófilo, dentre romances, contos e novelas, que tematizam a seca e as epidemias em solo cearense, estão repletas de cenas horripilantes e dantescas com objetivo de chocar os leitores, produzindo efeito catártico do horror. Narrativas escritas com o intuito de provocar o horror se baseiam na construção do medo e da repulsa, como salientam King (1981) e Carrol (1990). O seminário pretende analisar o romance A Fome , a novela Violação e alguns contos, escritos com o objetivo de promover denúncia social por meio do artificio narrativo do horror. Além disso, serão explorados alguns contos de autores realistas-naturalistas cearenses que tematizam o horror, gótico e o fantástico. Como base teórica, dialogamos com: Philippe Ariès, com História da Morte no Ocidente (2017); Noel Carroll, A Filosofia do Horror ou paradoxos do coração (1990); H. P. Lovecraft, com O horror sobrenatural em literatura  (2008), Stephen King, com A dança macabra  (1981) e Tzvetan Todorov, com Introdução à Literatura Fantástica  (1992). O seminário seguirá uma metodologia que combina leitura crítica, discussões teóricas e análise comparativa. Inicialmente, uma introdução ao contexto histórico da seca de 1877, à obra naturalista de Rodolfo Teófilo e ao realismo-naturalismo cearense. Seguidamente, serão apresentados conceitos de “morte” do historiador Philippe Ariès e os conceitos de “horror” a partir de Noel Carrol, H.P. Lovecraft e Stephen King, e do fantástico, de T. Todorov. Depois, serão exploradas as principais cenas das obras ficcionais que descrevem representações tétricas da morte, discutindo como R. Teófilo, através de uma linguagem explícita e científica, coloca o leitor frente à face cruel da mortalidade e do medo por meio do horror.   INSCRIÇÔES: https://forms.gle/wut4jhBPMoi8YjyG8 com direito à certificado (16h) | Vagas 35 Proponente:   Pesquisador de Pós-Doutorado (Bolsa FUNCAP) e Coordenador do grupo de pesquisa “Literatura Cearense Comparada” no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará. Doutor (2019) e Mestre em Literatura Comparada (2011) pela Universidade Federal do Ceará, com pesquisas sobre o escritor cearense Rodolfo Teófilo. Além de Professor de literatura, graduado em Letras pela UFC (2008), roteirista de quadrinhos e autor de livros didáticos de literatura. Teve o projeto 'Padaria Espiritual em Quadrinhos' aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet Nº 8.313/91) e foi vencedor do Edital Mecenas 2024 da Secretaria de Cultura do Ceará. Vencedor do XII Edital Ceará de Incentivo às Artes, da SECULT-CE, com o livro “Rodolfo Teófilo Romancista”. Currículo e Portfólio, no link a seguir: https://entrelugarliteratu.wixsite.com/charlesliteraturahq/sobre   BIBLIOGRAFIA ARISTOTELES. Poética.  Tradução, comentários e índices analíticos e onomástico de Eudoro de Souza. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991.   AZEVEDO, Sânzio de. Dez ensaios de literatura cearense . Fortaleza Edições UFC, 1985.   AZEVEDO, Sânzio de. Literatura cearense. Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1976.   BARRENECHEA, Ana Maria. Ensayo de una tipología de la literatura fantástica. Revista Iberoamericana . v. 80, p. 391-403, 1972.   CARROLL, Noël. A filosofia do horror ou paradoxos do coração.  Campinas: Papirus, 1999.   CAUSO, Roberto de Sousa. Ficção científica, horror e fantasia no Brasil  (1875-1950). Belo Horizonte: UFMG, 2003.   COLARES, Otacílio. Introdução crítica: fome e peste na ficção de Rodolfo Teófilo. In: A fome/Violação.  Rio de Janeiro: José Olympio; Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1979.   COUTINHO, Afrânio. (org) A literatura no Brasil: Realismo-Naturalismo- -Parnasianismo. Rio de Janeiro: Editorial Sul Americana, 1969. v. III.   COSTA, Maria Clélia Lustosa. Vida e morte na Fortaleza antiga  [livro eletrônico]: a higienização da cidade no século XIX. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2021.   DELUMEAU, Jean. História do medo no Ocidente: 1300-1800.  São Paulo: Cia. das Letras, 1993.   FRANÇA, D. O horror na ficção literária: Reflexão sobre o “horrível” como uma categoria estética. In: XI Congresso Internacional da ABRALIC  - Tessituras, Interações, Convergências, 13-17 de julho de 2008.   FREYRE, Gilberto. Assombrações do Recife Velho. Rio de Janeiro: Topbooks editora, 2000.    GALENO, Juvenal. Lendas e canções populares. Fortaleza: Edições UFC, 1965.   GUINSBURG, J. e Faria, João Roberto (org.). O naturalismo.  São Paulo: Perspectiva, 2017.   HAUSER, Arnold. História social da Literatura e da arte.  Tomo II. Trad. Walter H. Geenen. São Paulo, Editora Mestre Jou, 1972.   HUGO, Victor. Do grotesco e do sublime  – tradução do prefácio de Cromwell. São Paulo: Perspectiva, 2002.    