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- Fortaleza literária: romances e espaços urbanos
Ementa: O Curso "Fortaleza literária: romances e espaços urbanos" consiste no estudo de quatro romances clássicos de autores cearenses que têm a cidade de Fortaleza como principal cenário para o desenvolvimento de suas tramas, enfatizando as representações ficcionais dos espaços urbanos em seus contrastes e mutações, além de desenvolver a interdisciplinaridade entre a Literatura, a História e o Urbanismo. O curso examinará a cidade de Fortaleza nos seus variados aspectos formais: como cenário, como tema, como personagem, como antagonista, como alegoria e como evento desencadeador da criação ficcional. Serão privilegiados romances do realismo-naturalismo, tais como "A afilhada" (1889), de Oliveira Paiva; "A Fome" (1890), de Rodolfo Teófilo; "A normalista" (1893), de Adolfo Caminha e um romance do regionalismo de 30, "O Quinze" (1930), de Rachel de Queiroz. Esse Curso é integrante do Projeto de extensão "O entre-lugar na literatura cearense", coordenado pelo Prof. Charles Ribeiro Pinheiro, desenvolvido durante o Doutorado em Letras da UFC, entre 2015-2019, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva, com o propósito de investigar a formação da literatura produzida e lida no Ceará. A aula inaugural acontece no dia 13/9, no Youtube da Biblioteca Pública do Ceará, das 15h às 18h. Já nos dias 16, 20, 23, 27, 28 e 30/09 os encontros acontecem em sala fechada, das 15 às 18h. Objetivo geral: estudar as representações do cenário urbano de Fortaleza em quatro romances cearenses clássicos publicados na passagem do século XIX e início do XX. Objetivos específicos: Estudar quatro romances de autores cearenses do século XIX e XX; Enfatizar as representações ficcionais do espaço urbano de Fortaleza em seus contrastes e mutações; Divulgar a História da literatura cearense e servir de canal de divulgação para o público em geral; Fomentar e valorizar atividades educacionais e culturais ao contemplar as esferas da leitura, livro, literatura. DESCRIÇÃO DOS CONTEÚDOS 13/09/2021 - 1ª Aula - Fortaleza e seu contexto literário; 16/09/2021 - 2ª Aula - Introdução à Literatura Cearense; 20/09/2021 - 3ª Aula - "A Fome" (1890), de Rodolfo Teófilo; 23/09/2021 - 4ª Aula - "A afilhada" (1889), de Oliveira Paiva; 27/09/2021 - 5ª Aula - "A normalista" (1893), de Adolfo Caminha; 28/09/2021 - 6ª Aula - "O Quinze" (1930), de Rachel de Queiroz; 30/09/2021 - 7ª Aula - Debate geral sobre os romances. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, Otacílio de. Fortaleza descalça. Fortaleza: Edições UFC/Casa José de Alencar, 1992. AZEVEDO, Sânzio de. Adolfo Caminha: vida e obra. Fortaleza: Casa José de Alencar/UFC, 1997. BARREIRA, Dolor. História da Literatura Cearense. Fortaleza: Editora Instituto do Ceará, 1948. BENEVIDES, Artur Eduardo. Evolução da Poesia e do Romance Cearense. Fortaleza: Imprensa Universitária/UFC, 1976. CANDIDO, Antônio. O Discurso e a Cidade. 3. ed. São Paulo; Rio de Janeiro: Ed. Ouro sobre Azul; Duas Cidades, 2004 CAMINHA, Adolfo. A normalista. Fortaleza: Editora ABC, 1997. CLOTILDE, Francisca. A divorciada. 2a ed. atualizada, acrescida de estudos críticos de Otacílio Colares, Angela Barros Leal e Nádia Battella Gotilib. Ceará: Editora Terra Bárbara, 1996. MONTENEGRO, Abelardo F. O romance cearense. Fortaleza: Casa de José de Alencar/UFC, 1993. OLIVEIRA, Caterina Maria de Saboya. Fortaleza: seis romances, seis visões. Fortaleza: Edições UFC, 2000. PAIVA, Manuel de Oliveira. A Afilhada. In: PINTO, Rolando Morel. Manuel de Oliveira Paiva: obra completa. Rio de Janeiro: Graphia Editorial, 1993. PONTE, Sebastião Rogério. Fortaleza Belle Époque. