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  • Podcast #4 Os 130 anos de A Fome, de Rodolfo Teófilo

    No quarto episódio do podcast Encontros Literários Moreira Campos relembraremos os 130 anos de publicação do romance A Fome, de Rodolfo Teófilo. Romance inaugural da chamada 'Literatura das secas', que faria carreira ao longo do século XX, Lira Neto assim o define em O poder e a peste, sua biografia de Teófilo publicada pelas Edições Demócrito Rocha: "Literatura crua, sem meio tom ou maquiagem: o Sol implacável, corpos escaveirados, os horrores da miséria extrema. Romance como ninguém ousara escrever antes sobre o Ceará. Livro assim não podia ter outro nome: A Fome". Ambientado no Ceará entre os anos 1877-1879, período da chamada seca "dos três setes", na qual uma grave epidemia de varíola ceifou a vida de milhares de cearenses, A Fome ganha renovado interesse, em tempos nos quais a pandemia do novo coronavírus parece reeditar as condições e vítimas preferenciais da incidência de qualquer crise sanitária: a desigualdade social e a pobreza, questões infelizmente ainda não contornadas no Brasil contemporâneo. Rodolfo Teófilo ainda se destacou como farmacêutico, documentarista e historiador, com uma obra voltada ao estudo e à prática de combate aos desmandos da política do período, bem como das graves questões sociais e de saúde de sua época. Foi também integrante da Padaria Espiritual, um dos mais importantes movimentos culturais brasileiros do período, ocorrido na Fortaleza de fins do século XIX. Para falar sobre o assunto, os ELMC convidaram Charles Ribeiro Pinheiro, mestre e doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (PPGLetras-UFC), pesquisador da obra de Rodolfo Teófilo e professor conteudista no Curso de Literatura Cearense da Fundação Demócrito Rocha (FDR). Charles Pinheiro atua também como autor de livros didáticos, roteirista e designer educacional. Música de fundo: Odeon (Ernesto Nazareth) - Paul Barton, piano Mediação: Júlio Cezar Bastoni da Silva (DL - UFC). Fonte: Júlio Cezar Bastoni. ‣ Redes Sociais: - Instagram: https://www.instagram.com/p/CCJjdEglk7d/ - Facebook: https://www.facebook.com/encontrosdaufc/ - Spotify: https://open.spotify.com/show/6h5yU4t...

  • Inscrições Curso Literatura Cearense - Fundação Demócrito Rocha

    Hoje, 1º de maio, além de ser o dia dedicado ao Trabalho, é aquele em que comemoramos os 191 anos de nascimento de JOSÉ DE ALENCAR, grande romancista cearense e brasileiro, que tão forte marca deixou em nossa literatura. Em 2019, aos seus 190 anos, apresentamos um projeto em comemoração à data e, assim, como presente desse aniversário para todos nós, A PARTIR DE 4 DE MAIO DE 2020 (segunda-feira), a Universidade Aberta do Nordeste da Fundação Demócrito Rocha, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e com o apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC), inicia AS INSCRIÇÕES GRATUITAS E ABERTAS PARA TODO O PAÍS do curso básico de extensão LITERATURA CEARENSE, com 140h. Fascículos, videoaulas, radioaulas, webconferências, material complementar, entre outros, com o objetivo de promover, de forma geral e para todo o país, o interesse, a pesquisa e a leitura da literatura produzida no Ceará, desde o século XIX à contemporaneidade, através de alguns de seus autores(as), grupos/agremiações literárias e obras referenciais, em consonância com os estudos da Literatura Brasileira. Curta, COMPARTILHE BASTANTE e PARTICIPE: https://cursos.fdr.org.br

  • Rodolfo Teófilo já combateu epidemia em Fortaleza; relembre trajetória do farmacêutico e escritor

    Entrevista concedida ao jornalista Diego Barbosa para reportagem publicada no Jornal Diário do Nordeste, intitulada "Rodolfo Teófilo já combateu epidemia em Fortaleza; relembre trajetória do farmacêutico e escritor", em que dissertei sobre a obra literária do referido escritor cearense, que é integrada a sua missão intelectual e sanitária. Na reportagem, é traçado o perfil de Rodolfo Teófilo como cientista, literato e inventor, enfatizando suas lutas sanitárias contra os males da seca e da varíola na capital cearense. No final do século XIX e início do XX, Fortaleza era constantemente arrasada pelas epidemias de varíola, matando milhares de pessoas, deixando corpos pelas ruas. Nesse contexto, Rodolfo Teófilo combatia as pestes biológicas e as pestes políticas. https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/verso/online/rodolfo-teofilo-ja-combateu-epidemia-em-fortaleza-relembre-trajetoria-do-farmaceutico-e-escritor-1.2228807

