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  • Curso - “A normalista e a Fortaleza da Belle Époque”

    DESCRIÇÃO O Curso “A normalista e a Fortaleza da Belle Époque” tem como objetivo ressaltar a memória literária e urbanística da capital cearense, enfatizando o romance “A normalista”, do escritor Adolfo Caminha. O romance retrata a Fortaleza no fim dos anos de 1880, classificada pelo autor como uma província atrasada, onde imperava a molecagem cearense. Em várias passagens, a cidade é retratada em suas conturbadas transformações urbanas e sociais, no afã de tornar-se uma capital “moderna”, no fim do século XIX. Contemplando cinco encontros, o curso efetuará a leitura compartilhada, discussão e análise do romance, pois, ao narrar a história da normalista, Caminha vai nos mostrando a vida em Fortaleza: as aulas da Escola Normal, os cultos na Igreja da Sé e do Patrocínio, os bondes e o trem, a imprensa, a molecagem cearense, o Passeio Público e a Praça do Ferreira. (25 vagas). OBJETIVOS Objetivo Geral: estudar as representações do cenário urbano de Fortaleza no romance A normalista, de Adolfo Caminha, e ressaltar a riqueza da literatura cearense e do patrimônio arquitetônico do Centro da capital. Objetivos Específicos: • Enfatizar as representações ficcionais do espaço urbano de Fortaleza em seus contrastes e mutações no romance A normalista; • Mostrar e analisar o cotidiano de Fortaleza, do fim do século XIX, os costumes e as tensões sociais representadas em A normalista; • Divulgar a História da literatura cearense e servir de ação de divulgação cultural para o público em geral; JUSTIFICATIVA Adolfo Caminha é um importante escritor cearense, autor de livros de renome nacional, como “A normalista” (1893) e, internacional, como “Bom-Crioulo” (1895). Dedicou-se à literatura e ao jornalismo, foi fundador da Padaria Espiritual (1892). Um dos méritos de A normalista (1893) é fazer o leitor vivenciar ficcionalmente a Fortaleza do fim do século XIX, pois Caminha provocou alvoroço, ao realizar um ‘retrato cruel da província’, em que a cidade é apresentada repleta de tipos mesquinhos, hipócritas, frívolos e degenerados, em que imperava tramas secretas, o jogo de aparências sociais e a maledicência. Narrar a história da normalista Maria do Carmo serviu como pretexto para Caminha representar criticamente a Fortaleza da Belle Époque. A cidade serve não apenas de cenário, mas como personagem relevante e a crítica social efetuada pelo escritor demonstra as tensões sociais e urbanas que existiam na cidade. Carga Horária: 10h com 5 encontros de 2h aula Aula 1 – Fortaleza: modernização e reformas urbanas Aula 2 – Adolfo Caminha e sua conturbada relação com Fortaleza Aula 3 – A normalista – passeando pelos logradouros de Fortaleza Aula 4 – A normalista – os jornais e o Ceará moleque Aula 5 – A normalista – moralidade e crítica social - tensões entre o público e o privado Proponente: Charles Ribeiro Pinheiro - Doutor (2019) e Mestre em Letras (2011) pela UFC. Graduado em Letras pela UFC (2008), roteirista de quadrinhos e autor de livros didáticos de literatura. Vencedor do XIII Edital Mecenas (2021) SECULT-CE, com o projeto 'Padaria Espiritual em Quadrinhos' e do XII Edital Ceará de Incentivo às Artes, da SECULT-CE, com o livro “Rodolfo Teófilo Romancista”. Currículo e Portfólio, no link a seguir: https://entrelugarliteratu.wixsite.com/charlesliteraturahq/sobre REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, Otacílio de. Fortaleza descalça. Fortaleza: Edições UFC/Casa José de Alencar, 1992. AZEVEDO, Sânzio de. Adolfo Caminha: vida e obra. Fortaleza: Casa José de Alencar/UFC, 1997. BARREIRA, Dolor. História da Literatura Cearense. Fortaleza: Editora Instituto do Ceará, 1948. BENEVIDES, Artur Eduardo. Evolução da Poesia e do Romance Cearense. Fortaleza: Imprensa Universitária/UFC, 1976. CANDIDO, Antônio. O Discurso e a Cidade. 3. ed. São Paulo; Rio de Janeiro: Ed. Ouro sobre Azul; Duas Cidades, 2004. CAMINHA, Adolfo. A normalista. Fortaleza: Editora ABC, 1997. MONTENEGRO, Abelardo F. O romance cearense. Fortaleza: Casa de José de Alencar/UFC, 1993. PONTE, Sebastião Rogério. Fortaleza Belle Époque. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001. RAMA, Angel. A cidade das letras. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1984. TINHORÂO, José Ramos. A província e o naturalismo. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966 A NORMALISTA – A ATUALIDADE DE UM ROMANCE POLÊMICO Qual a relevância do romance "A normalista", publicado em 1893, por Adolfo Caminha, escrito nos moldes do naturalismo, no qual retrata, implacavelmente, os vícios, as tramas, os dessabores, a bajulação política, as aparências sociais, a maledicência, o escárnio e a hipocrisia da sociedade de Fortaleza? Ao observar a sua estrutura narrativa e seus temas, percebemos que "A normalista" se insere na tradição dos romances que não servem apenas para o entretenimento, mas como forma de sensibilizar o leitor e de levá-lo a conhecer as intricadas relações sociais que são representadas no papel. A seguir, traçaremos um breve perfil do autor e discutiremos questões literárias e históricas expressivas acerca do polêmico romance. O escritor, nascido no Ceará, em 1867, após perder a família durante a seca de 1877, parte para o Rio de Janeiro. Ingressou na Escola da