LANDIM, Teoberto. Seca: a estação do inferno. Fortaleza: Casa de José de Alencar, 1992. LOVECRAFT, Howard Phillips. O horror sobrenatural em literatura. São Paulo: Iluminuras, 2008.   KING, Stephen. Dança macabra:  o terror no cinema e na literatura dissecado pelo mestre do gênero. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.   MONTENEGRO, Abelardo F. O romance cearense. Fortaleza: Casa de José de Alencar/UFC, 1993.   MENON, Mauricio Cesar. Figurações do gótico e de seus desmembramentos na Literatura brasileira de 1843 a 1932.  Tese (Doutorado em Letras) - Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Estadual de Londrina, 2007.   MOTA, Leonardo. A Padaria Espiritual. Fortaleza: Casa de José de Alencar/UFC, 1994.   POE, Edgar Allan. Histórias extraordinárias. São Paulo: Nova Cultural, 2002.   RODRIGUES, Selma Calasans. O Fantástico. Série Princípios. São Paulo: Ática, 1988.   SALGUEIRO, Pedro (Org.). O cravo roxo do diabo: o conto fantástico no Ceará.  Fortaleza: Expressão, 2011.   SAMPAIO, A. A Fantástica Literatura do Ceará. In: SALGUEIRO, Pedro. (Org.) O cravo roxo do diabo: o conto fantástico no Ceará. Fortaleza: Expressão, 2011.   SODRÉ, Nelson Werneck. O Naturalismo no Brasil. Belo Horizonte: Oficina de livros, 1992.   TEÓFILO, Rodolfo. A fome/Violação.  Rio de Janeiro: José Olympio; Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1979.   TEÓFILO, Rodolfo. Os Brilhantes.  (org.). Afrânio Coutinho e Sônia Brayner. 3ª ed. Brasília: Instituto Nacional do Livro/MEC, 1972.   TEÓFILO, Rodolfo. A seca de 1915.  Fortaleza: Edições UFC, 1980.   TEÓFILO, Rodolfo. Varíola e vacinação no Ceará. Ed. fac-similar. Fortaleza: Fundação Waldemar  Alcântara, 1997.   TEÓFILO, Rodolfo. Scenas e typos.  Edição fac-similar. Fortaleza: Fundação Waldemar Alcântara, 2009.   TINHORÂO, José Ramos . A província e o naturalismo.  Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966.   TODOROV, Tzvetan. Introdução à Literatura Fantástica.  São Paulo: Perspectiva, 1992.   WALPOLE, Horace. O castelo de Otranto.  São Paulo: editora Nova Alexandria, 1996.   ZOLA, Émile. O romance experimental e o naturalismo no teatro.  Trad. Célia Berrettini e Ítalo Caroni. São Paulo: Perspectiva, 1982.

  • Disciplina Literatura Cearense 2025-1

    Docente: Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro Disciplina:  LITERATURA CEARENSE II (Código HG115) Turno:  Diurno. Encontros/horário:  quartas-feiras, de 14h às 18h. Carga Horária: Teórica: 48 horas | Prática: 16 horas | Total: 64 horas. Local:  Sala 18 - Bloco Didático de Letras-Centro de Humanidades/Campus do Benfica   Ementa:  estudo da produção literária cearense, dos principais movimentos estéticos, das agremiações literárias, os jornais e revistas, assim como alguns temas poéticos recorrentes e símbolos que constituíram uma tradição literária no Ceará, abrangendo autoras e autores do romantismo ao pré-modernismo.. Justificativa: a disciplina visa ao fomento da leitura, à divulgação e ao auxílio na formação de professores e pesquisadores na área de literatura cearense, trabalhando com uma abordagem da História da Literatura e da Literatura Comparada, enfatizando a formação, a circulação e a recepção dos autores e de obras literárias produzidas no Ceará, debatendo a contribuição dos escritores cearenses para a formação da literatura brasileira. Objetivo geral:  estabelecer o papel da Literatura Cearense no cenário artístico nacional, criando espaço para a atualização de pesquisas, abordagens, obras e autores regionais.   Objetivos específicos: •  Examinar a relevância dessas obras na formação da identidade do povo cearense e no imaginário popular; •  Incentivar a valorização da cultura regional cearense por meio de sua produção literária; •  Possibilitar reflexões de cunho histórico-cultural por meio da literatura cearense, entendendo o processo de formação desta no Ceará e no Brasil.   Conteúdo:  autoras e autores cearenses do Neoclassicismo ao Sincretismo pré-modernista, com ênfase nos livros, autores, agremiações, periódicos literários, tais como Oiteiros, José de Alencar, Juvenal Galeno, Joaquim de Sousa, Barbosa de Freitas, Poetas condoreiros, Academia Francesa, Clube Literário (João Lopes, Oliveira Paiva, Rodolfo Teófilo, Francisca Clotilde, Ana Nogueira Batista, Antônio Martins e outros); Padaria Espiritual (Antônio Sales, Adolfo Caminha, Álvaro Martins, Artur Teófilo, José Carvalho, José Carlos Júnior e outros); Realismo (Domingos Olímpio, Gustavo Barroso, Herman Lima); Centro Literário (Pápi Júnior, Guilherme Studart, Júlio Olímpio, Quintino Cunha, José Albano e outros); Simbolismo (Lopes Filho e Lívio Barreto); Parnasianismo (Antônio Sales, Alf. Castro, Cruz Filho, Júlio Maciel, Carlos Gondim, Irineu Filho, Américo Facó, Otacílio de Azevedo e outros); Emília Freitas, Henriqueta Galeno, Alba Valdez, Mário da Silveira, Ramos Cotoco e Leão Vasconcelos DESCRIÇÃO DOS CONTEÚDOS DA DISCIPLINA E BIBLIOGRAFIA DAS AULAS   Aula 1 (02/04/2025) Tópico:  Apresentação Professor/Contrato didático/Origens da literatura cearense/Comentários sobre avaliações e trabalhos.   