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001. RAMA, Angel. A cidade das letras. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1984. SÜSSEKIND, Flora. Tal Brasil, qual romance?. Rio de Janeiro: Achiamé, 1984. TEÓFILO, Rodolfo. A fome/Violação. Rio de Janeiro: José Olympio; Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1979. TINHORÂO, José Ramos. A província e o naturalismo. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966. O Curso "Fortaleza literária: romances e espaços urbanos" é ministrado em parceria da Biblioteca Pública do Ceará como parte da programação do Projeto Arte em Rede, organizado pela Secretaria de Cultura do Ceará com sua rede de equipamentos culturais e o Instituto Dragão do Mar. Esta Convocatória tem como objetivo selecionar conteúdos que irão integrar as programações artísticas dos equipamentos culturais de formação e difusão, realizadas em ambiente virtual por meio das plataformas digitais e redes sociais, além de compor um acervo público de obras de artistas, grupos e profissionais da cultura do estado do Ceará e estimular a criação, fomento e difusão artística por meio virtual. Charles Ribeiro Pinheiro: Professor de Literatura, graduado em Letras pela Universidade Federal do Ceará (2008). Mestre (2011) e Doutor em Literatura Comparada (2019), pela UFC, com pesquisas sobre o escritor cearense Rodolfo Teófilo. Coordenador do projeto de extensão e docência "O entre-lugar na Literatura cearense" (2015-2018). Além de roteirista de quadrinhos, é autor de livros didáticos de literatura. Foi Professor Conteudista do Curso de Literatura Cearense, promovido pela Fundação Demócrito Rocha, em 2020, e vencedor do Edital Mecenas (2019) da Secretaria de Cultura do Ceará e do Prêmio da Lei Aldir Blanc-Inciso III/Fortaleza, em 2020, pela SecultFor.
- Coleção Vaga-lume - leituras que marcaram a infância
Leituras que marcaram a infância e juventude. Dos quatro aos nove anos, eu lia muitas histórias em quadrinhos, contos de fada, livros de lendas e mitologias, livros didáticos. Aos 10 anos, foi um livro da coleção Vaga-lume, que constituiu o primeiro romance infanto-juvenil que li e não parei mais. Depois, li praticamente todos os exemplares da Coleção Vaga-lume da biblioteca da minha Escola (Colégio Padre José Nilson). Esses livros foram a base da minha formação literária e a porta de entrada para a leitura de mais livros, romances brasileiros e universais. Tenho muito carinho por essa coleção. Assim como eu, muitas pessoas se iniciaram na leitura de livros literários por meio dessa coleção. A Série Vaga-Lume é uma coleção de livros brasileiros voltada para o público infanto-juvenil, lançada em janeiro de 1973, pela Editora Ática. Foram mais de cem livros publicado dos anos 1970 aos anos 2000. O seu catálogo é dividido entre as séries Vaga-Lume e Vaga-Lume Jr., para leitores com faixa etária entre 10 e 20 anos. Foram livros muito populares que faziam parte das bibliotecas de quase todos os colégios. Além da publicação de autores consagrados, a coleção também lançou novos escritores como Marçal Aquino e Marcos Rey, que conta com inúmeros livros publicados. Os meus livros favoritos são "O feijão e o sonho", de Orígenes Lessa, "A turma da Rua Quinze", de Marçal Aquino, "O escaravelho do Diabo", de Lúcia Machado de Almeida", "Menino de Asas", de Homero Homem e "O Mistério do Cinco Estrelas", Marcos Rey. E vocês, quais os seus livros favoritos da coleção Vaga-lume? Quais livros marcaram sua infância ou adolescência?