Marinha, de onde saiu como oficial, aos vinte anos, em 1887. No ano seguinte, transferiu-se para Fortaleza, onde se apaixonou por Isabel Jataí de Paula Barros, esposa de um oficial do exército. O episódio causou escândalo em Fortaleza, forçando-o a pedir demissão da Marinha e assumir o compromisso com Isabel. Nos primeiros anos da década de 1890, tem uma intensa atividade jornalística na capital cearense. Em 1891, funda a "Revista Moderna" e, no ano seguinte, participou da primeira formação da Padaria Espiritual, irreverente grêmio literário e artístico formando na Praça do Ferreira, liderada por Antônio Sales. Em seguida, retorna com a família para o Rio de Janeiro, onde atuou na imprensa carioca. Acometido de tuberculose, faleceu em 1897, aos trinta anos. A sua obra não é vasta, porém é muito significativa. Após a publicação de um livro de poemas "Voos incertos" (1886) e um de novelas "Judite e Lágrimas de um crente"(1887), e do diário "No país dos Ianques" (1894), publicou as suas principais obras: 'A normalista" (1893), "Bom Crioulo" (1895), "Cartas Literárias" (1895) e "Tentação" (1896).No Rio, enquanto colaborava no jornal Gazeta de notícias, publicou "A normalista", inspirado nas narrativas dos escritores franceses Émile Zola e Honoré de Balzac e, segundo o próprio autor, num artigo do livro de crítica "Cartas Literárias", é uma "singela narrativa de um escândalo de província" que retrata "com firmeza de observação, levemente penumbrada de um pessimismo irônico e sincero, que está no meu próprio temperamento" (CAMINHA). Como salienta o pesquisador Sânzio de Azevedo, o romance "é um retrato cruel da provinciana Fortaleza", em que a cidade é apresentada repleta de tipos mesquinhos, hipócritas, frívolos e degenerados. É óbvio que Adolfo Caminha teceu um projeto ficcional, contudo não se pode ignorar o fato acontecido na sua vida. Como mencionado, anos antes, o escritor envolveu-se com uma mulher, cujo marido era oficial do Exército, e Adolfo Caminha era oficial da Marinha. Nessa época, essas instituições tinham rivalidades políticas. A publicação de A Normalista provocou alvoroço e reacendeu a cólera dos seus inimigos do Ceará. Segundo Frota Pessoa, seu amigo e biógrafo, no livro "Crítica e polêmica" (1902), a polemicidade do livro se deve porque Caminha "ferreteava individualidades poderosas fotografando com uma verdade crua uns certos aspectos da sociedade cearense" (PESSOA). Ou seja, representa Fortaleza, durante os anos de 1888 a 1889, com as suas mazelas e podridões morais e a estética naturalista foi adequada, pois o escritor utilizou seus pressupostos para embasar o seu enredo. O Naturalismo surgiu na França, a partir da década de 1860, com o escritor Émile Zola e foi uma tentativa ambiciosa de aproximação entre a Literatura e a Ciência. Para Zola, o romancista naturalista atribui a si uma missão científica ao observar a sociedade para tentar transcrevê-la em suas obras. Não deixando espaço para o embelezamento da realidade, o olhar do escritor naturalista é um olhar cru sobre o mundo que não hesita em revelar toda a sua feiura. Portanto, do ponto de vista científico, não havia temas morais ou imorais. No romance seguinte, "O Bom crioulo" (1895), Adolfo Caminha explorou ainda mais o naturalismo, ao narrar a história de um marinheiro negro e homossexual que nutre um caso amoroso por outro marinheiro, aperfeiçoando sua crítica social. O mote que move a narrativa de "A normalista" é abuso sexual que João da Mata pratica contra a afilhada, Maria do Carmo. Ela, estudante da Escola Normal, foi criada pelo padrinho, depois que perdera a mãe na grande seca de 1877. Aos quinze anos, chamava a atenção de toda a cidade, pois, era "uma rapariga muito nova, com um belo arzinho de noviça, morena-clara, olhos cor de azeitonas, carnes rijas" (CAMINHA). Ela era ingênua e sonhadora e namorava Zuza, estudante de direito, filho do coronel Souza Nunes. Ele é descrito como "um rapaz da moda. Montava a cavalo, fazia versos, assinava a Gazeta Jurídica, frequentava o palácio do presidente..." (CAMINHA). Repleto de ciúmes e obcecado pela afilhada, João da Mata usa dos mais variados meios, incluindo chantagens psicológicas e seu poder masculino, para seduzir a afilhada, sem que sua esposa ou outras pessoas desconfiassem. Segundo o narrador do livro, Maria do Carmo "para não desagradar ao padrinho, obedecia-lhe cegamente, com a resignação indolente e fria, duma escrava. Que havia de fazer, ela uma pobre filha adotiva, se o padrinho era quem lhe dava de comer e de vestir? (CAMINHA). Acuada, Maria do Carmo foi escravizada pelos caprichos perversos do padrinho, mesmo tendo "ímpetos de reagir com toda a força do seu pudor revoltado" (CAMINHA). A personagem tinha sonhos em concluir seus estudos na Escola Normal, casar-se com Zuza, ter uma casa elegante e participar da vida social da cidade, enquanto o padrinho, como um animal no cio, estava obcecado em deflorá-la até conseguir. A cidade de Fortaleza não é apenas cenário, mas um grande personagem do romance, e nesse período, como assinala o historiador Sebastião Rogério Ponte, em "Fortaleza Belle Époque", enquanto ocorria o crescimento comercial e a concentração de capital, havia por parte da sociedade, a tentativa de assimilar padrões de comportamento e valores da burguesia europeia, vista como modelo. A casa de João da