AULA 2 (09/04/2025) Tópico:  Literatura indígena cearense/ Iracema (José de Alencar)   AULA 3 (16/04/2025) Tópico:   Iracema  (José de Alencar)   Aula 4 (23/04/2025) Tópico:  Romantismo/Juvenal Galeno   Aula 5 (30/04/2025) Tópico: Ultrarromantismo/Poesia da Abolição   Aula 6 (07/05/2025) Tópico: Realismo/Academia Francesa/Clube Literário   Aula 7 (14/05/2025) Tópico: Oliveira Paiva   Aula 8 (21/05/2025) Tópico: Rodolfo Teófilo   Aula 9 (28/05/24) Tópico: 1ª avaliação/ Padaria Espiritual   Aula 10 (04/06/2025) Tópico:  Padaria Espiritual/ Programa de instalação   Aula 11 (11/06/2024) Tópico:  Padaria Espiritual/Poemas/Crônicas/ X de Castro   Aula 12 (18/06/2024) Tópico:  Simbolismo   Aula 13 (25/06/2024) Tópico: A normalista  (Adolfo Caminha)   Aula 14 (02/07/2025) Tópico:   Luzia-Homem  (Domingos Olímpio)   Aula 15 (09/07/2025) Tópico:   A divorciada  (Francisca Clotilde) / Envio de vídeos e resumos   Aula 16 (16/07/2025) Tópico : Aves de Arribação (Antonio Sales)   Aula 17 (23/07/2025) Tópico : A Rainha do Ignoto (Emília Freitas)   Aula 18 (30/07/2025) Tópico : Seminários   REFERÊNCIAS ​ AZEVEDO, Otacílio de. Fortaleza descalça . Fortaleza: Edições UFC/Casa José de Alencar, 1992.   AZEVEDO, Sânzio de. Literatura cearense . Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1976.   AZEVEDO, Sânzio de. Aspectos da literatura cearense . Fortaleza: UFC/ PROED, 1982.   AZEVEDO, Sânzio de. Dez ensaios de Literatura Cearense . Fortaleza, UFC, 1985.   BARREIRA, Dolor. História da Literatura cearense . Fortaleza: Instituto do Ceará, 4. V., 1948, 1951, 1954 e 1962.   BARREIRA, Dolor. Associações literárias e científicas no Brasil e particularmente no Ceará – Oiteiros. Revista do Instituto do Ceará , Fortaleza, 1943.   BEZERRA, Antônio. Algumas origens do Ceará ; edição fac-similada comemorativa do 1º Centenário do Instituto do Ceará. Fortaleza: Instituto do Ceará/BNB, 1987.   BENEVIDES, Artur Eduardo. Evolução da Poesia e do Romance Cearense . Fortaleza: Imprensa Universitária/UFC, 1976.   BÓIA, Wilson. Antônio Sales e sua época.  Fortaleza, BNB, 1984.   CAMINHA, Adolfo. Cartas literárias. Fortaleza : Edições UFC, 1999.   CARDOSO, Gleudson Passos. Padaria Espiritual: biscoito fino e travoso . 2. ed. Fortaleza: Museu do Ceará/Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, 2006.   CASTRO, Carla. Resquícios de memórias: dicionário biobibliográfico de escritoras e ilustres cearenses do século XIX.  Fortaleza: Expressão Gráfica, 2019.   COLARES, Otacílio. Lembrados e esquecidos.  Fortaleza: IUC, 5. V. 1975 A 1981   FIÚZA, Regina [org.]. A produção literária do Ceará: antologia. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2001.   GIRÃO, Raimundo; Sousa Maria da Conceição. Dicionário da Literatura Cearense . Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará – IOCE, 1987.   LANDIM, Teoberto. Seca: a estação do inferno.  Casa de José de Alencar, 1992.   LINHARES, Mário. História literária do Ceará.  Rio de Janeiro, Jornal do Comercio, 1948.   LIMA, Raimundo Antônio da Rocha. Crítica e Literatura.  Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1968.   MACIEL, Nilto. 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Rio de Janeiro: Editora   Civilização Brasileira, 1966.     https://charlesribeiroletras.wixsite.com/livrosehqs/literatura-cearense

  • 170 anos de Emília freitas

    Olá! É com muita alegria que o Grupo de Pesquisa “Literatura Cearense Comparada”, coordenado pelo Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro, com apoio do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará e da FUNCAP, convida a todas e a todos para participar do evento “170 anos de Emília Freitas”, no dia 10 de janeiro, de 15h às 18h, no auditório José Albano (Centro de Humanidades, no Campus do Benfica-UFC), com o objetivo de celebrar e discutir a produção poética, intelectual e ficcional de Emília Freitas. O ano de 2025 marca os 170 anos de nascimento de Emília Freitas (1855-1908), uma escritora abolicionista, republicana e espírita que teve uma relevante produção intelectual e literária no Ceará, na segunda metade do século XIX e primeiros anos do século XX. Em 1899, Freitas publicou sua obra mais significativa, "A Rainha do Ignoto", um romance denominado de psicológico que mescla elementos do fantástico e do gótico, considerado o primeiro romance fantástico e de ficção científica do Brasil. A trama aborda