- 129 anos da Padaria Espiritual no Ceará
Há 129 anos, em 30 de maio de 1892, surgia a Padaria Espiritual, o acontecimento literário que agitou culturalmente Fortaleza, na passagem do século XIX para o XX. A agremiação se formou nas cadeiras do Café Java, quiosque estilo art nouveau que ficava na Praça do Ferreira (centro da cidade), de propriedade de Mané Cocô, que concentrava jovens boêmios, artistas e literatos que debatiam as novidades literárias da época. A cidade de Fortaleza do final do século XIX e início do século XX foi um espaço de riquíssima efervescência cultural e política. O fator gerador dessa agitação foi o rápido desenvolvimento econômico da capital cearense, em virtude da exportação de algodão para a Inglaterra, durante as décadas de 1860-1870. Ocorreu um amplo desenvolvimento material na capital, que poucos anos antes era apenas uma cidade provinciana, cujo centro econômico passou a ser a Praça do Ferreira. Devido ao desejo dos jovens letrados e bacharéis de se modernizar e de se atualizar com as novidades intelectuais e artísticas, houve uma intensa e difícil procura por livros, que eram comprados, emprestados, lidos e discutidos nas ruas, praças, cafés, livrarias, gabinetes de leituras, clubes e agremiações literárias. O fundador e animador dessa padaria singular foi Antonio Sales, jovem poeta de 24 anos (autor do livro "Versos diversos", 1890), foi instigado pelos gracejos de seus amigos Lopes Filho, Ulisses Bezerra, Sabino Batista, Álvaro Martins, Temístocles Machado, Tibúrcio de Freitas, nas festivas reuniões no Café Java, no fim de maio de 1892. Os jovens escritores queriam criar um grêmio literário para despertar o gosto pelas letras em Fortaleza, mas Antônio Sales não queria criar uma instituição séria e formal, como tantas outras que existiam. Ele concordaria em organizar o grupo "só se fosse uma cousa nova, original e mesmo um tanto escandalosa", que sacudisse a cidade e "tivesse uma repercussão lá fora". O Programa de Instalação, que contou com 48 artigos bem-humorados, redigido por Antônio Sales, foi lido na primeira reunião oficial da agremiação em 30 de maio. Publicado nos jornais da cidade, ficou conhecido e foi comentado por todo o país, por sua criatividade e irreverência. O Programa destacava várias missões para criar e estimular a literatura no Ceará, tais como o artigo 1: "Fica organizada, nesta cidade de Fortaleza, capital da "Terra da Luz", antigo Siará Grande, uma sociedade de rapazes de Letras e Artes, denominada Padaria Espiritual, cujo fim é fornecer pão de espírito aos sócios em particular, e aos povos, em geral". Além da meta ambiciosa, a metáfora ligada ao ofício da panificação é outra nota humorística do grupo, um modo de parodiar as agremiações literárias sérias e sisudas que já existiram na província. O grêmio foi formado por vinte sócios (padeiros), que adoraram nomes de guerra e, posteriormente, em 1894, houve uma reorganização, em que alguns membros saíram e entraram mais quatorze. Os padeiros mais destacados foram Antônio Sales; Adolfo Caminha; Jovino Guedes; Tibúrcio de Freitas; Ulisses Bezerra; Álvaro Martins; Temístocles Machado; Sabino Batista; Henrique Jorge; Lívio Barreto; Luís Sá; José Carlos Junior; Rodolfo Teófilo; Almeida Braga; Valdemiro Cavalcante; Antônio Bezerra; José Carvalho; Xavier de Castro e José Nava. As reuniões eram chamadas de 'fornadas', onde os padeiros se juntavam para discutir literatura, filosofia e política, para divulgar suas produções artísticas e literárias e contar piadas. Os padeiros publicaram um jornal intitulado O pão, que contou com 36 números, editados entre 1892, 1894 e 1895 a 1896. A agitação que a Padaria provocou na cidade, tirando-a do marasmo, deve-se ao desejo de seus membros de socializar a literatura, apesar das dificuldades e do descaso da burguesia. Como salienta o pesquisador Sânzio de Azevedo, um dos marcos da Padaria foi a de ser uma das divulgadoras da estética simbolista no Brasil. O livro de poemas simbolistas "Phantos", do padeiro Lopes Filho, com prefácio de Antônio Sales, foi colocado à venda em 1893, em Fortaleza, um mês antes da publicação