Mata, em que ocorre os pormenores da ação dramática, é descrita como "uma casinhola de porta e janela, cor de açafrão, com a frente encardida pela fuligem das locomotivas que diariamente cruzavam defronte, e donde se avistava a Estação da linha férrea de Baturité" (CAMINHA). Só nessa passagem, do primeiro capítulo do romance, observamos dois lugares, a Rua do Trilho (atual rua Tristão Gonçalves), em que passava o trem vindo da Estação ferroviária, que hoje fica na atual Praça Castro Carreira. A modernidade estava diante da casa de João da Mata, simbolizada pelos caminhos abertos pelo progresso, mas também o seu aspecto negativo através da sujeira oriunda da fuligem dos trens. Outros logradouros que aparecem na história: a Escola Normal, A Igreja do Coração de Jesus, o Colégio da Imaculada Conceição, a Igreja do Patrocínio, o "Casarão do Governo" (atual prédio da Academia Cearense de Letras), o Passeio Público, a Praça do Ferreira e a rua Formosa (rua Barão do Rio Branco). Nessa cartografia literária, é representada "a vida ruidosa e dissoluta das capitais, esse tumultuar quotidiano de virtudes fingidas e vícios inconfessáveis" (CAMINHA). A crítica à cidade é endossada com maior veemência pelo personagem Zuza. Vítima das fofocas do "Ceará Moleque", considerava a província estúpida, "uma terra de bugres... [...] em que só se fala nas secas" e que "estava doido por se ver livre de semelhante canalhismo" (CAMINHA). Zuza era um modo do autor dar voz a sua indignação, para tecer uma visão negativa e demonstrar o descompasso de Fortaleza em relação ao processo de modernização, de inspiração eurocêntrica, de outras cidades, a exemplo do Recife. A tensão civilizatória existente no romance ocorre, pois, materialmente, a província é constituída por avenidas largas, praças ornamentadas, trens, navios a vapor, jornais, mas, na esfera da vida privada, é moralmente hipócrita, em que os abusos, as violências, a patifaria e a fofoca imperavam. O escritor escolheu o tom ácido, combativo e sarcástico para reconstituir meticulosamente essa vida urbana. O desejo de ascensão social, as intrigas políticas e partidárias, as intrincadas relações familiares e afetivas e os escândalos existentes nas classes médias e nas mais endinheiradas são temas que continuam atuais. Adolfo Caminha contribuiu notavelmente para enriquecer e diversificar a ficção desenovista brasileira. Charles Ribeiro Pinheiro *Texto originalmente publicado no site Segunda Opinião, em 22/10/2020, disponível em: https://segundaopiniao.jor.br/a-normalista-a-atualidade-de-um-romance-polemico/ ADOLFO CAMINHA: Natural do Aracati, após perder a família em virtude da seca de 1877, vai para o Rio de janeiro morar com o tio. Aos dezesseis anos ingressou na Escola da Marinha, de onde saiu como oficial aos vinte anos, em 1887. No ano seguinte, transfere-se para Fortaleza, onde se apaixona por Isabel Jataí de Paula Barros, esposa de um oficial do exército. Por conta do escândalo, foi forçado a pedir demissão da Marinha, e assume compromisso com Isabel. Nos primeiros anos da década de 1890, tem uma intensa atividade jornalística na capital cearense, participando da já citada Padaria Espiritual. No fim de 1892, muda-se para o Rio de Janeiro, onde se emprega na Fazenda Federal. No ano seguinte, publica o romance A normalista que tem uma boa acolhida pelo público. Segundo Frota Pessoa: “A sua vida misérrima de empregado público ia sendo arrastada com mil pequenas privações. A família cresceu-lhe, vieram-lhe os filhos, e o ordenado tornava-se insuficiente para os mais urgentes gastos. Os martírios dessa fase da sua vida são pungentes. Publicou, apesar de tudo, mais dois livros, Bom Crioulo e Cartas literárias. escreveu a Tentação e os Pequenos contos, começou a Trad. do teatro de Balzac, lançou as bases de duas obras de fôlego, Ângelo e O Emigrado, e fundou a Nova Revista, que saiu à luz por quase um ano” (1902, p. 222-223). Depois de muitas dificuldades, com a saúde precária, falece de tuberculose em 1897, aos 29 anos. Segundo o seu confrade, Frota Pessoa, que lhe escreveu um perfil na obra Crítica e polêmica, nos relata que o escritor sempre lutou pelo reconhecimento de seu talento literário, para isso “foi o gladiador intemerato, todo de ação e de arrojos. Este não guardou consigo as suas revoltas, trouxe-as para a divulgação da imprensa e bateu-se pelas suas ideias com um ardor de propagandista”. (1902, p. 86). O crítico cearense Araripe Júnior sobre A normalista (1893), de Adolfo Caminha: “Quem quiser conhecer a cidade de Fortaleza e intoxicar-se um pouco com a barbaria semi-civilizada de uma capital provinciana, onde reina o babismo em todo o seu furor, não tem mais do que abrir o livro de Adolfo Caminha e entregar-se à leitura de suas páginas sem preocupação de crítico. Reproduzo o que escrevi algures. Enquanto se lêem aquelas páginas, vive-se um pouco no Ceará. Os acidentes físicos estão todos nos seus lugares. As ruas principais da cidade, o Passeio Público, o Trilho, o Pajeú, o Mucuripe, surgem aqui, ali, sugestivos e pitorescos. Os aspectos particulares dos costumes cearenses confundem-se a todo instante com a ação do romance.” JUNIOR, Araripe. “Movimento literário do ano de 1893”. In: Obra crítica de Araripe Júnior. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Casa de Rui Barbosa, 1863. v. III. p. 171.