  • A parábola dos cegos

    Pieter Bruegel, “Parábola dos cegos”, Museo Nazionale di Capodimonte, Nápoles, 1568. "Parábola dos cegos" (1568), de Pieter Bruegel, é uma pintura que nos causa perturbação. Por que temos esse sentimento ao vê-la? O título do quadro, além de expressivo e simbólico, nós dá chaves importantes para a sua compreensão. É uma representação da narrativa bíblica do "Novo Testamento", a partir de Lucas 6, versículo 39. No contexto bíblico, Jesus estava falando para a multidão, quando se utiliza da parábola para criticar os "fariseus", isto é, os animadores das comunidades que se consideravam donos da verdade, superiores aos outros. Jesus introduz, assim, sua fala: "- Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova?" Bruegel trouxe o tema da parábola para sua época. O que nos choca é o tom de catástrofe iminente, pois vemos uma procissão de cegos que vão se guiando na fila, segurando na mão ou no cajado do outro. O primeiro está caído no rio, o segundo tropeçou e o terceiro está prestes a tropeçar. O personagem mais expressivo é o quarto, porque sua angustia reside no fato de que ele percebeu que os seus guias caíram e que cairá também. Ele também sabe que os cegos de trás si não desconfiam de nada. Se observarmos os seis cegos, percebemos que a gradação dos sentimentos é assinalada pelas variadas fisionomias. Diante dessa cena, pintada com um extremo senso de fatalidade, constatamos que o pintor nos expressa que a queda é inevitável. No quadro, há uma mistura entre o trágico e o ridículo. O contexto sócio-histórico contribui para a nossa compreensão. No final da Idade Média e durante Renascimento, nas grandes cidades, os cegos eram vistos e tratados como vagabundos e mendigos. Na pintura, os cegos são retratados com roupas sujas e maltrapilhas e, portando, instrumentos para atrair piedade e compaixão das pessoas. Na época de Bruegel, a atuação artística dos cegos pedintes era um espetáculo banal. Além de retratar a vida dos camponeses, Bruegel também se notabilizou por pintar temas bíblicos. Na Parábola dos cegos, percebemos que não se trata apenas da cegueira física, mas da espiritual. O quarto cego parece estar acometido de uma atrofia do olho e a expressão de seu rosto demonstra angústia e desespero, tornando-o uma espécie de símbolo da condição humana. O quadro apresenta uma visão trágica da existência. A cegueira também indica tolice e ignorância, quando acreditamos em ideias vãs e pseudoverdades e nos deixamos guiar por tolos e falsos líderes.

  • Videoentrevista Maracajá 05

    Hoje, nesta segunda-feira, é encartado no jornal O POVO o 5º número da revista "Maracajá", projeto da Fundação Demócrito Rocha. Como parte desse projeto, fui convidado a gravar uma entrevista para falar de minha pesquisa sobre Rodolfo Teófilo e literatura cearense, com mediação da jornalista e pesquisadora Lílian Martins. Muito obrigado ao caro Raymundo Netto. "Quem quiser ter acesso a TODOS os números da revista "Maracajá" e TODAS as videoentrevistas, pode clicar em: fdr.org.br/maracaja. Curta, COMPARTILHE e DIVULGUE bem muito.

  • Curso Preparatório para Pós-Graduação em Letras (UFC)