de Broquéis de Cruz e Sousa. Além da influência de poetas simbolistas franceses e portugueses, entre os padeiros havia uma variedade de estilos literários como o parnasianismo, o romantismo, o realismo e naturalismo. Havia artistas como o músico Henrique Jorge e o ilustrador Luís Sá. Os padeiros não viviam apenas de pilherias, eles eram bastante conscientes do papel social da literatura. Assim como outras associações anteriores, eles tinham um desejo progressista (de influência republicana e iluminista), de desenvolver as letras do "Norte" (atual Nordeste), sobretudo, ambicionando a Padaria como um núcleo da Literatura no Ceará. Os problemas que os padeiros discutiam em suas reuniões e nos textos do jornal O Pão, passados 129 anos, infelizmente, continuam atuais: o descaso geral em relação à democratização da educação e da cultura, as dificuldades de obter livros e de publicar suas produções literárias numa cidade sem leitores, a inexistência de políticas públicas de acesso aos livros. A Padaria Espiritual se notabilizou pela originalidade e pelo humor, pela difusão das estéticas literárias da época, pela divulgação das novidades culturais, científicas e políticas que ocorriam no Brasil e no estrangeiro, pelo lançamento e publicação de novos escritores, e, sobretudo, pela luta a favor do livro, da literatura e da leitura no Ceará. A Padaria Espiritual é um dos marcos literários das manifestações culturais e artísticas do Ceará. A literatura como agitação e resistência. Charles Ribeiro Pinheiro
- Breve comentário sobre o gênero Fábula
Fábula (palavra derivada do latim "fari" - falar e do grego "phao" - dizer) é uma forma narrativa breve que, tal como o apólogo e a parábola, tem o propósito de ensinar virtudes aos homens. Suas personagens são animais falantes que se comportam como humanos. Nela, as situações narradas sempre denunciam os erros de comportamento que resultam na exploração do homem pelo homem. No universo cultural ocidental, considera-se como primeiro fabulista de prestígio o escravo grego Esopo (século VI a. C.). Äsop (Esopo). Data 1639-1640. Diego Velásquez Esopo, escravo liberto, foi o introdutor da fábula na Grécia (séc. VI a.C) na tradição escrita. Seu repertório é constituído de inúmeras fábulas e apólogos. Seus textos, além de divertir, tinham o objetivo de educar a alma, através de enredos alegóricos, cujas tramas eram desenvolvidas por animais. No final de cada fábula, havia uma lição moral. Séculos depois, um monge grego chamado Planúdio, no século XIV, reuniu os textos do fabulista e publicou a obra Vida de Esopo. Outro autor de fábulas de destaque é o romano Fedro, que atuou no século I a.C. Enquanto as fábulas de Esopo primavam pela astúcia, as de Fedro eram amargas e pessimistas, refletindo alegoricamente o contexto histórico romano em que viveu. Ilustração de Jean de La Fontaine No século XVII, na França, o escritor francês Jean de La Fontaine foi responsável por popularizar o gênero em toda Europa. La Fontaine publica, no ano de 1668, a obra Fábulas Escolhidas. O livro é uma coletânea de 124 fábulas, dividida em seis partes. La Fontaine dedicou esse livro ao filho do rei Luís XIV. Na verdade, ele não elaborou novas fábulas, o que fez, com bastante maestria, foi recontar as fábulas da tradição greco-latina, revisitando Esopo e Fedro. As fábulas foram moldadas num estilo clássico, transformadas em instrumentos satíricos. O autor francês critica o caráter e os costumes da época, utilizando os animais para retratar os vícios e as maldades dos homens. Os animais se constituíram, ao longo do tempo, em símbolos seculares. Por exemplo, o leão apesar de representar nobreza, também simboliza a tirania e o despotismo, a raposa simboliza a esperteza, a formiga o trabalho, etc. A raposa e as uvas, ilustrado por Milo Winter, em uma antologia de Esopo (1919). Exemplo de Fábula: A raposa e as uvas, de Esopo Uma raposa estava com muita fome e viu um cacho repleto de uvas numa rama. Quis pegá-lo, mas não conseguiu. Ao afastar, disse para si mesma: - Estão verdes. O homem que culpa as circunstâncias fracassa e não vê que o incapaz é ele mesmo.