uma sociedade secreta liderada por uma figura enigmática, a Rainha do Ignoto, que luta pela justiça e pela emancipação feminina, subvertendo a concepção tradicional da mulher na literatura oitocentista. Apesar de ter sido relegada ao esquecimento por décadas, Emília Freitas hoje é reconhecida como uma autora singular, cuja obra ficcional e poética recebe inúmeras pesquisas no meio acadêmico e um crescente interesse do público leitor de todo o Brasil. Venham celebrar conosco! LINK INSCRIÇÕES: https://forms.gle/nK9dDZJBayuCMe9e7 Quando: 10/01/2025. Horário: de 10h às 11h (on-line); de 15h às 18h (presencial). Onde: Auditório Rachel de Queiroz –CH2 UFC (Campus Benfica, Fortaleza) Vagas: 100. Certificado: carga horária de 4 horas. Evento: gratuito e aberto ao público. Organização: Grupo de Pesquisa em Literatura Cearense Comparada-UFC https://charlesribeiroletras.wixsite.com/livrosehqs/literatura-cearense Programa de Pós-graduação em Letras da UFC Informações: entrelugar.literaturacearense@gmail.com Programação – dia 10/01/2025 10h às 11h: Mesa - Experiências de leitura do romance A Rainha do Ignoto, de Emília Freitas (on-line) Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro (UFC) Mediador Profa. Ma. Jéssica Jainne (UERN) - Uma conversa sobre as experiências de leitura no romance a "Rainha do Ignoto" e a presença dos elementos regionais na obra da cearense Emília Freitas   Local: Auditório José Albano (CH1/Campus do Benfica).   14h30 – 15h: Credenciamento   15h – 15h15: Abertura do evento – Saudação à Emília Freitas Orador: Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro (UFC)   15h15 – 15h40: Leitura dramática de A Rainha do Ignoto Karine de Andrade Silva (graduanda em Letras-UFC)   15h45-18h: Mesa de debates – 170 anos de Emília Freitas – o legado de sua obra literária e intelectual Profa. Ma. Maria Lilian Martins de Abreu (professora, jornalista-ALECE): "Emília Freitas: 170 anos de uma pioneira" Profa. Ma. Carla Pereira de Castro (doutoranda em Letras-UFC): A poesia de Emília Freitas na literatura cearense do século XIX Profa. Esp. Santa Paixão Ribeiro de Sousa (mestranda POSLA-UECE) - Estudo das narrativas de violência na obra A rainha do ignoto, de Emília Freitas, sob a perspectiva da análise de discurso crítica   EMENTA Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro “ ‘Quem seria aquela mulher?’, pensava ele. Donde vinha? Para onde ia? [...] Mistério! ” O ano de 2025 marca os 170 de nascimento de Emília Freitas (1855-1908), uma escritora abolicionista, republicana e espírita que teve uma relevante produção intelectual e literária no Ceará, na segunda metade do século XIX e primeiros anos do século XX. Ela residiu em Fortaleza, Belém e Manaus, publicou poemas em diversos periódicos e publicou o romance, A rainha do ignoto , em 1899, considerado o primeiro romance fantástico e de ficção científica do Brasil. Emília Freitas, nascida em 1855 na antiga União, hoje Jaguaruana, no Ceará, destacou-se como romancista, poeta, jornalista e educadora brasileira. Após a morte do pai (o tenente-coronel Antônio José de Freitas), mudou-se com a mãe (Maria de Jesus Freitas) e a família para Fortaleza, onde recebeu educação em Francês, Inglês, Geografia, História e Aritmética, formando-se, posteriormente, como professora na Escola Normal. Sua carreira literária iniciou-se na década de 1870, com colaborações em diversos jornais literários do Ceará, como "Libertador", "Cearense" e "O Lyrio e a “A Brisa", além de publicações de poemas nos estados do Pará e no Amazonas. Grande parte desses poemas foi compilada no volume "Canções do Lar" (1891), classificada pela poetisa como “fragmentos de minha alma” e “partículas de minha triste vida”. Ela faleceu em 1908, em Manaus. Emília Freitas atuou em um contexto sócio-histórico em que à mulher eram destinadas apenas as atividades privadas e domésticas. A partir da obtenção da educação, ela percorreu uma trajetória diferente. No início dos anos de 1880, Freitas já transitava em vários círculos na sociedade fortalezense, notória pela luta contra o fim da escravidão no estado, junto com outras escritoras, participou da "Sociedade das Cearenses Libertadoras". Em 1899, Freitas publicou sua obra mais significativa, "A Rainha do Ignoto", um romance denominado de psicológico que mescla elementos do fantástico e do gótico, publicado pela Typographia Universal, em Fortaleza. A trama aborda uma sociedade secreta liderada por uma figura enigmática, a Rainha do Ignoto, que luta pela justiça e pela emancipação feminina, subvertendo a concepção tradicional da mulher na literatura oitocentista. A sua escrita desafiou as normas da época ao abordar temas como feminismo, o espiritismo, a parapsicologia, o abolicionismo, a utopia