  • Curso - Padaria Espiritual: Poesia, humor e molecagem em Fortaleza

    DESCRIÇÃO A Padaria Espiritual, formada na Praça do Ferreira, em Fortaleza, no final do século XIX, foi um dos mais irreverentes e famosos grêmios culturais do Ceará. Em 2023, completou 131 anos de sua fundação, constituindo-se como uma tradição cultural importante para as artes e para o humor cearense. O referido curso consiste em um passeio literário e histórico pela Fortaleza literária da Belle Époque por meio da leitura e análise dos textos dos padeiros-escritores publicados no Jornal O Pão. Contemplando cinco encontros, o curso examinará os textos publicados no Jornal O Pão (1892-1896) que expressam os estilos estéticos e os temas desenvolvidos pelos padeiros, com ênfase à poemas, crônicas, anedotas, charadas, textos humorísticos, em especial, os que tratam do cotidiano de Fortaleza. (30 vagas). OBJETIVO O objetivo do curso é apresentar a história da Padaria Espiritual, relacionando as atividades culturais do grêmio com o contexto literário de Fortaleza antiga, do fim do século XIX, assim como analisar e discutir os poemas textos humorísticos publicados no Jornal O Pão (1892-1896), enfatizando o humor como traço cultural da identidade cearense. Além disso, outro intuito importante é divulgar a história e a memória da literatura cearense, enfatizando movimentos, autores e obras que circularam na cidade de Fortaleza, no fim do século XIX. JUSTIFICATIVA A Padaria Espiritual surgiu em maio de 1892, nas cadeiras do Café Java, na Praça do Ferreira, formada por rapazes de letras e artes que queriam formar um grêmio para despertar o gosto pelas letras em Fortaleza. Os padeiros publicaram um jornal literário e humorístico chamado O pão, editado entre 1892 a 1896. A agitação que provocou na cidade, tirando-a do marasmo, devido ao desejo de socializar a literatura. Ela se notabilizou pela originalidade e pelo humor, pela difusão das estéticas e literárias, pelo lançamento e publicação de novos escritores, sobretudo, pela luta a favor do livro, da literatura e da leitura. A Padaria Espiritual é um dos marcos literários das manifestações culturais e artísticas do Ceará. Carga Horária: 10h com 5 encontros de 2h aula Aula 1 – O Humor como traço cultural cearense Aula 2 – O contexto literário da Padaria Espiritual em Fortaleza Aula 3 – Leitura do Programa de Instalação da Padaria Espiritual Aula 4 – Leitura e estudos dos textos humorísticos do Jornal O Pão Aula 5 – Leitura e estudos dos textos poéticos do Jornal O Pão Proponente: Charles Ribeiro Pinheiro - Doutor (2019) e Mestre em Letras (2011) pela UFC. Graduado em Letras pela UFC (2008), roteirista de quadrinhos e autor de livros didáticos de literatura. Vencedor do XIII Edital Mecenas (2021) SECULT-CE, com o projeto 'Padaria Espiritual em Quadrinhos' e do XII Edital Ceará de Incentivo às Artes, da SECULT-CE, com o livro “Rodolfo Teófilo Romancista”. Currículo e Portfólio, no link a seguir: https://entrelugarliteratu.wixsite.com/charlesliteraturahq/sobre Ementa Completa - Padaria Espiritual: Poesia, humor e molecagem em Fortaleza Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro[1] RESUMO: No ano de 2023, a Padaria Espiritual completou 131 anos de sua fundação, fato que assinala uma longa tradição de associações literárias no Ceará, como ressaltou o historiador Dolor Barreira (1948). Na época de sua atuação (1892-1898), a Padaria Espiritual teve repercussão nacional e internacional, sobretudo, em Portugal. Mas, afinal, o que foi a Padaria Espiritual? Ela foi uma agremiação cultural que surgiu, no final de maio de 1892, nas cadeiras do Café Java, quiosque estilo Art Nouveau que ficava na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, de propriedade de Mané Coco. O Café concentrava jovens boêmios e literatos que debatiam as novidades literárias da época. Fortaleza passava por um período de aformoseamento urbano, em que as ruas e praças e, principalmente, o Passeio Público e a Praça do Ferreira, eram palcos da efervescência social, repletas de pessoas que desfilavam entusiasmadas e influenciadas pela cultura francesa, com o desejo de fazer da cidade um tropical cenário da Belle Époque. Nesse contexto, a Padaria Espiritual foi formada pelo gracejo do poeta Antônio Sales e de jovens músicos, escritores e jornalistas que queriam criar um grêmio cultural para despertar o gosto pelas letras em Fortaleza. Porém, Antônio Sales não queria criar uma instituição séria e formal, como tantas academias que existiam, mas uma que "fosse uma cousa nova, original e mesmo um tanto escandalosa, que sacudisse o nosso meio e tivesse uma repercussão lá fora". Sales redigiu irreverente Programa de instalação, que descrevia o objetivo do grêmio de levar o 'pão do espírito", ou seja, os livros para os "sócios e aos povos em geral". A Padaria foi formada por vinte sócios (padeiros) que adotaram nomes de guerra e produziram um jornal intitulado O pão que contou com 36 números, editados entre 1892 a 1896. Como forma de homenagear os 131 anos da agremiação, o objetivo do curso é apresentar a história da Padaria Espiritual, relacionando as atividades culturais do grêmio com o contexto e o campo literário de Fortaleza, assim como analisar e discutir os textos literários publicados no Jornal O Pão. A oficina será constituída por cinco encontros em que será apresentada a história de Fortaleza em paralelo à formação do sistema literário na capital e às principais associações literárias, com destaque à Padaria Espiritual. Nos próximos encontros serão examinados os textos publicados no Jornal O pão que expressam os estilos estéticos e os temas desenvolvidos pelos padeiros, com ênfase à poemas, crônicas, ensaios, charadas, textos humorísticos, em especial, os que tratam do cotidiano de Fortaleza. Como base teórica dessa oficina, salientamos o diálogo com Dominique Maingueneau (2001), Pierre Bourdieu (1996), Antônio Candido (2000), Walter Benjamin (1989) e, sobretudo, contamos com o suporte historiográfico de Leonardo Mota (1938), Dolor Barreira (1948), José Ramos Tinhorão (1966), Sânzio de Azevedo (1983) e (1996), Eduardo Campos (1985) e Sebastião Rogério Ponte (2001). Este Curso está vinculada ao projeto ao projeto “Padaria Espiritual em Quadrinhos”. Para o bom andamento da oficina, que será presencial, compor-se-á no máximo de trinta participantes, além de uma sala equipada com datashow. [1] Doutor em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará (2019). Autor de livros didáticos de literatura e roteirista de quadrinhos. RERERÊNCIAS AZEVEDO, Otacílio de. Fortaleza descalça. Fortaleza: Edições UFC/Casa José de Alencar, 1992. AZEVEDO, Sânzio de. A Padaria Espiritual e o Simbolismo no Ceará. Fortaleza: Sec. de Cultura, 1983. 2. Ed. Fortaleza: UFC, 1996. AZEVEDO, Sânzio de (org.) O PÃO da Padaria Espiritual. Fortaleza: Academia Cearense de Letras; Edições UFC, 1982. AZEVEDO, Sânzio de. Breve história da Padaria Espiritual. Fortaleza: UFC, 2011. AZEVEDO, Sânzio. Presença do humorismo na literatura cearense. REvista de Letras, Fortaleza Nº 12 jan./fev. 1987. BARREIRA, Dolor. História da Literatura cearense. Fortaleza: Instituto do Ceará, v. I, 1948. BERGSON, Henri. O Riso – Ensaio sobre a significação da comicidade. São Paulo: Martins Fontes, 2001. MINOIS, Georges. História do riso e do escárnio. São Paulo, UNESP, 2003. MOTA, Leonardo. A Padaria Espiritual. 2. Ed. Fortaleza: UFC, 1994. PONTE, Sebastião Rogério. Fortaleza Belle Époque. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001. TINHORÂO, José Ramos. A província e o naturalismo. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966.