- Dia do Profissional de Letras
Hoje é o Dia do profissional de Letras e dia da Língua Nacional. Parabéns a todos os amigos e colegas que trabalham, arduamente nessa realidade atroz, para levar os livros e a literatura a todos, uma leitura conscientizadora, que nos eleva e que nos faz questionar. Som, voz, discurso, signo, símbolo, língua, linguagem, palavra e poesia são nossos objetos e instrumentos de trabalho. Como nos diz Antônio Cândido a respeito da literatura como uma importante experiência humanizadora, porque ela é "algo que exprime o homem e depois atua na própria formação do homem". Viva as letras. Leitura é resistência
- Gilmar de Carvalho - A cultura cearense em luto
Gilmar de Carvalho, jornalista, pesquisador e professor aposentado do curso de comunicação da UFC, nos deixou na noite do último sábado, em decorrência da covid-19. Uma vida dedicada ao amor pela cultura popular, ao cordel, ao jornalismo e à literatura. Todos nós aprendemos muito com ele. O seu legado é imenso. Grande jornalista e pesquisador, orientou inúmeros pesquisadores. Escreveu peças de teatro, contos, livros de ensaios sobre cultura popular, sobre cordel, sobre música, valorizando sempre as dinâmicas das tradições culturais. Ativo e incansável, lutando sempre para registrar e valorizar variadas expressões culturais do nosso povo. E como romancista, nos legou Parabélum (1977), um dos maiores romances cearenses do século XX. Fica registrada nessa postagem, alguns momentos da homenagem que ocorreu em virtude dos 40 anos de publicação do romance Parabélum, organizado pelo Acervo do Escritor Cearense, da Biblioteca de Ciências Humanas da UFC, e do Projeto Entre-lugar na Literatura Cearense, em 17 de novembro de 2017. Nesse dia, houve palestras e uma mostra de documentos do Arquivo Pessoal de Gilmar de Carvalho, com curadoria da pesquisadora Lídia Barroso. O Evento ocorreu na Biblioteca de Ciências Humanas da UFC.E também outras fotos de 2018 ocorreram durante o evento sobre Clarice Lispector. O legado de Gilmar de Carvalho para a cultura e a literatura cearense é vastíssimo. É um exemplo para que nós possamos continuar a cultivar as nossas tradições. Cultura é movimento, é continuidade. Viva Gilmar de Carvalho. A Secult lançou "MEMORIAL - Gilmar de Carvalho", em homenagem ao professor, pesquisador e escritor, com organização de Mona Gadelha e Fabiano Piubá. "A partir da notícia da partida de Gilmar de Carvalho, que abalou e comoveu a todos e todas, inúmeras manifestações foram publicadas na imprensa e nas redes sociais, vindas de todo o Brasil. Ao colecionar esses textos de amor e despedida de nosso grande escritor, pesquisador e professor, foi se formando um memorial com a intenção de perenizar esse momento, em que se não pudemos nos abraçar pessoalmente, possamos tentar nos consolar com as palavras", texto de apresentação do livro. A Secult Ceará celebra a vida, a obra e a saudade de Gilmar de Carvalho que marcou profundamente a cultura cearense. O livro pode ser baixado gratuitamente no link abaixo, no site da Secult: https://www.secult.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/43/2021/08/Livro-Gilmar-de-Carvalho-Memorial-Secult-Ceara.pdf
- Úrsula - Maria Firmina dos Reis
Maria Firmina dos Reis, nascida em 1822 e falecida em 1917, foi uma escritora maranhense, professora, musicista e fundadora da primeira escola mista no Brasil. Atualmente, é considerada a primeira mulher negra a publicar um romance no Brasil, Úrsula, em 1859. Segundo o pesquisador Eduardo de Assis Duarte, até poucas décadas atrás, era desconhecida para a maioria dos brasileiros. Publicado com o pseudônimo “uma maranhense” e numa província distante da Corte carioca, essa múltipla condição de mulher, negra, bastarda, nordestina ocasionou o desinteresse e o silêncio da crítica especializada da época. Ainda, segundo Duarte, ela não aparece nas histórias literárias de Sílvio Romero e José Veríssimo e, posteriormente, o “romance está ausente das páginas de Antônio Candido, Afrânio Coutinho, Lúcia Miguel Pereira, Nelson Werneck Sodré e Alfredo Bosi, entre outros” (2018). A situação mudou quando o bibliófilo Horácio de Almeida encontrou um exemplar de Úrsula em um sebo no Rio de Janeiro. A escrita da autora lhe despertou atenção e em 1975 publica a segunda edição da obra. O romance é precursor da temática abolicionista na literatura brasileira, pois antecede a poesia de Castro Alves e a publicação de Escrava Isaura, de 1875, romance de Bernardo Guimarães. Ela trabalhou no ensino entre 1847 a 1881. Foi bastante atuante na imprensa maranhense, contribuindo em jornais como A imprensa, Semanário Maranhense, Echo da Juventude, O domingo e A pacotilha, todos de São Luís do Maranhão. Nos seus textos, fica patente a defesa da causa abolicionista e busca por igualdade entre brancos e negros, inclusive entre homens e mulheres. Por conta dos vários conflitos associados à sua condição, nutriu uma mentalidade romântica, engajada e melancólica. O que a diferencia dos outros romancistas da época, é que o seu tratamento dado ao problema da escravidão é da perspectiva feminina e negra, ou seja, o lugar de fala, o olhar e a voz do ‘outro’, tantas vezes silenciadas. Texto escrito a partir da leitura de Úrsula e do artigo “Maria Firmina dos Reis e os primórdios da ficção afro-brasileira”, por Eduardo de Assis Duarte, no portal Literafro, da UFMG.