e a crítica social, utilizando elementos sobrenaturais para construir uma narrativa inovadora e repleta de simbolismo. A professora e pesquisadora Constância Lima Duarte, a partir dos anos 2000, destacou a importância de Emília Freitas como uma figura esquecida e marginalizada pela historiografia literária tradicional. Duarte analisa A Rainha do Ignoto  como uma obra que combina crítica social com um olhar utópico, refletindo sobre as dificuldades de transformar ideais em realidade. Ela também ressaltou a relevância de resgatar escritoras como Emília Freitas, que abriram caminhos importantes para a literatura brasileira, especialmente no que se refere à representação feminina. Apesar de ter sido relegada ao esquecimento por décadas, Emília Freitas hoje é reconhecida como uma autora singular, cuja obra ficcional e poética recebe inúmeras pesquisas no meio acadêmico e um crescente interesse do público leitor de todo o Brasil. Integrando o início das comemorações que celebram o aniversário da escritora, Grupo de Pesquisa “Literatura Cearense Comparada, coordenado pelo Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro, com apoio do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará e da FUNCAP, promove o evento “170 anos de Emília Freitas” com o objetivo de celebrar e discutir a produção poética, intelectual e ficcional da escritora abolicionista e pioneira do fantástico e da ficção científica no Brasil.

  • Curso gratuito - Padaria Espiritual: Poesia e humor no Jornal O Pão

    EMENTA Tema: Padaria Espiritual – Poesia e humor no Jornal O Pão   Modalidade: presencial | Turno: diurno. Encontros/horário: terças-feiras, de 08h às 12h. Carga Horária: 16 horas | certificado de extensão Local: Bloco da Literatura-Centro de Humanidades/Campus do Benfica Aula 1 – Facetas do riso e do humor na cultura cearense - 07/01/2025; Aula 2 – O contexto literário da Padaria Espiritual em Fortaleza - 14/01/2025; Aula 3 – Leitura do Programa de Instalação da Padaria Espiritual - 21/01/2025 Aula 4 – Seminários – humor no jornal O Pão  - 28/01/2025. A Padaria Espiritual, formada na Praça do Ferreira, em Fortaleza, no final do século XIX, foi um dos mais irreverentes e famosos grêmios culturais do Ceará. Em 2024, completa 132 anos de sua fundação, constituindo-se como uma tradição cultural importante para as artes e para o humor cearense. O Curso consiste em um passeio pela história da Padaria Espiritual e de seus padeiros-escritores, relacionando com o contexto cultural e social da Fortaleza da Belle Époque, enfatizando a leitura e análise do Programa de Instalação e de poemas e textos humorísticos publicados no Jornal O Pão (1892-1896) . OBJETIVO O objetivo do curso é apresentar a história da Padaria Espiritual, relacionando as atividades culturais do grêmio com o contexto literário de Fortaleza antiga, do fim do século XIX, assim como analisar e discutir o Programa de Instalação, redigido por Antônio Sales e os poemas textos humorísticos publicados no Jornal O Pão (1892-1896), enfatizando o humor como traço cultural da identidade cearense. Além disso, outro intuito importante é divulgar a história e a memória da literatura cearense, enfatizando movimentos, autores e obras que circularam na cidade de Fortaleza, no fim do século XIX JUSTIFICATIVA A Padaria Espiritual surgiu em maio de 1892, nas cadeiras do Café Java, na Praça do Ferreira, formada por rapazes de letras e artes que queriam formar um grêmio para despertar o gosto pelas letras em Fortaleza. Os padeiros publicaram um jornal literário e humorístico chamado O pão, editado entre 1892 a 1896. A agitação que provocou na cidade, tirando-a do marasmo, devido ao desejo de socializar a literatura. Ela se notabilizou pela originalidade e pelo humor, pela difusão das estéticas e literárias, pelo lançamento e publicação de novos escritores, sobretudo, pela luta a favor do livro, da literatura e da leitura. A Padaria Espiritual é um dos marcos literários das manifestações culturais e artísticas do Ceará. Inscrição gratuita com direito à certificado (16h) | Vagas 20 https://forms.gle/9uqVU5nTpEBWnikdA Proponente: Pesquisador de Pós-Doutorado (Bolsa FUNCAP) e Coordenador do grupo de pesquisa “Literatura Cearense Comparada” no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará. Doutor (2019) e Mestre em Literatura Comparada (2011) pela Universidade Federal do Ceará, com pesquisas sobre o escritor cearense Rodolfo Teófilo. Além de Professor de literatura, graduado em Letras pela UFC (2008), roteirista de quadrinhos e autor de livros didáticos de literatura. Teve o projeto 'Padaria Espiritual em Quadrinhos' aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet Nº 8.313/91) e foi vencedor do XV Edital Mecenas (2023) da Secretaria de Cultura do Ceará. Vencedor do XII Edital Ceará de Incentivo às Artes, da SECULT-CE, com o livro “Rodolfo Teófilo Romancista”. Currículo e Portfólio, no link a seguir: https://entrelugarliteratu.wixsite.com/charlesliteraturahq/sobre RERERÊNCIAS AZEVEDO, Otacílio de. Fortaleza descalça. Fortaleza: Edições UFC/Casa José de Alencar, 1992. AZEVEDO, Sânzio de. A Padaria Espiritual e o Simbolismo no Ceará. Fortaleza: Sec. de Cultura, 1983. 