  • Aniversário Fernando Pessoa

    Hoje, 13 de junho, é aniversário do poeta português Fernando Pessoa. Ele nos legou uma obra poética rara na história da literatura universal, devendo isso, especialmente, à sua complexa personalidade, ou deveríamos dizer, ‘personalidades’, pois criou diversos personagens poéticos, chamados de heterônimos, cada um com seu estilo e visão de mundo distintos, cujos destaques são Alberto Caieiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares, e Fernando Pessoa-ele mesmo. Fernando António Nogueira Pessoa (nasceu no dia 13 de junho de 1888 e faleceu no dia 30 de novembro de 1935), comumente conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta, escritor, crítico literário, tradutor, editor e filósofo português, descrito como uma das figuras literárias mais significativas do século XX e um dos maiores poetas da língua portuguesa. Ele também escreveu e traduziu do inglês e do francês. Pessoa foi um escritor prolífico, e não apenas sob o seu próprio nome, pois criou cerca de setenta e cinco personalidades que não os chamou de pseudônimos, porque sentiu que não capturavam sua verdadeira vida intelectual, e em vez disso, os chamou de heterônimos. Os principais heterônimos são Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caieiro e Bernardo Soares. Participou do grupo de vanguarda Orpheu, em 1915. Dono de uma vasta produção poética, no entanto, só publicou um livro em vida, Mensagem, em 1934. “Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro, Forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim. Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei. Eu reinei no que nunca fui.”