    Inscrições abertas para o "Curso Preparatório para Pós-Graduação em Letras (UFC)", com concentração em Literatura Comparada, com início dia 15 de abril. O Curso tem como objetivo a capacitação teórica e prática do(a) candidato(a) para a seleção de Mestrado e Doutorado em Letras da UFC, por meio de uma revisão de pontos importantes da Teoria, Historiografia, Crítica literárias e das linhas de investigação em Literatura Comparada do PPGLetras, além de orientação e do estudo específico para construção de um projeto de pesquisa em Literatura. O Curso ocorrerá por meio de encontros presenciais, as segundas e quartas, no horário de 16h às 18h, no Coworking Trunfo. O Curso é dividido em 7 módulos e a cada mês serão 8 encontros, sendo dois específicos para orientação e acompanhamento individual dos projetos. E efetuar o pagamento da taxa de matrícula, no valor de 200 reais. O investimento mensal, também é de 200 reais, até outubro. Mais informações, no Site do Curso:https://caminhosdapesquisaliteraria.webnode.com/contate-me/ Coordenação e Docência: Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro Local do Curso: Coworking Trunfo, Rua Padre Guerra, 889 - Parquelândia. CALENDÁRIO DO CURSO PARA 2019: Abril - Módulo 1 - Construindo uma pesquisa em Literatura; Maio - Módulo 2 - Reencontros com a Teoria e a Crítica literária; Junho - Módulo 3 - Conceitos-chave da Literatura Comparada; Julho - Módulo 4 - Tradução, Literatura, Cinema e outras linguagens; Agosto - Módulo 5 - Leitura, Ensino e Literatura Infantil; Setembro - Módulo 6 - Leitura e análise dos textos teóricos e literários da seleção; Outubro - Módulo 7 - Leitura e análise dos textos teóricos e literários da seleção.

  • ALENCAR E NABUCO: DOIS POLEMISTAS E CAVALOS

    Uma das mais instigantes polêmicas da literatura brasileira ocorreu entre José de Alencar e Joaquim Nabuco. O mote da briga foi a repercussão negativa da peça O jesuíta, escrita por Alencar em 1860, somente encenada em 1875. O espetáculo atraiu pouco público ao Teatro São Luís, no Rio de Janeiro, saindo de cartaz após a terceira apresentação. Após esse fracasso, a polêmica se instaurou quando Nabuco, anonimamente, escreveu um texto ácido contra a peça, no jornal O Globo. Esse confronto verbal é significativo para observamos a tensão na construção da tradição literária brasileira, pois Alencar já era considerado o "chefe da literatura nacional", segundo Afrânio Coutinho. O desafiador, Joaquim Nabuco, era jovem aristocrata, filho de um senador imperial, que passou uma longa estadia na França e, para se afirmar como novo escritor, imprescindível era demolir o "gigante". Nabuco iniciou a série de ataques com a coluna "Aos domingos", no dia 03 de outubro de 1875, com o intuito de "fazer um minucioso exame da obra literária de Alencar". Com a repercussão do texto, revelou sua identidade e escreveu mais sete artigos. Impetuosamente, acusou o autor de Iracema de estar em decadência literária; de ser um escritor de gabinete que 'desconhecia' as paisagens brasileiras que pintava; de entregar um livro mais falso do que outro e de só ter sucesso na imprensa, pois coagia os jornalistas com seu prestigio político. José de Alencar, aborrecido com as críticas, defende a sua peça e, ao descobrir a identidade do seu algoz, vai escrevendo mais artigos irritadiços no mesmo jornal. A troca de desaforos se estendeu por três meses: Nabuco, aos domingos, e Alencar, às quintas. O mais interessante dessa polêmica é a comparação entre escritores e cavaleiros, por Nabuco. Ele comparou a atividade literária a uma corrida e a obra de cada autor a um cavalo, tendo como hipódromo principal, o Rio de Janeiro. No concorrido turfe do romantismo, cujo prêmio era a "popularidade" entre os leitores, citou vários corredores como Gonçalves de Magalhães, Sales Torres Homem, Porto Alegre, Pereira da Silva, contudo, declarou que o "jockey do Guarani" se encontrava muito adiantado e o único que lhe estava próximo era Joaquim Manuel de Macedo. Na metáfora do crítico, os cavalos de Alencar foram vencedores porque, além do público ser diminuto, os concorrentes fraquíssimos. Em contrapartida, Alencar com a missão de "arrancá-lo do êxtase em que vive como um narciso namorado de si" usou vários epítetos para desqualificá-lo como escritor, taxando-o de "folhetinista parisiense", "tribuno gorado", macaqueador da língua francesa e, para ser alvo constante da atenção pública, seus textos nos jornais serviam como um "tônico" ao "orgasmo de vaidade" que impacientemente cultivava. Sobre a metáfora suscitada, Alencar como "jockey" afirma que se sua "Carta sobre Confederação dos Tamoios" foi uma égua voraz, enquanto o irrelevante "Sr. J. Nabuco" não passava de um Dr. Fausto montado em um cabo de vassoura, "a cavalgar por esses ares a fora, levando por pajem um Mefistófeles, bom diabo, fanfarrão, mas inofensivo". Anos depois, no livro Minha Formação, Joaquim Nabuco reconheceu ter sido bastante audacioso e imaturo em tentar demolir José de Alencar que também tinha uma face prepotente. Os dois foram intelectuais que contribuíram inestimavelmente para a cultura brasileira, porém o embate verbal estampado nos jornais nos revela que nem tudo são flores em relação à Literatura, constituindo-se também num minado espaço de concorrência. No afã de vituperar um contra o outro, os escritores se comportaram mais como cavalos do que cavaleiros. Artigo: Alencar e Nabuco: dois polemistas e cavalos. Publicação: Revista Maracajá, Jornal O POVO. Fortaleza, p. 4 -5, em 20 maio 2019. Homepage: https://issuu.com/fundacaodemocritorocha/docs/revista-maracaj_-4edi__o