2. Ed. Fortaleza: UFC, 1996. AZEVEDO, Sânzio de (org.) O PÃO da Padaria Espiritual . Fortaleza: Academia Cearense de Letras; Edições UFC, 1982. AZEVEDO, Sânzio de. Breve história da Padaria Espiritual . Fortaleza: UFC, 2011. AZEVEDO, Sânzio. Presença do humorismo na literatura cearense. REvista de Letras, Fortaleza Nº 12 jan./fev. 1987. BARREIRA, Dolor. História da Literatura cearense . Fortaleza: Instituto do Ceará, v. I, 1948. BERGSON, Henri . O Riso – Ensaio sobre a significação da comicidade . São Paulo: Martins Fontes, 2001. MINOIS, Georges. História do riso e do escárnio. São Paulo, UNESP, 2003. MOTA, Leonardo. A Padaria Espiritual . 2. Ed. Fortaleza: UFC, 1994. PONTE, Sebastião Rogério. Fortaleza Belle Époque . Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001. TINHORÂO, José Ramos. A província e o naturalismo . Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966.

  • Como escrever uma crítica literária: considerações pertinentes

    Charles Ribeiro Pinheiro Diariamente, as pessoas leem 'textos literários" que incluem obras de ficção e poesia e compartilham suas impressões e opiniões. Ler e discutir literatura pode ampliar a nossa capacidade de escrever. Essa atividade pode aguçar nossas faculdades reflexivas, permitindo-nos avaliar obras e compreender melhor a razão da literatura ter um efeito tão poderoso em nossas vidas. Esse poder da literatura ocorre, pois ela se utiliza da palavra para criar mundos imaginários e para expressar ideias, educar os sentimentos, contar histórias. Essa criação ficcional e poética ocorre a partir das palavras escritas, ou da oralidade. Segundo Vincent Jouve, o valor da obra literária reside no seu estatuto de obra de arte, isto é, se esvaziarmos o valor artístico de um texto literário, ele passa a ser um mero objeto de linguagem. Portanto, o valor específico da literatura advém do fato de ser a arte da linguagem (JOUVE, 2012). Então, ao lermos um texto literário e ocorrer questionamentos, juízos de valor e, organizamos essa reflexão em um discurso organizado, estamos efetuando uma crítica literária. Especificamente, a atividade da crítica literária se refere a um gênero de escrita em que um leitor especializado interpreta um texto literário, seja uma obra de ficção, uma peça teatral ou poética. Alternativamente, alguns textos de crítica contam com uma teoria particular de interpretação que lhe dá suporte, construindo uma leitura de uma obra literária ou refutando a leitura dessa obra por outros críticos. Atualmente, as pessoas podem discutir suas opiniões acerca das obras literárias informalmente (em cafés, em clubes de leitura, nas redes sociais), mas a maior parte da crítica literária ocorre de maneira mais formal: em salas de aula de faculdades, periódicos profissionais, revistas acadêmicas e culturais, em jornais e sites. Por sua vez, alguns alunos de letras, jornalistas, pesquisadores e professores publicam seus trabalhos em revistas acadêmicas de crítica literária especializada ou em grandes veículos de imprensa. Sobre a atividade crítica, a professora Bella Jozef nos explica que o texto constrói sua própria teoria, pois em sua trama desvelam-se suas próprias estruturas. Deixemos a obra falar. A criação literária exige uma forma de pensamento crítico como metodologia de análise. A fecundidade de uma teoria mede-se pela - capacidade de engendrar um poder construir sentidos que desconstruam a própria teoria quando não se mostrar adequada a seu objeto. [...] Conscientes que somos da carga de subjetividade que impregna todo trabalho crítico, cremos que nenhuma análise pede pretender: esgotar as possibilidades de uma obra, já que há vários níveis de leitura, configurados na plurissignificação de um texto (1980, p. 85). O crítico é feito pelo esforço de compreender, interpretar e explicar o texto literário (BOSI, 1988). Contudo, apresenta especificidades em relação à atitude filosófica e à pesquisa científica. O crítico literário tem diante de si um objeto diferenciado, pois não é como uma coisa ou ente qualquer do mundo, é uma obra artística que utiliza a linguagem verbal para simbolizar e recriar a realidade. O crítico, antes de tudo, é um leitor. Quando ele dá forma à sua interpretação, se dirige a uma comunidade de leitores que, de certa forma, também são