  • Aniversário Antônio Sales

    Antônio Sales, aniversariante de hoje, nasceu em 13 de junho de 1868, no vilarejo praiano Parazinho, do Município de Paracuru. Muito jovem, veio para Fortaleza, onde trabalhou no comércio e depois na administração pública estadual. Foi Secretário do Interior e Justiça do governo do Coronel Bezerril Fontenele e Deputado à Assembleia do Estado (1893-1896). Transferindo-se para a Capital Federal, ali ocupou importantes funções no Tesouro Nacional, tendo a esse tempo militado na imprensa do Rio, onde publicou, em folhetins, o seu belo romance AVES DE ARRIBAÇÃO (em volume, 1914). Privou da amizade das mais altas figuras intelectuais, como Joaquim Nabuco, Machado de Assis, João Ribeiro e muitos outros. Regressando ao Ceará, após vinte anos de ausência, passou a residir em Fortaleza, de onde, por unânime consenso, dirigia a vida literária cearense, como Presidente efetivo e depois Presidente de Honra da Academia Cearense de Letras. Faleceu em 14 de novembro de 1940. Grande poeta e trovador, mostrou-se também um humorista e satírico de primeira ordem. Como prosador, manejava com destreza e brilho a língua vernácula. Figura de proa do movimento intelectual do Norte, com projeção decisiva na literatura nacional, Antônio Sales foi uma das glórias do patrimônio espiritual do Ceará. Fundador e elemento central da Padaria Espiritual, da qual era Padeiro-mor, com o "nome de guerra" — Moacir Jurema. Publicou, além dos livros citados: Versos diversos, 1890; Trovas do Norte, 1895; Poesias, 1900; Minha Terra, 1919, sua obra-prima poética; Águas Passadas, 1944, edição póstuma, dirigida por Faustino Nascimento — todos de poesia. Em prosa: Aves de Arribação, 1914, Retratos e Lembranças (Reminiscências literárias, 1938). Com o pseudônimo de Martins Soares, publicou O babaquara, sobre a oligarquia Accioly. Texto adaptado de Raimundo Girão, Dicionário da Literatura Cearense. Quadro: Otacílio de Azevedo. Na foto, a 2° edição do livro Retratos e lembranças de Antônio Sales, editado pela Secult em 2010, com a coordenação editorial de Raymundo Netto e organização e revisão de Sânzio de Azevedo. Esse livro, publicado em 1938, é um dos mais importantes de A. SALES, um dos fundadores da Padaria Espiritual. Composto por textos que antes saíram em jornais, é formado por deliciosas crônicas e páginas memorialísticas, em que o escritor conta histórias sobre inúmeras escritores, poetas, jornalistas e amigos. Ele fala sobre Juvenal Galeno, Mané Coco, Rodolfo Teófilo, Antônio Bezerra, além de Machado de Assis, José Veríssimo, Joaquim Nabuco, Coelho Neto. Inclusive, falas das panelinhas literárias, sobretudo, a da Academia Brasileira de letras. Há um importante texto que trata da Padaria Espiritual, que é uma das bases do roteiro do meu livro Padaria Espiritual em quadrinhos.

  • Diário de Anne Frank

    Anne Frank recebeu um diário em seu aniversário de 13 anos, em 12 de junho de 1942, no qual escreveu diariamente e planejava publicar um livro sobre seu tempo no esconderijo secreto. Seu diário foi publicado após sua morte e foi traduzido para mais de 70 idiomas. Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929, na cidade alemã de Frankfurt, e teve uma irmã, Margot, três anos mais velha. A situação na Alemanha não era a melhor: havia poucos empregos e muita pobreza. E é nesse cenário que Adolf Hitler e seu partido odiavam os judeus, culpando-os pelos problemas do país, e deram voz aos sentimentos antissemitas que prevaleceram na Alemanha. Por causa desse ódio aos judeus e da má situação do país, os pais de Anne, Otto e Edith Frank, decidem mudar-se para Amsterdã. Anne Frank cresceu na Holanda, onde se escondeu, com sua família, durante o holocausto. A Holanda foi invadida em 10 de maio de 1940 e, rapidamente, muitas leis antissemitas foram promulgadas. Anne Frank e sua família se esconderam junto com outra família chamada Van Pels. Anne recebeu seu diário como presente de aniversário pouco antes de se esconderem. Ela começou a escrever suas experiências no esconderijo. Cada entrada do diário começava com as palavras “Querida Kitty”, escrevendo para uma amiga imaginária. Anne também escreveu contos e citações de outros livros. Em 4 de agosto, os nazistas encontraram seu esconderijo e todos foram presos e enviados para diferentes campos. Seu diário foi encontrado por amigos da família que os ajudaram a se esconder e foi guardada ela voltasse. Anne infelizmente morreu apenas 2 meses antes do fim da guerra. Ela tinha 16 anos. Seu pai, Otto Frank, foi o único escondido que sobreviveu aos campos e o Diário de Anne foi dada a ele. Quando ele leu e viu como ela queria 'continuar vivendo mesmo depois de [sua] morte', ele organizou sua escrita em um diário que foi então publicado. Em 1960, o local do anexo secreto em Amsterdã tornou-se um museu chama Casa de Anne Frank, onde o diário original está em exibição.

  • 30 anos de Jurassik Park

    Existem grandes filmes e existem filmes atemporais. Em tempos, surge um filme que é tão significativo em quase todas as frentes que se torna um clássico atemporal, um ponto sem retorno para a indústria em geral. Um desses momentos ocorreu no verão de 1993, quando o diretor Steven Spielberg lançou uma das franquias de maior sucesso de sua carreira: "Jurassic Park". O filme, estrelado por Sam Neill, Laura Dern, Jeff Goldblum, é baseado no romance homônimo de 1990, do autor americano Michael Crichton, que aposta num mote de ficção científica para dar vida aos dinossauros. A premissa é que o bilionário Hammond encontrou uma maneira de clonar dinossauros a partir do DNA de mosquitos fossilizados. Então, teve a ideia de criar um parque temático para esses gigantescos animais revividos. A admiração inicial dá lugar ao terror generalizado quando o antagonista do filme, o Tyrannosaurus rex, escapa de seu cercado. Spielberg estabelece um modelo para a narrativa cinematográfica ao dar vida aos dinossauros na tela grande. Por meio de uma combinação de animatrônicos inovadores e imagens pioneiras geradas por computador, ele conseguiu fazer com que os animais extintos parecessem mais reais do que qualquer um pensava ser possível. Além disso, daquele ponto em diante, praticamente qualquer coisa que qualquer cineasta pudesse sonhar se tornaria possível – a tecnologia não era mais a principal limitação. Lançado nos cinemas em 11 de junho de 1993, "Jurassic Park" arrecadou US$47 milhões em seu fim de semana de estreia. Permaneceu no topo das paradas por três semanas e não saiu do top dez até o fim de semana de 1º de outubro. Acabou se tornando o filme de maior bilheteria de todos os tempos até aquele momento, arrecadando $357 milhões no mercado interno e $621,1 milhões no mundo, totalizando $978,1 em seu lançamento original. Ele destronou o próprio "ET" de Spielberg, que detinha o recorde por quase uma década antes. Trinta anos depois, Jurassic Park apenas poliu sua reputação como um dos melhores sucessos de bilheteria de Spielberg.