- Émile Zola - Thésère Raquin
O escritor francês Émile Zola (1840-1902) desenvolveu a estética naturalista e foi o seu principal propagandista. Iniciou a carreira com a publicação de alguns folhetins românticos, mas com a publicação do romance Thérèse Raquin, em 1867, Zola iniciou o Naturalismo na Europa. Ele escreveu no prefácio da obra os seus propósitos literários: “Em Thérèse Raquin, eu quis estudar temperamentos e não caracteres. Aí está o livro todo. Escolhi personagens soberanamente dominadas pelos nervos e pelo sangue, desprovidas de livre-arbítrio, arrastadas a cada ato de sua vida pelas fatalidades da própria carne (...) começa a compreender (espero-o) que o meu objetivo foi acima de tudo um objetivo científico. Criadas minhas duas personagens, Thérèse e Laurent, dei-me com prazer a formular e a resolver certos problemas; assim, tentei explicar a estranha união que se pode produzir entre dois temperamentos diferentes e mostrei as perturbações profundas de uma natureza sanguínea em contato com uma natureza nervosa (...) Fiz simplesmente em dois corpos vivos o trabalho analítico que os cirurgiões fazem em cadáveres” (ZOLA, Émile, 2001, p. 10). Com a repercussão desse primeiro romance, em 1871, surgem os dois primeiros volumes da série La fortune des Rougon-Macquart (A fortuna dos Rougon-Macquart) e La cure (A presa), obras que faziam parte do projeto naturalista de investigar cientificamente a sociedade francesa. Houve muitos protestos na imprensa, pois os romances foram acusados de obscenos. Zola não se importou com as críticas e continuou a escrever e a publicar. No ciclo dos Rougon-Macquart, as obras que obtiveram maior repercussão e que transformaram Zola em celebridade literária foram Naná (1879) A taberna (1876) e Germinal (1885).
- Dragão do mar e a Abolição do Ceará
Hoje é comemorada, 25 de março, a Data Magna do Ceará, que celebra o marco histórico do fim da escravidão no nosso estado. O Ceará foi a primeira província brasileira a libertar os escravos, no dia 25 de março de 1884 -, há 137 anos. O Ceará se antecipou em quatro anos à abolição da escravatura em todo o Brasil, que ocorreu somente em 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea. Como indicação de leitura sobre a Campanha abolicionista cearense, indico o belo livro do escritor e artista plástico, o saudoso Audifax Rios, intitulado "Dragão do Mar e seu tempo - Cem anos do Derradeiro Brado do Chico da Matilde", publicado em 2014. Audifax Rios lançou esse almanaque sobre os 100 anos de morte de Dragão do Mar e sobre histórias da Praia do Peixe, narrando vários fatos e personagens que traçam a história do movimento, ressaltando o Ceará como pioneiro na abolição, e também a viagem de Chico da Matilde (Dragão do Mar) ao Rio de Janeiro, então capital do país. Um livro que fala de personagens e da importante luta para a libertação da população negra e contra a barbárie do regime escravocrata. Além dos textos, Audifax estampou o livro com dezenas de ilustrações que remetem à arte da xilogravura. O projeto gráfico e a diagramação couberam a João Rios, filho de Audifax, e a Charles Monte.