intérpretes do texto literário, responsáveis por dar sentido ao texto. Mas, o desafio do crítico é escrever um texto que tente resgatar para os leitores o evento complexo, subjetivo e histórico que é o ato da criação literária, quando o escritor/poeta dá forma às suas ideias e emoções (BOSI, 1988). O crítico deve ser um mediador cultural entre o texto literário e os leitores. Ao longo dos anos, os teóricos e críticos literários discutiram sobre as melhores maneiras de interpretar a literatura. Consequentemente, muitas "escolas" ou "teorias da crítica" surgiram. O pesquisador Antônio Cândido, em Formação da Literatura Brasileira (1959) nos alerta que para o pesquisador o que interessa "é o texto exprime". A crítica, portanto, é uma escrita em que as evidências que justificam os argumentos do intérprete se encontram no texto analisado, sejam formais ou de sentido. Ao escrever uma crítica ou resenha de livro, deve-se identificar, resumir e avaliar as características formais, estéticas, ideias e informações apresentadas pelo autor. O objetivo de uma crítica de livro é compartilhar a opinião sobre o texto literário e, ao mesmo tempo, apoiar o julgamento com evidências do texto. A seguir, de modo sintético, apresentaremos sete etapas que podem auxiliar a escrever uma resenha/crítica de um livro ou texto literário: 1) Ler o livro/texto. Não há como contornar isso: é crucial ler o livro inteiro antes de escrever uma crítica. Essa é a única maneira de mergulhar na experiência de leitura completa. Estar atento à experiência de leitura e observar o que é captado formalmente e traços que chamam atenção. Alfredo Bosi nos diz que devemos 'mergulhar no texto". 2) Fazer anotações. Ao terminar de ler o livro, voltar e fazer anotações breves e objetivas. Rever as seções que capturam ou prendem a atenção. Ao revisar as anotações, tentar decidir quais são os principais eventos do livro e quais foram seus efeitos sobre o crítico-leitor. Quais sentimentos e sensações o poema/texto causou? Aqui estão alguns pontos que podem ajudar a estabelecer a base para a revisão: Explicar como o livro/texto pode nos afetar. Explicar como o autor construiu os efeitos estéticos e estilísticos do texto. Explicar os temas, símbolos, imagens recorrentes do texto e de outras obras do autor. Explicar a relação entre forma (linguagem literária) e conteúdo. Explicar a função de cada personagem em um texto ficcional. Explicar as relações dos personagens entre si. 3) Resumir o livro. Antes de começar a compartilhar as opiniões pessoais sobre o livro, escrever uma breve visão geral da história. Dedicar duas ou três frases na introdução para fornecer uma breve sinopse da trama. Informar aos leitores sobre o assunto do livro, sem revelar muito. 4) Contextualizar o livro. Frequentemente, obter essas informações na capa e na introdução do livro. Caso contrário, talvez seja necessário fazer uma pequena pesquisa em outros livros, jornais, livros historiográficos, outras resenhas e na internet. Passar algum tempo relacionando esse livro a obras semelhantes do autor ou do mesmo gênero para aprofundar a explicação e julgamento. O livro faz parte de um sistema literário e compreender a sua historicidade é importante. Algumas questões importantes a serem consideradas: Esse é o primeiro livro do autor ou ele já é experiente? Em que gênero o livro pode se encaixar? Como esse livro dialoga ou inova em relação aos outros livros do mesmo gênero na tradição literária? O autor só escreve esse mesmo gênero analisado ou a sua obra é diversificada? O estilo de escrita do autor modificou-se ao longo do tempo, é o mesmo em suas variadas obras? 5) Construir uma opinião. Buscar ser específico. Não dizer apenas se o livro é bom ou ruim, mas explicar o porquê. Apoiar a opinião com exemplos específicos do texto e construir um julgamento simples para uma avaliação subjetiva e bem fundamentada. Como nos alertou Machado de Assis em "O ideal do crítico", é importante encontrar um equilíbrio entre compartilhar uma opinião sem insultar outros leitores que possam ter gostado ou não do livro. Em última análise, se esforçar para ajudar leitores em potencial a determinar se vale a pena ler este livro ou não. Algumas dicas a serem consideradas: Se não gostar do livro, tentar entender/explicar por que outras pessoas podem gostar dele e vice-versa. Ser específico na escolha de palavras para transmitir a opinião. Evitar o uso de palavras não descritivas e críticas, como "bom", "ruim", "positivo" ou "negativo". 6) Evite spoilers. Embora spoilers (revelação dos aspectos da trama) possam ser tentadores, fazer isso pode prejudicar a experiências dos leitores com o texto. O crítico deve fornecer aos leitores informações suficientes para despertar o interesse pelo livro, dando a oportunidade de formular suas próprias opiniões. Se o crítico se sentir inclinado a incluir um spoiler em sua análise, que julga essencial para a interpretação, pelo menos mencione-o no início da avaliação. 