  • Desvendando os quadrinhos - Scott McCloud

    Scott McCloud (1960) é um quadrinista e teórico de quadrinhos norte-americano. Em 1993, Scott McCloud publicou seu primeiro trabalho sobre o mundo dos quadrinhos visto de dentro: Desvendando os quadrinhos. Neste livro, McCloud nos mostra que o quadrinho como produto audiovisual merece sempre um estudo aprofundado. O livro é uma importante contribuição a respeito da teoria dos quadrinhos como forma de arte e meio de comunicação. Ele explora a definição de quadrinhos, o desenvolvimento histórico do meio, seu vocabulário e as várias maneiras pelas quais esses elementos foram usados, seu funcionamento interno, ao mesmo tempo em que examina muitos aspectos da comunicação visual. McCloud teve a maravilhosa ideia de transformar seu texto em uma história em quadrinhos propriamente dita, narrada pelo personagem Scott McCloud. Essa decisão permite que ele ilustre seus pontos de dentro do texto e contribui para uma apresentação orgânica. Quando ele está explicando um conceito, ele é, ou suas palavras são, um exemplo do próprio conceito. Assim como “Os quadrinhos e a arte sequencial”, de Will Eisner; “Desvendando os quadrinhos” de McCloud, é um dos livros que melhor pode ajudar um leitor desacostumado com o mundo dos quadrinhos a entender os mecanismos narrativos e as possibilidades dessa arte que nos prende a todos. O livro tornou-se o texto obrigatório para cursos universitários sobre histórias em quadrinhos e estendeu sua influência a mídias artísticas como as artes digitais. Continua sendo uma leitura oportuna e valiosa, especialmente para nós, entusiastas de quadrinhos.

  • Sânzio de Azevedo - Dez ensaios de Literatura Cearense

    Importante livro do pesquisador Sânzio de Azevedo. Dez ensaios de literatura Cearense foi publicado em 1985, é o sexto volume da coleção "Alagadiço Novo", dos programas culturais da Casa de José de Alencar, órgão da Universidade Federal do Ceará. Eu adquiri esse livro em 2005, e me auxiliou bastante na pesquisa sobre Rodolfo Teófilo, com um artigo sobre a polêmica entre ele e Adolfo Caminha sobre a veracidade dos fatos da seca de 1877 narrados no romance A fome (1890). Desse livro, há dois ensaios que constantemente releio, um que uma breve história do conto cearense e outro sobre Rachel de Queiroz e o romance da seca. Eis o sumário do livro e títulos dos ensaios: 1. O Conto Cearense, de Galeno ao Grupo Clã. 2. Júlio Maciel e a Poesia de Seu Tempo. 3. Dolor Barreira, Historiador da Literatura Cearense. 4. Rodolfo Teófilo e o Amor à Verdade. 5. Relendo Herman Lima. 6. Um Poema de Raimundo Varão. 7. José Alcides Pinto -Vanguardista e Romântico. 8. Milton Dias, Mestre da Crônica. 9 Otacílio Colares e a Coroa de Sonetos. 1 O. Rachel de Queiroz e o Romance da Seca.

  • 131 anos da Padaria Espiritual

    Hoje é o aniversário de 131 anos da Padaria Espiritual. A Padaria Espiritual foi formada por jovens escritores, nas cadeiras do Café Java, quiosque que ficava na Praça do Ferreira, que queriam criar um grêmio literário para despertar o gosto pelas letras em Fortaleza, mas Antônio Sales, não queria criar uma instituição séria e formal, como outras que existiam na cidade. Ele só participaria se o grupo “fosse uma coisa nova, original e escandalosa”, que sacudisse a cidade e “tivesse grande repercussão”. Os padeiros publicaram um jornal chamado O pão, que contou com 36 números, editados entre 1892 a 1896. A agitação que a Padaria provocou na cidade, tirando-a da mesmice, ocorreu pelo desejo de seus membros de socializar a literatura, apesar das dificuldades e do descaso da burguesia.