  • O que é Literatura comparada? Uma síntese

    Previamente, podemos entender que os atos de leitura e de interpretação literária são processos comparativos, pois comparar é um procedimento que faz parte da estrutura do pensamento humano, ou seja, estabelecer analogias, situar e contextualizar o objeto apreendido pela cognição com ideias, formas e experiências anteriores. Por exemplo, Aristóteles, em sua Poética, para definir o "trágico" e distingui-lo do "épico' e da "comédia", teve que ler, descrever e analisar textos de variados poetas gregos. Originalmente, Literatura Comparada significava uma investigação que confrontava obras literárias de mais de uma tradição linguística-nacional. Segundo Tânia Carvalhal, o surgimento da Literatura Comparada está vinculado à corrente de pensamento cosmopolita que caracterizou muitos países europeus, no século XIX, período em que pensadores e cientistas realizavam comparações entre estruturas ou fenômenos análogos, a fim de buscar leis gerais. No âmbito literário, estudavam-se obras de dois ou mais países e suas relações recíprocas e influências. Os estudos comparativos em literatura floresceram na França, na Inglaterra, na Alemanha e na Itália. No século XX, os Estados Unidos se constituem como um grande polo de estudos comparativos, devido à chegada de estudiosos literários europeus como Erich Auerbach, Leo Spitzer, Ernst Robert Curtius e Ernst Kantorowicz, entre outros. Ao longo do século, tanto na Europa, quanto nos EUA, abundaram teorias que ampliaram o escopo do comparatismo literário, tais como o Marxismo, a Psicanálise, o Estruturalismo, a Semiótica, a Estética da Recepção, a Intertextualidade, Desconstrução, os Estudos culturais, etc. Enquanto a Literatura Comparada ainda pode implicar o estudo da literatura de diferentes países, diferentes contextos socioculturais e gêneros literários, o campo de estudos evoluiu e se ampliou em uma abordagem metodologicamente autoreflexiva, que explora as relações entre a Literatura e outras formas de expressão cultural. A Literatura Comparada coloca questões como: qual é o lugar da literatura na sociedade? Como a literatura enquanto forma estética muda ao longo do tempo e em relação a outras formas de artísticas? Como a literatura molda e responde a valores, movimentos sociais ou contextos políticos? A pesquisadora Leyla Perrone-Moysés enriquece a nossa perspectiva, no ensaio "A criação do texto literário", ao nos alertar que "estudando relações entre diferentes literaturas nacionais, autores e obras, a literatura comparada não só admite, mas comprova que a literatura se produz num constante diálogo de textos, por retomadas, empréstimos e trocas. A literatura nasce da literatura; cada obra nova é uma continuação, por consentimento ou contestação, das obras anteriores, dos gêneros e temas já existentes. Escrever é, pois, dialogar com a literatura anterior e com a contemporânea" (1990). Percebemos que nenhum poeta é isolado, ele só tem significado quando é posto em diálogo com outros poetas, quer seja contemporâneos, do seu campo literário, quer seja de tempos passados, constituindo tradições literárias que são redesenhadas a cada geração. Estudar essas complexas relações e tensões é a missão árdua do comparatista. George Steiner nos fala que a Literatura Comparada é uma arte exigente de leitura, porque toda leitura implica em um mergulho na história e nos fundamentos da linguagem. Se você tem interesse em literatura e no estudo de línguas, tanto a vernácula, quanto as estrangeiras, a Literatura Comparada será um gratificante ramo de pesquisa, pois inclui o estudo da teoria e da crítica literária histórica e contemporânea. Pelo caráter transfronteiriço e interdisciplinar do comparatismo, você terá a oportunidade de estudar textos de diversos movimentos literários, contextos culturais e períodos históricos. Ademais, se estuda a literatura em relação a outras ciências ou disciplinas, por exemplo, a Sociologia, a História, a Teologia, a Comunicação, a Filosofia, a Antropologia, a Psicologia; assim como outras linguagens artísticas, tais como o cinema, a música, a dança, a fotografia, as artes plásticas. Portanto, no âmbito dos Estudos Literário, é importante se aprimorar como pesquisador de Literatura comparada, pois assim, haverá oportunidades de realizar investigações sobre os mais diversos aspectos da arte literária e da cultura humana. Enfim, a Literatura Comparada é um meio, não um fim. by Charles Ribeiro Pinheiro