- Curso Fortaleza em quatro romances
A partir de segunda-feira, dia 15/03, está com inscrições abertas o Curso "Fortaleza em quatro romances", ação cultural que faz parte da programação do Projeto Arte Urgente: janelas formativas, ministrado por mim. Curso "Fortaleza em quatro romances" tem como finalidade ressaltar a memória literária da capital do Ceará por meio do estudo de quatro romances cearenses clássicos publicados na passagem do século XIX e início do XX: "A afilhada" (1889), de Oliveira Paiva; "A Fome" (1890), de Rodolfo Teófilo; "A normalista" (1893), de Adolfo Caminha e "A divorciada" (1899), de Francisca Clotilde. Confira os Cursos Livres das Janelas Formativas. As inscrições começam segunda-feira, 15/03. Neste momento, estarão disponíveis 20 opções de cursos e o preenchimento das vagas é por ordem de inscrição. O link para inscrições estará disponível no link a seguir: https://arteurgente.com.br/janelas-formativas-08-curso-fortaleza-em-quatro-romances/ O Arte Urgente é resultado de ação da Lei Aldir Blanc no Ceará. Conta com a Realização do Instituto BR, da Quitanda Soluções Criativas e dos Laboratórios Culturais, em colaboração com a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult); Produção Executiva da Cinco Elementos Produções e Marco Zero; e Apoio Institucional do Porto Dragão por meio do Instituto Dragão do Mar e da Universidade Estadual do Ceará (UECE); Apoio: Lei Aldir Blanc, Ministério do Turismo, Secretaria Especial de Cultura, Governo Federal. EMENTA DO CURSO O Curso "Fortaleza em quatro romances" tem como finalidade ressaltar a memória literária da capital do Ceará por meio do estudo de quatro romances clássicos publicados no século XIX, servindo de canal de divulgação da literatura cearense para o público em geral. Esse Curso é integrante do Projeto de extensão "O entre-lugar na literatura cearense", coordenado pelo Prof. Charles Ribeiro Pinheiro, desenvolvido durante o Curso de Doutorado em Letras da UFC, entre 2015-2019, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva, com o propósito de investigar a formação da literatura produzida e lida no Ceará. O Curso "Fortaleza em quatro romances" consiste em aulas que abordarão quatro romances clássicos de autores cearenses que têm a cidade de Fortaleza como principal cenário para o desenvolvimento de suas tramas, enfatizando as representações ficcionais do espaço urbano em seus contrastes e mutações e desenvolvendo a interdisciplinaridade entre a Literatura, a História e o Urbanismo. Ou seja, as aulas abordarão os romances, observando Fortaleza nos seus variados aspectos formais: a cidade como cenário, como tema, como personagem, como alegoria, enfim como evento desencadeador da criação ficcional, palco ideal para os cantos de amor e de ódio, de louvores e de denúncias. São dez encontros de duas horas cada, abordando os romances, ministrado de modo remoto por plataforma de vídeo on-line (Meet ou Zoom, a definir). As aulas estão construídas de forma didática para o público geral, úteis e atrativas, tanto quanto para jovens, quanto para universitários, adultos, curiosos da história literária do Ceará. Privilegiaremos escritores do realismo-naturalismo, sendo os seguintes romances: "A afilhada" (1889), de Oliveira Paiva; "A Fome" (1890), de Rodolfo Teófilo; "A normalista" (1893), de Adolfo Caminha e "A divorciada" (1899), de Francisca Clotilde. CONTEÚDOS ABORDADOS Literatura cearense; Literatura brasileira; Gênero romance; História do Ceará; Realismo-naturalismo; Análise de narrativas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Estudar quatro romances de autores cearenses do século XIX; Enfatizar as representações ficcionais do espaço urbano de Fortaleza em seus contrastes e mutações; Divulgar a História da literatura cearense e servir de canal de divulgação para o público em geral; Fomentar e valorizar atividades educacionais e culturais ao contemplar as esferas da leitura, livro, literatura. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, Otacílio de. Fortaleza descalça. Fortaleza: Edições UFC/Casa José de Alencar, 1992. AZEVEDO, Sânzio de. Adolfo Caminha: vida e obra. Fortaleza: Casa José de Alencar/UFC, 1997. BARREIRA, Dolor. História da Literatura Cearense. Fortaleza: Editora Instituto do Ceará, 1948. BENEVIDES, Artur Eduardo. Evolução da Poesia e do Romance Cearense. Fortaleza: Imprensa Universitária/UFC, 1976. CANDIDO, Antônio. O Discurso e a Cidade. 