  • Aniversário de Adolfo Caminha

    Hoje, 29 de maio, é aniversário de Adolfo Caminha, grande escritor cearense e membro da Padaria Espiritual Natural do Aracati, após perder a família em virtude da seca de 1877, vai para o Rio de janeiro morar com o tio. Aos dezesseis anos ingressou na Escola da Marinha, de onde saiu como oficial aos vinte anos, em 1887. No ano seguinte, transfere-se para Fortaleza, onde se apaixona por Isabel Jataí de Paula Barros, esposa de um oficial do exército. Por conta do escândalo, foi forçado a pedir demissão da Marinha, e assume compromisso com Isabel. Nos primeiros anos da década de 1890, tem uma intensa atividade jornalística na capital cearense, participando da já citada Padaria Espiritual. No fim de 1892, muda-se para o Rio de Janeiro, onde se emprega na Fazenda Federal. No ano seguinte, publica o romance A normalista que tem uma boa acolhida pelo público. Segundo Frota Pessoa: “A sua vida misérrima de empregado público ia sendo arrastada com mil pequenas privações. A família cresceu-lhe, vieram-lhe os filhos, e o ordenado tornava-se insuficiente para os mais urgentes gastos. Os martírios dessa fase da sua vida são pungentes. Publicou, apesar de tudo, mais dois livros, Bom Crioulo e Cartas literárias. escreveu a Tentação e os Pequenos contos, começou a Trad. do teatro de Balzac, lançou as bases de duas obras de fôlego, Ângelo e O Emigrado, e fundou a Nova Revista, que saiu à luz por quase um ano” (1902, p. 222-223). Depois de muitas dificuldades, com a saúde precária, falece de tuberculose em 1897, aos 29 anos. Segundo o seu confrade, Frota Pessoa, que lhe escreveu um perfil na obra Crítica e polêmica, nos relata que o escritor sempre lutou pelo reconhecimento de seu talento literário, para isso “foi o gladiador intemerato, todo de ação e de arrojos. Este não guardou consigo as suas revoltas, trouxe-as para a divulgação da imprensa e bateu-se pelas suas ideias com um ardor de propagandista”. (1902, p. 86). [Cada escritor obedece a uma lei fatal, cada artista é, por assim dizer, um escravo de suas próprias tendências, quaisquer que elas sejam, e ninguém tem o direito de o censurar unicamente porque não escreve entre uma gramática, um dicionário, uma “rija lima de aço” e um tratado da psicologia. A forma, como a ideia, é sempre original no verdadeiro artista. [...] escritor possui talento, é um espírito superior dominado pela ambição de deixar uma obra rara, e neste caso, saberá exprimir numa linguagem superior e artística, as menores vibrações de sua alma, ou é um medíocre, um ambicioso vulgar, um imitador irresponsável, simbolista hoje, amanhã naturalista, depois de amanhã qualquer outra cousa... e então só merece o desprezo, a indiferença dos contemporâneos. A forma é quase tudo na Arte, dizem; creio, porém, que a sinceridade é tudo...] Trechos da obra Cartas Literárias. O crítico cearense Araripe Júnior sobre A normalista (1893), de Adolfo Caminha: “Quem quiser conhecer a cidade de Fortaleza e intoxicar-se um pouco com a barbaria semi-civilizada de uma capital provinciana, onde reina o babismo em todo o seu furor, não tem mais do que abrir o livro de Adolfo Caminha e entregar-se à leitura de suas páginas sem preocupação de crítico. Reproduzo o que escrevi algures. Enquanto se lêem aquelas páginas, vive-se um pouco no Ceará. Os acidentes físicos estão todos nos seus lugares. As ruas principais da cidade, o Passeio Público, o Trilho, o Pajeú, o Mucuripe, surgem aqui, ali, sugestivos e pitorescos. Os aspectos particulares dos costumes cearenses confundem-se a todo instante com a ação do romance.” JUNIOR, Araripe. “Movimento literário do ano de 1893”. In: Obra crítica de Araripe Júnior. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Casa de Rui Barbosa, 1863. v. III. p. 171.

  • 29 de maio Dia do Geógrafo

    29 de maio, dia do Geógrafo. Parabéns a todos os professores e pesquisadores, que auxiliam a nos situar no mundo, tanto espacialmente, quanto politicamente. “Nunca, na história da humanidade, houve condições técnicas e científicas tão adequadas a construir um mundo da dignidade humana. Apenas, essas condições foram expropriadas por um punhado de empresas que decidiram construir um mundo perverso. Cabe a nós fazer dessas condições materiais a condição material da produção de uma outra política.” Milton Santos (1926-2001).

  • Moreira Campos - Contos escolhidos

    Meu exemplar autografado desse importante livro de Moreira Campos “Contos Escolhidos”, de 1971. O gênero conto de feição moderna só se estabeleceu com vigor no Ceará, na década de 1940, nos números da Revista do Grupo Clã, com Braga Montenegro, Moreira Campos, Fran Martins, Eduardo Campos e Lúcia Martins, tidos como novos contistas da época. Segundo o escritor cearense Herman Lima, no livro “Variações sobre o conto”, Moreira Campos “é um mestre do conto moderno, desde o aparecimento do seu primeiro livro, Vidas Marginais (1949), no qual há pelo menos uma obra-prima do conto universal desta hora, “Lama e Folhas” [...] “As pequenas ou grandes tragédias, as comédias ocultas do cotidiano burguês, fixadas por ele, ganham, em sua mão experiente, uma especificidade que o aproxima dos maiores nomes do conto psicológico de todos os tempos, de Machado de Assis para cá, inclusive e principalmente Tchecov, de sua íntima e fiel convivência, ou, mais perto de nós, de um Joyce dos Dubliners ou um Sherwood Anderson, de Winesburg Ohio”. Além dos magníficos contos selecionados para a obra, há um interessante prefácio, em que o escritor Moreira Campos define o gênero “conto”: “um momento, um ‘flash’, uma fatia de vida, uma impressão, uma mancha, como querem alguns” (1971, p. 12). Essa definição sobre o gênero, apoia-se na visão tchecoviana. É uma visão modernista, pela qual o conto deve ser o mais enxuto possível, ter o mínimo de detalhes, mas com um forte poder de síntese e significação de suas palavras e frases. Moreira Campos é o mestre do conto, não apenas no Ceará, mas no Brasil. Merece ser lido, estudado e valorizado. CAMPOS, Moreira. Contos escolhidos. Fortaleza: Imprensa Universitária da UFC, 1971.

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