  • Gustave Flaubert - A Educação Sentimental

    Depois de Madame Bovary, o maior romance do escritor Gustave Flaubert (1821-1880) é A Educação Sentimental, publicado em 1869. A história nos apresenta o jovem estudante de direito, Fréderic Moreau, que em uma viagem de barco, em 1840, encontra Madame Arnoux, esposa de um editor dum jornal de grande circulação, Jacques Arnoux. Eles trocam conversas e olhares. Para Frédéric, é amor à primeira vista. Este encontro o marcou profundamente. A partir daí, o projeto do protagonista é conquistar o amor de Marie Arnoux. Ele se aproxima do marido e do seu círculo social e começa a frequntar a sede da revista Arte Industrial. Porém, Frédéric Moreau, primeiro terá que se resignar a voltar a viver na província, junto com a sua família, por causa da precariedade de sua situação. Depois, ele recebe uma herança inesperada, que lhe permitiu voltar a viver em Paris. Mesmo mantendo um amor ‘romântico’ pela Sr.ª Arnoux, tem um affair com Rosanette e com a Sr.ª Dambbreuse, esposa de um banqueiro oportunista. Concomitantemente, o seu amigo de faculdade, Deslauriers, procura persuadi-lo a abrir um jornal político. Enquanto tenta cativar Sr.ª Arnoux, passa por variadas conturbações políticas, sociais e financeiras, oriundas da Revolução de 1848 e do Segundo Império, na França. Inspirado na juventude de Flaubert, Educação Sentimental é um romance inovador: o autor encena um anti-herói, um Frédéric Moreau que tenta encontrar seu lugar na sociedade francesa, e desconstrói os códigos do romance de aprendizagem. O romance está enraizado nas rupturas e mudanças políticas francesas, ao longo da metade do século XIX, como a Monarquia de Julho e, depois, a Segunda República, entre 1848 e 1851. Um romance imperdível. Trecho extraído e modificado da tese Rodolfo Teófilo polemista: a crítica polêmica como glorificação literária (2019), por Charles Ribeiro Pinheiro.

  • Michéle Petit - A arte de Ler

    "A arte de ler ou como resistir à adversidade" é um imperdível livro da antropóloga Michéle Petit. Ao estudar as experiências de mediadores de leituras em situações de adversidade, em diversos países da América Latina, incluindo o Brasil, nos ensina que a leitura possibilita falar, aprender, entender, simbolizar e estar atento à vida. Para Petit “os livros são hospitaleiros e nos permitem suportar os exílios de que cada vida é feita, pensá-los, construir nossos lares interiores, inventar um fio condutor para nossas histórias, reescrevê-las dia após dia. E algumas vezes eles nos fazem atravessar oceanos, dão-nos o desejo e a força de descobrir paisagens, rostos nunca vistos, terras onde outra coisa, outros encontros serão talvez possíveis. Abramos então as janelas, abramos os livros” (p. 266). PETIT, Michèle. A arte de ler ou como resistir à adversidade. São Paulo: Editora 34, 2009. Michèle Petit é antropóloga, pesquisadora do Laboratório de Dinâmicas Sociais e Recomposição dos Espaços, do Centre National de la Recherche Scientifique, na França, no qual ingressou em 1972. Desde 2004 coordena um programa internacional sobre "a leitura em espaços de crise", compreendendo tanto situações de guerra ou migrações forçadas como contextos de rápida deterioração econômica e grande violência social.