3. ed. São Paulo; Rio de Janeiro: Ed. Ouro sobre Azul; Duas Cidades, 2004 CAMINHA, Adolfo. A normalista. Fortaleza: Editora ABC, 1997. CLOTILDE, Francisca. A divorciada. 2a ed. atualizada, acrescida de estudos críticos de Otacílio Colares, Angela Barros Leal e Nádia Battella Gotilib. Ceará: Editora Terra Bárbara, 1996. MONTENEGRO, Abelardo F. O romance cearense. Fortaleza: Casa de José de Alencar/UFC, 1993. OLIVEIRA, Caterina Maria de Saboya. Fortaleza: seis romances, seis visões. Fortaleza: Edições UFC, 2000. PAIVA, Manuel de Oliveira. A Afilhada. In: PINTO, Rolando Morel. Manuel de Oliveira Paiva: obra completa. Rio de Janeiro: Graphia Editorial, 1993. PONTE, Sebastião Rogério. Fortaleza Belle Époque. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001. RAMA, Angel. A cidade das letras. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1984. SÜSSEKIND, Flora. Tal Brasil, qual romance?. Rio de Janeiro: Achiamé, 1984. TEÓFILO, Rodolfo. A fome/Violação. Rio de Janeiro: José Olympio; Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 1979. TINHORÂO, José Ramos. A província e o naturalismo. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966.
- A linguagem e o ensino de literatura infantil
"Para Vygotsky, é a linguagem que ajuda a criança a direcionar o pensamento. Ou seja, uma criança que fala pouco, que não desenha ou utiliza um outro tipo de linguagem não tem os pensamentos bem organizados. Logo, é importante que ela tenha estímulos para desenvolver sua linguagem, alimentar seus pensamentos e sua imaginação. A palavra é ação, não surge dela nem é uma representação à parte!". Em consequência, ao tomar contato com a literatura infantil, a criança aprenderá não apenas a familiarizar-se com a linguagem escrita. Muito mais do que isso, a criança estará formando o modo de pensar, os valores ideológicos, os padrões de comportamento de sua sociedade e, em especial, estará alimentando seu imaginário". Fonte: COSTA, Marta Morais da. Metodologia do ensino da Literatura Infantil. Curitiba: Intersaberes, 2013.p. 27. Partindo da concepção da literatura como arte da linguagem, entendemos que ela cria uma outra realidade, que representa o que acreditamos ser o real, mas o faz de maneira a ressaltar no texto o caráter de fantasia, de imaginação. O uso da fantasia na literatura infantil é mais um recurso de adequação do texto ao leitor, visto que a criança, nessa fase, compreende a realidade pelo viés do imaginário. A partir da transfiguração da realidade pela imaginação, o livro infantil põe a criança em contato com o mundo mediado pela ludicidade e fantasia. Portanto, a fantasia configurada por meio da palavra oferece habilidades e enriquece o entendimento da criança sobre os usos da linguagem, de formas variadas. Essa é uma das importantes razões para que a escola trabalhe com a literatura infantil.
- Ideias importantes de Ailton Krenak
Dois livros recentes e importantíssimos do pensador indígena Airto Krenak. Leituras importantes e necessárias para esse mundo que não sofre apenas por uma pandemia viral, mas pandemias morais e destrutivas. O maior parasita do mundo é o ser humano. Parágrafo inicial do livro: "Quando falo de humanidade não estou falando só do Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos baleia, tiramos barbatana de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que a gente achou que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante." (...) Aílton Krenak (1953) é um líder indígena, escritor e ambientalista. Faz parte da etnia indígena krenak, natural da região do Médio Rio Doce, Minas Gerais. A partir da década de 1980, dedicou-se à articulação do movimento indígena. Em 1985, fundou a ong Núcleo de Cultura Indígena. Participou, em 1887, da Assembleia Constituinte. Participou da fundação da União das Nações Indígenas e do movimento Aliança dos povos da floresta. Hoje, além da sua atuação como líder indígena, é assessor para assuntos indígena no Governo de Minas Gerais. Mais informações sobre o movimento indígena e sua tradição cultural, consultar o blog do pensador. Blog de Aílton Krenak https://ailtonkrenak.blogspot.com.br/