7) Revisão. Depois de escrever o comentário, revisitar e revisar o texto. Verificar e garantir que todas as informações e detalhes que foram fornecidos sejam precisos. Realizar uma revisão gramatical ou ortográfica ou encaminhar a um corretor profissional. Se existir tempo para uma revisão mais aprofundada, observar atentamente se as evidências e justificativas são logicamente sólidas. Algumas perguntas finais a serem feitas durante a revisão final: Foram explicados os principais aspectos do livro? O texto interpretativo foi escrito para a leitura de outros críticos e professores ou para os leitores das obras literárias? (ou seja, o grande público) A conclusão da leitura interpretativa está apoiada em evidências textuais e da teoria literária? Essas foram informações iniciais sobre a escrita de crítica literária. A literatura é complexa e vasta, por isso nos a amamos. O desafio está lançado: ler e escrever sobre as obras. E o embasamento crítico nasce com muito leitura, não só de textos literários, sobretudo, de ciências humanas em geral, especialmente, os filosóficos. Enfim, boas leituras e escritas! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSIS, Machado de. O ideal do crítico. In: Obra Completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, vol. III, 1994. BOSI, Alfredo. "A interpretação da obra literária" In: Céu, inferno. Ensaios de crítica literária e ideológica. São Paulo: Ática, 1988. CULLER, Jonathan. Teoria literária: uma introdução. Trad. Sandra Vasconcelos. São Paulo: Beca Produções Culturais, 1999. ECO, Umberto. Obra aberta. São Paulo: Perspectiva, 1986. JOSEF, Bella. A questão da crítica e a crítica em questão. In: Função da Crítica. Revista Tempo Brasileiro. Nº 60, 1980. JOUVE, Vincent. Por que estudar literatura? Trad. Marcos Bagno e Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2012. PICON, Gaetan. O escritor e sua sombra: introdução a uma estética literária. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1970. PINHEIRO, Hélder (org.). Pesquisa em literatura. Campina Grande: Bagagem, 2003. PORTELLA, Eduardo. Fundamento da Investigação Literária. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1974. ROGER, Jérôme. A crítica literária. Rio de Janeiro: Difel, 2002. SOUZA, Roberto Acízelo de. Teoria da literatura . 10. ed. São Paulo: Ática, 2007. WELLEK, René; WARREN, Austin. Teoria da literatura e metodologia dos estudos literários . Trad. Luís Carlos Borges. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

  • Inscrições Dia da Literatura Cearense

    “DIA DA LITERATURA CEARENSE: ARQUIVOS, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA”   Olá! É com muita alegria que o Grupo de Pesquisa “Literatura Cearense Comparada”, coordenado pelo Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro, com apoio do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará e da FUNCAP, convida a todas e a todos para participar do evento “Dia da Literatura Cearense: arquivos, memória e resistência” com o objetivo de celebrar e discutir a arte literária produzida pelas autoras e autores do nosso estado. Por meio da Lei estadual Nº 13.411, de 15 de dezembro de 2003, houve a instituição do “Dia da Literatura Cearense”, que passou a ser comemorada no dia 17 de novembro, em homenagem ao nascimento de Rachel de Queiroz, autora do clássico O Quinze  (1930), símbolo da literatura cearense, assim como José de Alencar, Francisca Clotilde, Rodolfo Teófilo, Antônio Sales, Juvenal Galeno, Patativa do Assaré, Moreira Campos, Emília Freitas e a Padaria Espiritual. Para esse ano, além de discutir a luta contra o apagamento, o silenciamento, o arquivamento, o esquecimento e o memoricídio de escritoras e escritores cearenses, homenagearemos os escritores Gilmar de Carvalho, Oswald Barroso e os 110 anos de Antônio Girão Barroso e Moreira Campos. Ressaltamos que ler, estudar e conhecer as autoras e autores cearenses são atos de resistência fundamental para valorizar a identidade cultural do Ceará. Venha celebrar conosco!   LINK INSCRIÇÕES: https://forms.gle/K4TJ6AxwyqsgG9W27 Quando: 18/11/2024. Horário: de 08h30 às 19h30. Onde: Auditório José Albano –CH1 UFC (Campus Benfica, Fortaleza) Vagas: 100. Certificado: carga horária de 10 horas. Evento: gratuito e aberto ao público. Organização: Grupo de Pesquisa em Literatura Cearense Comparada-UFC Informações: entrelugar.literaturacearense@gmail.com https://www.instagram.com/literatura.cearense.comparada/

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