  • MINICURSO: DOS DIREITOS DO LEITOR: REFLEXÕES ACERCA DO ENSINO DA LITERATURA

    Todos estão convidados a participar do Minicurso "Dos direitos do leitor: reflexões acerca do ensino da literatura", que compõe a programação da XIII Semana de Humanidades da UFC, e ocorrerá nos dias 08 e 09 de outubro. O minicurso foi orientado pela Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva (UFC). O nosso propósito apresentar as ideias do escritor francês Daniel Pennac, no livro "Como um romance" (1993), observando como ele subverte o ensino tradicional de literatura ao propor o seu ensino pautado no deleite dos livros e nos "direitos imprescritíveis do leitor". O que afasta o jovem da leitura? Por que os livros são vistos como objetos chatos e tediosos? Nesse minicurso, além de Pennac, dialogaremos com Tzvetan Todorov, Italo Calvino e Ana Maria Machado. Ilustrações de Quentin Blake. Recado importante: o formulário é a inscrição geral no evento, posteriormente, no momento do credenciamento, que você vai se inscrever em nosso minicurso. Proponente: Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro Quando: dias 08 e 09 de outubro, das 14h às 16h. Onde: Bloco de Letras Diurno, sala 10 - Centro de Humanidades 1, Campus do Benfica - UFC. Mais informações: entrelugar.literaturacearense@gmail.com Instagram: charles.ribeiro.pinheiro https://www.facebook.com/semanadehumanidadesufc/ RESUMO: Nas primeiras duas décadas do século XXI, o livro, como instrumento de aquisição cultural, devido ao aperfeiçoamento das tecnologias de comunicação em mídias digitais, deparou-se com uma gama de concorrentes com proporções de várias Babéis: tvs por assinatura, redes sociais, tablets e smartphones, canais de vídeos, serviços de streaming e jogos on line. Esse argumento serviria de subterfúgio para afirmar o desinteresse da leitura pelos jovens. Contudo, o escritor francês Daniel Pennac, na obra Como um romance (2008), além dos atrativos tecnológicos, declara que o que afasta a criança e o adolescente do convívio com o livro é a prática autoritária da leitura adotada por colégios, por políticas públicas, pelo vestibular. Pennac questiona, de modo poético e sarcástico, por que os livros da literatura universal tornarem-se um fardo e objeto tedioso para os jovens. Ao longo da obra, o autor propõe os 10 "direitos imprescritíveis do leitor", tais como o "direito de não ler", o "direito de pular páginas", o "direito de reler", etc. O propósito do minicurso é apresentar as ideias de Daniel Pennac em Como um romance, observando como ele subverte o ensino tradicional de literatura ao propor o deleite dos livros e nos "direitos imprescritíveis do leitor", atualizando a discussão para o nosso contexto atual. Para discutir sobre a problemática do ensino da literatura, dialogamos com: Ezequiel Theodoro da Silva, em Elementos de uma pedagogia da leitura (1998); Italo Calvino, Porque ler os clássicos? (1993); Ana Maria Machado, em Como e porque ler os clássicos universais desde cedo (2002); Vincent Jouve, Porque estudar Literatura (2012) e A leitura (2002) e Tzvetan Todorov, A literatura em perigo (2009). Na minicurso, discutimos a necessidade de trabalharmos um ensino da literatura que estimule e alimente o pensamento reflexivo de modo criativo, gratuito e atraente, sem o peso impositivo de um autoritarismo pedagógico e de uma falsa pragmática. Palavras chave: Daniel Pennac; Literatura; Leitura; Ensino; Clássicos. DIREITOS IMPRESCRITÍVEIS DO LEITOR 1. O direito de não ler. 2. O direito de pular páginas. 3. O direito de não terminar um livro. 4. O direito de reler. 5. O direito de ler qualquer coisa. 6. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível). 7. O direito de ler em qualquer lugar. 8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali. 9. O direito de ler em voz alta. 10. O direito de calar. Daniel Pennac (Pennacchioni) nasceu em Casablanca, Marrocos, em 1944, e é filho de um oficial francês que servia no país. Na França, foi professor de língua francesa, apaixonado pelo ensino das letras. Como escritor, entre os seus livros publicados estão: O paraíso dos ogros, A pequena vendedora de prosa, Senhor Malaussène, Frutos da Paixão, entre outros. O livro Como um romance foi um dos mais vendidos na França em 1992. BIBLIOGRAFIA ARISTÓTELES, HORÁCIO E LONGINO. A poética clássica. São Paulo: Cultrix, 1997. BLOOM, Harold. O cânone ocidental: os livros e a escola do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. COMPAGNON, Antoine. Literatura Para quê? Tradução de Laura Taddei Brandini. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009. FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 22 ed. São Paulo: Cortez, 1988. JOUVE, Vincent. Por que estudar literatura? Trad. Marcos Bagno e Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2012. JOUVE, Vincent. A leitura. São Paulo: UNESP, 2002. MACHADO, Ana Maria. Como e porque ler os clássicos universais desde cedo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. PENNAC, Daniel. Como um romance. Rio de Janeiro: Rocco, 1993. PIGLIA, Ricardo. O último leitor. São Paulo: Companhia das letras, 2006. CASTAGNINO, Raúl. O que é literatura? São Paulo: Editora Mestre Jou, 1969. SILVA, Ezequiel Theodoro da. Elementos de uma pedagogia da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1998. TODOROV, Tzvetan. A literatura em perigo. Tradução de Caio Meira. São Paulo: Difel, 2009. A Semana de Humanidades é um projeto de iniciativa do Centro de Humanidades da UFC, que a cada ano mostra ser fundamental para a integração entre alunos, professores e servidores técnico-administrativos, num processo de democratização de informações, conhecimentos e oportunidades. Sua décima terceira edição tem como tema central "50 anos do CH: Memória e Cultura" e se propõe a ampliar os espaços para reflexão em torno do papel das Ciências Humanas no mundo contemporâneo. Esse ano, o evento ocorrerá nos dias 7, 8 e 9 de Outubro. A programação contará com palestras, mesas redondas, rodas de conversas, oficinas, minicursos, atividades artístico-culturais, dentre outras. https://semanadehumanidadeschufc.wordpress.com/

  • A cidade no papel: as representações literárias de Fortaleza como proposta para eventos acadêmicos

    A Palestra faz parte da programação do X Encontro de Docência no Ensino Superior, dos Encontros Universitários da UFC - 2018Hoje, às 16h no CENTRO DE CIÊNCIA, Sala 41, Bloco 950, 1 andar - Campus do Pici Construído a partir da disciplina de Estágio de docência em literatura (código HGP8333), em 2015, o projeto de extensão "O entre-lugar na Literatura cearense" surgiu com o propósito de investigar a formação da literatura produzida e lida no Ceará. Iniciamos o projeto com o curso "O lugar do autor cearense na historiografia literária brasileira", na Biblioteca de Ciências Humanas do Campus do Benfica, entre 2015 a 2016. Com a demanda do curso, em paralelo e integrado à pesquisa da tese, desenvolvi e executei duas atividades acadêmicas, com o auxílio de colegas de pós-graduação, acerca das representações artísticas da cidade de Fortaleza. Em 2016, tivemos uma proposta de oficina aprovada e promovida durante a "X Semana de Humanidades da UFC", intitulada "A Padaria Espiritual e a modernidade em Fortaleza, que tratou das representações da cidade no periódico "O pão" (1892-1896). Em 2017, organizei um Grupo de trabalho que fez parte da programação do "II Simpósio de Literatura Cearense", do "XIV Encontro Interdisciplinar de Estudos Literários da UFC, com o título o "A Cidade no Papel: A cartografia literária da cidade de Fortaleza". Este trabalho pretende relatar os percursos e dificuldades de organizar e executar ações acadêmicas, com o propósito de auxiliar na formação de pesquisadores na área de literatura cearense. Para o embasamento teórico, tivemos a contribuição de Silviano Santiago (1978), Sânzio de Azevedo (1976;1982), Antônio Cândido (1959), Tânia Carvalhal (2003), Dominique Maingueneau (2001), Pierre Bourdieu (1996), Charles Baudelaire (1869) e Walter Benjamin (1989). Compreendemos que, dessas duas ações distintas - uma oficina e um grupo de trabalho - ambos frutos de pesquisa, a mais laboriosa foi o GT, porque envolveu leitura, avaliação de resumos, divulgação, e, durante a sessão de comunicação, mediação e discussão com os pesquisadores. Ressalta-se a atividade docente como complexa e que não transmite um mero saber, porque deve nos ajudar a compreender a nossa condição humana e nos auxiliar a viver (Morin, 1999). Palavras-chave: Literatura cearense. Historiografia literária. Entre-lugar. Docência superior. Eventos acadêmicos. https://www.periodicos.ufc.br/eu/article/view/36837

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